Adiado o julgamento do pastor vietnamita

| 15/01/2004 - 00:00


Menos de 24 horas antes do início de seu julgamento por desacato a uma autoridade no exercício da função no dia 13 de janeiro na cidade de Ho Chi Minh, o Rev. Bui Van Ba recebeu a notícia do adiamento do julgamento para uma data posterior, com a desculpa de que o juiz não podia estar presente.

O Rev. Ba está sob prisão domiciliar desde que foi dada uma batida policial em uma reunião de oração em sua casa no dia 18 de agosto de 2003.

Mas fontes locais não crêem que o motivo declarado seja o motivo verdadeiro para o adiamento. Acredita-se que fortes e diretos apelos dos líderes da igreja doméstica às autoridades - incluindo a ameaça de mandar manifestantes às ruas, a ampla publicidade internacional e o interesse demonstrado pelas embaixadas ocidentais - causaram o adiamento.

É possível que este desdobramento represente o começo de uma nova fase na luta pela liberdade religiosa no Vietnã. Os líderes da igreja doméstica, saturados por anos de maus tratos e perseguição, mostraram notável união, determinação e coragem, disse a Portas Abertas um antigo ativista dos direitos humanos.

Entretanto, não se deve esquecer que a maior parte da perseguição no Vietnã ocorre nas regiões remotas, entre as minorias e é completamente extra-judicial.

Os cristãos da igreja doméstica do Vietnã estão gratos pelo adiamento. Entretanto, eles o consideram apenas uma vitória parcial porque as autoridades ainda têm de apresentar as acusações contra o Rev. Ba, as quais eles consideram falsas. Sequer as autoridades investigaram a polícia pelas violações aos direitos legais de Ba e dos colegas cristãos.

No dia 9 de janeiro, fontes de Portas Abertas receberam cópias de vários documentos na língua vietnamita protestando contra o julgamento. Os líderes de 21 igrejas domésticas da Associação Evangélica do Vietnã publicaram uma carta de protesto no dia 5 de janeiro. Ela foi endereçada a embaixadas estrangeiras bem como à imprensa local e internacional.

A carta, cuidadosamente redigida, documenta as violações da polícia de seis artigos do código criminal. Ela conclui com um apelo para que sejam desconsideradas todas as acusações contra o Rev. Ba. Ela pede também que o Vietnã respeite suas próprias leis e os acordos internacionais assinados relativos à liberdade religiosa e aos direitos humanos. Apelos semelhantes por liberdade religiosa levaram outros ativistas a prisões prolongadas.

Também no dia 5 de janeiro, o Rev. Ba e dois colegas de sua organização Igreja do Evangelho Integral do Vietnã publicaram uma carta de denúncia muito forte relacionada às acusações. Ela é dirigida à polícia competente e à justiça do Distrito 11 da cidade de Ho Chi Minh, com cópias para o primeiro ministro do Vietnã, à Agência de Assuntos Religiosos, ao Ministério de Segurança Pública e à imprensa.

Após resumir as injustiças cometidas contra o Rev. Ba, a carta termina com as palavras: Estamos muito incomodados e sinceramente condenamos o julgamento do pastor Bui Van Ba no dia 13 de janeiro de 2004. Por uma questão de justiça e dignidade humana, apelamos à consciência de V. Excia., e de todos que ocupam cargos de alta responsabilidade a levantar a voz, tomar uma ação e parar imediatamente este abuso do fraco, esta violação dos direitos humanos e da liberdade religiosa que gera infortúnio e sofrimento aos cristãos evangélicos.

Duas dessas cartas foram entregues pessoalmente à juíza presidente do Distrito 11 da Cidade de Ho Chi Minh, Sra. Le Thi Kim Loan, por três líderes da Associação Evangélica do Vietnã. Sabe-se que ela ficou preocupada com a linguagem forte da carta de protesto na qual eles acusavam a polícia de abusar de sua posição e da lei para fazer do Rev. Bui Van Ba, uma clara vítima da repressão religiosa, um criminoso convocado a ser julgado em um tribunal. Em outra publicação circulada pelos líderes cristãos, eles prometeram manifestações de rua se fosse realizado o julgamento.

No dia 8 de janeiro, o Rev. Pham Dinh Nhan, presidente da Associação Evangélica do Vietnã (AEV), fez um apelo aos milhares de cristãos da associação para que jejuassem e orassem por justiça ao Rev. Ba, da manhã de 12 de janeiro à noite do dia 14 do mesmo mês.

Apesar do caso do pastor Ba ser apenas um dos inúmeros exemplos de perseguição da nossa comunidade, continuamos a orar por aqueles que têm autoridade sobre nós, de acordo com o ensino bíblico em 1 Timóteo 2:1 e 2, disse o Rev. Pham. Ao mesmo tempo, nós os líderes da AEV enviamos uma petição sobre este abuso ao primeiro ministro e outras altas autoridades.

O período especial de três dias de oração e jejum durou apenas horas quando saiu o anúncio do adiamento do julgamento. Os organizadores informaram que centenas de igrejas domésticas, com uns 65 mil cristãos, participaram entusiasticamente desta campanha sem precedentes. Muitos deles se ofereceram para comparecer ao tribunal para se manifestar.

Ao receber a notícia do adiamento, os cristãos do Vietnã informaram imediatamente os que davam apoio fora do país e prometeram pressionar pela completa desconsideração das acusações.

O primeiro passo nesta nossa batalha legal de nós cristãos protestantes teve sucesso, e nos próximos dias, a batalha vai continuar! disse um dos líderes da igreja.

Os líderes cristãos da AEV reuniram-se para orar e traçar uma estratégia na última segunda-feira na casa do pastor ativista, Rev. Nguyen Hong Quang. Eles foram maltratados pelos oficiais Hoa e Ngan, da polícia da cidade de Saigon, bem como por vários policiais da Guarda 2, disseram as fontes.

A polícia colocou um posto para espionar o Rev. Quang em uma casa a apenas quatro metros de sua residência. Enquanto o líderes da igreja estavam reunidos, as autoridades cortaram a energia elétrica na área adjacente à casa do Rev. Quang. A energia foi restabelecida no momento em que os líderes saíram.

Os líderes cristãos do Vietnã avisaram que as autoridades podem anunciar um novo julgamento para o Rev. Ba a qualquer momento, e pediram aos cristãos do mundo todo para orarem com eles na batalha para garantir justiça e liberdade religiosa.


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