Esquenta o debate sobre a liberdade religiosa

| 03/01/2008 - 00:00


Em um relatório confidencial, diplomatas canadenses em Beijing disseram que a China está "progredindo na questão dos direitos humanos” e pode ter um considerável avanço no futuro”, de acordo com o periódico “Globe and Mail”, mas o governo canadense não se convenceu.

O primeiro-ministro canadense Stephen Harper e o gabinete dele são críticos por conta dos registros de violações aos direitos humanos do anfitrião dos Jogos Olímpicos de 2008.

No ano passado, o Canadá chegou a cancelar o diálogo sobre direitos humanos que mantinha anualmente com a China.

A discrepância aparente entre as percepções da administração de Ottawa e desses diplomatas em Beijing espelha o debate que vem sendo travado dentro de círculos cristãos.

Alguns evangélicos se tornaram defensores virtuais do governo chinês e das igrejas registradas, enquanto outros continuam ressaltando as apreensões, prisões e até mesmo tortura de protestantes e católicos de igrejas domésticas não-registradas. Afinal, quem está certo?

Poucos negariam que, durante os últimos 20 anos, houve uma melhoria genuína na questão dos direitos humanos para muitos cristãos chineses - assim que eles se registram como corpos religiosos "patrióticos", controlados pelo governo.

Foram abertas inúmeras igrejas grandes. Agora o trabalho com jovens e crianças é possível em muitas igrejas da cidade e muitas livrarias cristãs pequenas surgiram nas principais cidades.

Mas aqueles que por uma questão de consciência se recusam a aceitar o controle e a interferência nos negócios da igreja por parte do Partido Comunista, que é ateu, ainda se depara com o lado rude do governo.

Relatório revela campanha secreta

De acordo com um documento interno, o Partido Comunista chinês empreendeu uma campanha secreta contra igrejas domésticas não-registradas durante quase seis meses, do meio de junho até o fim de novembro de 2007.

O documento datado de 24 de julho, da cidade de Jingmen, na província de Hubei, divulgado pela Associação de Ajuda à China (CAA, sigla em inglês) no dia 13 de novembro, revela que os chefes do governo deram ordens para "lutar contra a infiltração por forças hostis ultramarinas sob o disfarce do cristianismo”.

Testemunhas da perseguição religiosa na China relataram à Comissão dos EUA sobre Liberdade Religiosa Internacional, que o país vem promovendo uma perseguição mais sofisticada.

As táticas dos funcionários de segurança pública - interrogatórios imediatos, acusação de atividades criminais contra líderes de igrejas e a classificação de movimentos protestantes como seitas e cultos como rituais - sugerem que as autoridades chinesas estão mais preocupadas em parecer mais tolerantes em relação aos cristãos, aos olhos da comunidade internacional ( leia mais).

O documento constata que a idéia de que as igrejas domésticas podem se registrar perante as autoridades e evitar o controle do Estado é em grande parte um mito: "A legalização é alcançada a partir do registro das reuniões que não tinham autorização, enquanto vão sendo substituídas as reuniões particulares pelas igrejas legalizadas, juntando-se as reuniões não-registradas e persuadindo os cristãos a acabarem com as reuniões secretas”.

Várias fontes concluíram que, à frente dos Jogos Olímpicos de 2008, o governo chinês lançou uma política para suprimir as igrejas domésticas cristãs, antes que as atenções do mundo se voltem para o país sede da Olimpíada (saiba mais).


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