Exército egípcio entra em choque com pessoal do centro cristão

| 14/01/2004 - 00:00


Um cristão egípcio foi morto e dois outros ficaram gravemente feridos no dia 5 de janeiro, quando ocorreu outro confronto entre um contingente armado do exército e o pessoal de um centro cristão copta (foto) para crianças excepcionais próximo ao Cairo.

Fontes locais confirmaram a Portas Abertas que logo depois das 10h da manhã, cerca de 300 soldados do Acampamento da Segunda Unidade do Exército localizado ao longo da rodovia Cairo-Suez aproximou-se da fazenda vizinha pertencente ao Centro Patmos.

Usando um trator e outros equipamentos de construção, os militares bloquearam a entrada principal do Centro Patmos, fazendo grandes montes de pedras na frente do portão atual, informou uma fonte. Com soldados bloqueando a estrada que dá acesso ao centro, vários metros do muro de ambos os lados do portão foram derrubados.

Os funcionários do centro correram para tentar impedir a demolição, atirando pedras e garrafas nos soldados. Alguns funcionários do Patmos foram então à rodovia Suez, parando o trânsito num protesto contra a ação militar.

Alguns minutos depois, um ônibus em alta velocidade saiu da rodovia para a estrada de serviço marginal, dirigindo-se diretamente sobre o pessoal que estava em redor do bispo Botros, o clérigo Ortodoxo Copta que dirige o centro.

Apesar do bispo Botros ter conseguido escapar do ônibus, 13 funcionários seus foram atingidos. Kirilos Daould Lamiy morreu no local. Dois outros cristãos coptas, Shehata Nakhla e Hany Saad, foram gravemente feridos e hospitalizados. Outros 10 ficaram feridos.

Durante o incidente, uma irmã copta, identificada como Irmã Raous, foi também espancada e ferida pelos soldados, que quebraram o pára-brisa e a janela traseira do carro.

Apesar da polícia de segurança estar, ao que se sabe, procurando pelo motorista, fontes coptas reclamam que o exército o escondeu. Os oficiais do exército afirmam que o motorista simplesmente perdeu o controle do veículo, mas fontes da igreja acusam os oficiais de terem ordenado ao motorista que atropelasse o bispo e o seu pessoal.

Os funcionários do Patmos afirmam que o exército provocou deliberadamente a violência ao fechar à força o portão da frente do centro, alegando que seria aberta uma outra entrada em outro muro lateral.
Mas os oficiais do exército declararam que eles estão simplesmente implementando uma nova lei introduzida em janeiro último pelo Ministério da Defesa, ordenando que todas as construções ao longo da rodovia Suez devam ficar a pelo menos 100 metros da estrada. Ao contrário da maioria de normas similares, o decreto teve efeito retroativo.

Construído há 10 anos, o muro da frente do Centro Patmos fica a 50 metros da rodovia. Ironicamente os próprios muros dos barracões do exército estão também a 50 metros da estrada, e inúmeras outras construções ao longo da estrada ficam ainda mais próximas.
Se essa lei for aplicada a todos, não temos problema com ela, disse a Portas Abertas em maio último o administrador do Centro Patmos. Mas se não for, então temos de perguntar: Por que ser aplicada somente a nós? De acordo com um jornalista do Cairo, a polícia de segurança criticou o bispo Botros ontem pela crescente tensão.

O bispo Botros fica provocando continuamente seus vizinhos militares, e ele não quer entrar em acordo com eles, disseram as autoridades da segurança aos jornalistas. O exército egípcio é sistemático, como todos sabem, e pode fazer o que quiser. O bispo Botros sabe disso, por isso ele não deveria ser tão provocativo.

O conflito de 7 anos sobre o Centro Patmos tem sido descrito por fontes da igreja local com uma rixa pessoal entre o bispo Botros e o Gal. Hussein Tantawi, ministro da defesa egípcio.

Membro do gabinete do presidente Hosni Mubarak há muito tempo, Tantawi sofreu constrangimento internacional por seu papel direto na ação do exército contra Patmos em 1996 e 1997. Os ataques causaram prejuízos de mais de 200 mil dólares a edifícios e muros, bem como pomares foram arrancados e rebanhos mortos. Apesar de funcionários do Patmos terem sido espancados, feridos e até presos por resistirem a ordens do exército muitas vezes desde então, a morte de ontem (06/01) foi a primeira que ocorreu.

O Centro Patmos moveu e ganhou um processo provando que o exército foi responsável pelos grandes prejuízos provocados em 1996 e 1997. Mas um caso de indenização para compensar os prejuízos está em compasso de espera na justiça.

Sabe-se que o papa Shenoudah III, da Igreja Ortodoxa Copta encontrou-se com o bispo Botros na segunda-feira à noite, apesar de até agora não ter sido emitido nenhum comentário por qualquer porta-voz da igreja com relação à reunião dos dois ou sobre o último incidente do Centro Patmos.

Três irmãos cristãos coptas iniciaram o Centro Patmos como projeto de reclamação de terra, inicialmente alugando o local do ministério egípcio da agricultura.

Formalmente comprado em 1995, o centro abriga crianças mentalmente excepcionais no ambiente da próspera fazenda onde eles ajudam a criar animais, frutas e legumes e compartilham outros projetos de trabalho agrícola. O pessoal é composto de padres e freiras ortodoxos coptas, juntos com pessoal leigo treinado.


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