Cristã argelina pode ser condenada a três anos de prisão

| 27/05/2008 - 00:00


Pela primeira vez na Argélia está em andamento um processo contra uma argelina convertida ao cristianismo, acusada de prática de um culto não-muçulmano, sem autorização oficial. O Procurador da República de Tiaret (Oeste), a 400 quilômetros de Argel, pediu três anos de prisão efectiva para Habiba Kouider, de 37 anos de idade.

Segundo o Pastor Mustapha Krim, Habiba Kouider foi presa no início de abril pelos policiais da ordem pública, quando viajava de carro na estrada que liga Tiaret a Oran, na posse de uma dezena de exemplares da Bíblia.

Ela foi detida com base na lei aprovada em 2006 que exige uma autorização da autoridade municipal para o exercício de culto não-muçulmano na Argélia.

Seis outros argelinos igualmente convertidos ao cristianismo devem comparecer perante o mesmo tribunal, acusados de “proselitismo religioso”, acrescentou o presidente da Igreja protestante.

Clemência

Entretanto, o governo parisiese pediu à Argélia a libertação de Habiba Kouider. A Secretária de Estado francesa dos Direitos do Homem, Rama Yade, definiu o caso como "triste e desconcertante" e pediu um gesto de clemência, ressaltando que o processo contra Habiba é uma afronta à Declaração Universal dos Direitos do Homem que, no artigo 18, proclama a liberdade de pensamento, de consciência e de religião.

"O cristianismo não ameaça o islã na Argélia", disse a secretária de Estado francesa, acrescentando que "os cristãos na Argélia são 1% da população, ou seja, cerca de 11 mil e 500 pessoas, com 32 igrejas, diante de 32 mil mesquitas.

Rama Yade destaca que a prisão de Habiba Kouider não é o primeiro caso do tipo, lembrando o do padre católico francês Pierre Wallez, condenado em abril pelo Tribunal de Recursos de Tlemen a dois meses de cárcere, com suspensão, por proselitismo.

"Confio na tolerância do povo argelino", declarou a Secretária de Estado francesa para os Direitos do Homem.

Repercussão

A imprensa argelina deu amplo espaço a estes últimos acontecimentos, evidenciando as dificuldades que enfrentam atualmente as comunidades cristãs na Argélia. Vinte e cinco destas comunidades foram intimadas a interromperem toda as atividades.

A lei argelina exige uma autorização para exercer um culto, inclusive o muçulmano: é necessário organizar-se em associação e pedir uma licença para a abertura de lugares de culto e para quem deve assegurar a oração.


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