Extremistas hindus queimam imagem de Cristo na Índia

| 02/01/2004 - 00:00


A tensão está prendendo a atenção da comunidade cristã do Estado indiano de Orissa depois que militantes hindus desferiram uma recente onda de violência contra moradores cristãos.

Na última semana de novembro, cerca de uma dúzia de membros do Partido Bharatiya Janata e do Bajrang Dal, um grupo acusado de cumplicidade na morte do missionário australiano, Graham Staines, invadiu uma igreja local em Deogarh. Eles saquearam as estantes de livros da igreja e queimaram centenas de livros religiosos, disse a polícia.

Foi dada queixa contra os doze suspeitos ligados ao incidente. Um repórter de um jornal diário de Orissa está entre as cinco pessoas que a polícia identificou até agora entre os agressores. Estamos dando os passos necessários para capturá-los, disse o oficial.

De acordo com a polícia, militantes hindus da área ficaram ressentidos com a recente conversão, supervisionada pelo pregador do Evangelho Para a Ásia, John Nayak, de quatro famílias tribais no vilarejo de Ambulpani. Eles invadiram a casa alugada de Nayak e saquearam-na aproveitando que o pregador estava fora, levando pacotes de folhetos e livretos e queimando-os.

Os oficiais de polícia de Deogarh disseram que os manifestantes também foram à residência do coletor B.P. Mishra, mas não conseguiram encontrá-lo. Lá a o grupo vestido de açafrão - a veste açafrão é o símbolo do Hindutva, ou da ideologia nacionalista hindu - queimou uma imagem de Jesus Cristo e alguns exemplares da Bíblia.

Logo depois, a multidão marchou para a praça Rajamunda na cidade de Deogarh e atacou uma pequena igreja. A polícia disse que eles agrediram uma freira e quebraram vidraças da igreja. Eles também queimaram mais panfletos e gritaram slogans anti-conversão.

Mais tarde o grupo encontrou-se com o magistrado distrital e entregou um memorando, protestando contra o número crescente de conversões na área. Entretanto, os porta-vozes da polícia disseram que as autoridades tinham sido informadas sobre as conversões e que os povos tribais não haviam feito nada ilegal.

Em uma declaração manuscrita à imprensa, um líder local do Bajrang Dal disse se que a polícia não agisse contra os que estão convertendo pessoas tribais pobres ao cristianismo, o povo pode fazer justiça pelas próprias mãos.

O Conselho Global de Cristãos Indianos (CGCI) protestou contra o ataque de Orissa e pediu medidas policiais para proteger as minorias dos fundamentalistas hindus.

Estamos preocupados com a segurança dos cristãos do Estado de Orissa, que parece ter aprendido com Gujarat como aterrorizar as minorias religiosas, disse Sajan George, presidente do CGCI. Ele pediu também a intervenção da Comissão Nacional para Minorias da Comissão Nacional para os Direitos Humanos.

A tensão está aumentando no quarteirão Tileibani, e a patrulha policial tem sido intensificada, disse aos repórteres o Superintendente de Polícia de Deogarh, Laxmidhar Nayak. Ele afirmou que providências adequadas de segurança foram tomadas em torno das igrejas localizadas em todas as áreas sensíveis.

O Estado de Orissa tem uma população de 36 milhões de habitantes, a maioria hindu. É governado por Bharatiya Janata Dal com o apoio do Partido Bharatiya Janata hindu, que se opõe fortemente à conversão dos hindus ao cristianismo ou ao budismo.

Em outubro último, um tribunal de Orissa condenou à morte o importante líder do Bajrang Dal, Dara Singh, pela morte brutal do missionário australiano, Graham Staines, e seus dois filhos. Doze cúmplices de Singh foram condenados à prisão perpétua pelo crime, que fontes dizem ter sido inspirado pelo movimento anti-conversão.

O Estado de Orissa, Gujarat e Tâmil Nadu aprovaram leis que obrigam os que querem mudar de religião a conseguirem permissão por escrito do magistrado local. As minorias religiosas, incluindo os cristãos, discordam da lei.

Em outra parte da Índia, a polícia fechou uma igreja em Hyderabad, capital de Andhra Pradesh.

Sam Vinton, da Ministérios da Graça Internacional, disse que a polícia havia dado ordens de despejo à sua igreja.

Isso foi depois que moradores hindus se queixaram que não queriam um grupo cristão reunindo-se em sua vizinhança, disse ele. Agora nossos membros estão encontrando dificuldade para alugar um local para os cultos.

Uma vez despejados, outros proprietários hindus estão exigindo aluguéis exorbitantes para que os cristãos não possam alugar um local, acrescentou Vinton.


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