Novo grupo religioso que apóia Chávez causa polêmica

| 01/07/2008 - 00:00


Um incipiente grupo religioso que apóia abertamente o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está despertando a ira dos hierarcas da Igreja Católica Romana no país, ao pregar o Evangelho junto ao socialismo. Mas há anglicanos e protestantes também preocupados que esse grupo torne-se a Igreja Oficial Cristã do país.

Os fundadores da recém-criada Igreja Católica Reformada da Venezuela, com sede em Ciudad Ojeda, no ocidente do país, afirmam que o apoio aos ideais socialistas de Chávez vai de encontro ao objetivo cristão de ajudar os pobres.

"Nós não somos partidários de nenhum grupo político, mas não podemos deixar de reconhecer e aprovar os avanços sociais que produziu este governo do presidente Chávez," disse à Associated Press Enrique Albornoz, um ex-pastor luterano que ajudou a iniciar a igreja, em entrevista por telefone.

"Nós reafirmamos que apoiamos os programas sociais deste governo revolucionário," disse.

A igreja é formada por um grupo dissidente de sacerdotes católicos romanos, luteranos e anglicanos, disse Albornoz, que foi juramentado no final de semana passado como um dos primeiros bispos da igreja.

A Igreja Católica Reformada conta com cinco santuários na Venezuela e cerca de dois mil fiéis, a maioria no rico estado petrolífero de Zulia, 550 quilômetros ao oeste de Caracas. Uma igreja de alvenaria em um bairro pobre de Ciudad Ojeda serve como quartel-general do movimento religioso.

O cardeal venezuelano Jorge Urosa Sabino acusou os reformistas - alguns dos quais são ex-padres católicos excomungados - de tentarem provocar um cisma na Igreja Católica, que tem sido uma crítica consistente ao socialismo impulsionado por Chávez, ao mesmo tempo que se mantém como uma das instituições mais confiáveis da população venezuelana.

Política x fé

"A aparente finalidade política dessa associação a desvirtua como expressão autêntica da fé cristã," disse Urosa Sabino no domingo em uma declaração. "A autêntica Igreja de Jesus Cristo tem como finalidade levar o anúncio e os benefícios de Cristo ao mundo inteiro, independentemente da questão política e da filiação partidária dos fiéis."

Já o monsenhor Roberto Lückert - um dos mais críticos mais abertos do governante - acusa o governo Chávez de financiar a nova igreja para frear a influência do Vaticano na Venezuela.

"Esse cidadão foi pago pelo governo," disse Lückert à emissora Unión Rádio, sem dar detalhes.

"O que eles querem é acabar com a Igreja Católica e não conseguiram fazer isso," agregou.

Albornoz rejeitou com veemência as acusações de financiamento do governo, ao desafiar Lückert a "mostrar as provas das suas acusações." Ele também negou que a nova igreja tenha uma linha política e argumentou que os hierarcas católicos é que tomaram partido político, ao expressar sua oposição a Chávez.

Ideologia socialista

A nova comunidade religiosa tem uma ideologia comum com a versão socialista que o mandatário define como "bolivariana," que gira em parte ao redor do prócer da independência de vários países de língua espanhola da América do Sul, Simón Bolívar, a quem Chávez vê como pai espiritual da sua ideologia.

Ao contrário do catolicismo, a nova igreja não rechaça o homossexualismo, permite o divórcio nos casos de adultério ou relações abusivas e os sacerdotes podem optar por fazer votos de castidade ou não.


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