Universidade Federal do Maranhão estuda religiosidade local

| 02/07/2008 - 00:00


No início do século 20, 98% da população brasileira era católica. Hoje, o número caiu para 70%, com o crescimento do protestantismo. As religiões afros mantiveram-se sem grandes alterações. Estas são algumas das constatações feitas pelo pesquisador e diretor do Centro de Ciências Sociais (CCH) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Lyndon de Araújo.

Ele estuda as interfaces históricas da religiosidade maranhense nos séculos 19 e 20. Segundo o professor, o trabalho tem como objetivo aprofundar as apreciações e abordagens sobre religiosidade no Maranhão. "São privilegiadas as principais expressões religiosas como o catolicismo, protestantismo, cultos afros, kardecismo e as hegemônicas no campo religioso maranhense", ressalta.

Religião é uma visão de mundo

Para o professor, a religião é uma visão de mundo, discurso e conjunto de valores. "A Sociologia e a Antropologia nos apresentam ferramentas analíticas. São utilizadas no trabalho fontes escritas, documentais, iconográficas e fontes da memória", explica.

O tema geral da pesquisa tem três eixos: as relações de dominação, o poder institucional e a influência dentro dos espaços religiosos; os saberes, no sentido em que as religiosidades constroem percepções do mundo; e as instituições que trabalham a linha do ensino religioso com as escolas.

Lyndon se baseou na linha de pensamento de Pierre Bourdieu, sociólogo francês que acredita que as religiões constituem-se em um espaço de poder e concorrem entre si com seus valores e doutrinas.

"Interessa ao historiador interpretar e compreender essas relações de conflito, relações de proximidades, distanciamento, concorrência e negação entre as principais religiões. Nós partimos do pressuposto de que não há verdade religiosa. Predomina a análise sem diagnóstico para a produção ter credibilidade acadêmica e científica", conclui.

As análises são continuidade e aprofundamento das questões estudadas há vinte anos por Lyndon de Araújo. Desde 2005, ele coordena o grupo que vai finalizar a pesquisa em novembro de 2009. A equipe conta com 20 participantes entre mestrandos e graduandos dos cursos de História, Ciências Sociais, Educação Artística, Direito e Geografia.

As informações são da Universidade Federal do Maranhão.


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