Um mês depois do ciclone, as vítimas ainda sofrem

Portas Abertas visitou Mianmar para ver em primeira mão a devastação causada pelo ciclone Nargis, que passou pelo país no dia 2 de maio. A estimativa da ONU é que 133.000 pessoas estejam mortas ou desaparecidas e que 2,4 milhões ainda precisem de comida, abrigo, água potável e ajuda humanitária.

Mesmo após um mês da passagem do ciclone, 60% das pessoas ainda não receberam nenhuma ajuda devido à política altamente restritiva do governo de Mianmar. As igrejas estão trabalhando duro para o alívio e a reabilitação em parceria com algumas agências governamentais. Pelo menos 75.000 cristãos foram atingidos nas divisões Yangon, Bago e Ayeyarwady. A maioria dos cristãos atingidos vem da comunidade karen.

Plantações destruídas

Portas Abertas visitou Mianmar para ver em primeira mão a devastação. A região de Ayeyarwady, chamada de "panela de arroz" porque produz dois terços do suprimento anual de arroz do país, foi a mais atingida. A região é também tem uma das mais altas densidades demográficas do país, composta em sua maioria por pwo kayin (karen), mon, bamar e mulçumanos.

Em Yangon, antiga capital de Mianmar, o fornecimento de eletricidade e água já foi restabelecido em algumas partes. As árvores caídas e os escombros já foram retirados das ruas.

A maioria das casas que tiveram os tetos destruídos já foi reparada. O sistema de transportes já está funcionando normalmente; as linhas de telefone ainda serão religadas, mas os celulares (locais) já funcionam. A vida já está voltando ao normal exceto em algumas áreas onde ainda não há eletricidade ou o fornecimento é limitado.

Em Ayeyarwady, a situação é bem diferente. As árvores caídas ainda ocupam grandes áreas dentro das vilas, lama e água cobrem grandes porções de terra que antes eram ocupadas por casas, vários corpos de pessoas e animais continuam se decompondo nas margens do rio, esperando para serem enterrados. Não há suprimento de sacos para que as pessoas possam limpar o local e enterrar seus mortos.

Estoques de arroz esgotados

Estoques de arroz que poderiam alimentar famílias por cinco meses foram levados pela enchente e a ajuda que eles recebem precisa durar por um mês. O programa alimentar mundial da ONU já admite a necessidade de uma nova distribuição. Muitas vilas ainda não receberam a primeira rodada de alimentos até agora.

Enquanto isso, os sacos de arroz que não foram levados pela enchente então sendo secados ao sol para serem vendidos como ração de animais. Os fazendeiros perderam seus estoques de semente; os animais e os equipamentos foram levados pela enchente. Ninguém pôde voltar a trabalhar nos milhares de hectares de terra. Os fazendeiros têm menos de três semanas antes que a estação de cultivo termine em junho.

Apenas alguns barcos escaparam da destruição, o que atrapalhou o sistema de transporte da região. Para conseguir água potável, as pessoas armazenam água da chuva em recipientes plásticos.

Socorro urgente

O governo emitiu uma ordem para que as pessoas que estão em abrigos voltem para suas vilas porque a fase de socorro terminou. A declaração foi emitida durante uma visita do chefe da ONU que discordou com a declaração devido à situação do país.

A verdade é que a fase de socorro está longe de terminar porque o suprimento de comida não durará mais do que um mês, a única água potável é a da chuva, os mortos ainda não foram devidamente enterrados, há áreas que ainda não foram limpas e não há abrigo para as pessoas que perderam suas casas e cujas comunidades estão inabitáveis.

No caso de Mianmar, tanto a fase de socorro quanto a de reabilitação terão de ser feitas simultaneamente, e sem mais atraso. Eles não podem perder mais tempo.

Por isso a Portas Abertas iniciou uma campanha para ajuda às vítimas de Mianmar e China. Para fazer a sua doação, basta clicar aqui.