Delegação holandesa vai ao Egito em missão de paz

Uma delegação cristão-muçulmana holandesa chegou ontem ao Egito para fazer a mediação com as autoridades religiosas egípcias e resolver a crise iniciada com a exibição de "Fitna", o curta-metragem do parlamentar Geert Wilders sobre o islã.

Segundo Kees Hulsman, diretor de um centro de diálogo entre cristianismo e islã, que coordenou a agenda de contatos, a delegação se reuniu ontem de manhã com o xeique Muhammad Sayyid Tantawy, grande imã da mesquita de Al-Azhar, considerada a instituição sunita mais respeitada do mundo.

A mensagem levada pela delegação contém três idéias principais: o respeito que a maioria de holandeses professa pelas crenças e as religiões, a condenação às tentativas de insultar estas crenças e a afirmação de que a lei holandesa impede a proibição de um filme por mais provocador ou ofensivo que seja.

A delegação concederá hoje uma entrevista coletiva para explicar o resultado de suas gestões e, depois amanhã, se reunirá com estudantes da Universidade do Cairo, onde os movimentos islamitas são muito fortes.

A delegação é liderada pelo secretário-geral das Igrejas Protestantes da Holanda, e inclui representantes do Comitê de Contato entre os muçulmanos e o Governo holandês e o Conselho de Igrejas holandesas.

Polêmica

O curta-metragem de Wilders, que apresenta o Alcorão como um livro que incita a violência, gerou polêmica antes de sua exibição, com ameaças de represálias por parte de extremistas islamitas e preocupação das autoridades holandesas pelas possíveis conseqüências ( leia mais).

Perante a recusa das televisões holandesas a aceitar as condições de Wilders para exibir "Fitna", o deputado do Partido da Liberdade anunciou que estrearia o curta em um site no final do mês.

No entanto, o portal que hospedava a página onde Wilders pensava em estrear o filme a bloqueou há dois dias.

Em declarações à imprensa nos corredores do Parlamento, o deputado afirmou que está tentando "de outra maneira", mas não quis revelar outros detalhes: "não direi nada mais a respeito".