Enterro de sacerdote reúne cristãos, hindus e muçulmanos

Mais de 1000 pessoas, incluindo hindus e muçulmanos, se reuniram em Kolkata, capital de Bengala Ocidental, um Estado da Índia, no último dia 4 de julho, para o enterro de um padre católico assassinado por extremistas hindus no Nepal.

O padre Johnson Prakash Moyalan, que pertenceu à ordem religiosa de Salesianos Dom Bosco, era do Estado de Kerala. Ele recebeu um tiro no tórax e outro na garganta por um grupo de homens mascarados que entraram no complexo da missão salesiana em Dharan, perto da cidade nepalesa de Sirsia, que fica a aproximadamente 15 quilômetros da fronteira entre a Índia e o Nepal, no dia 1º de julho.

O secretário provinciano em Kolkata, Antony Earathara, disse ao Compass que Johnson Prakash Moyalan tinha 60 anos e foi o primeiro mártir do Nepal, morto por causa de Cristo.

"O salesiano foi morto por extremistas hindus que pertencem a um grupo obscuro, o Exército de Defesa do Nepal, e que deixaram alguns folhetos dizendo que o Nepal deveria novamente ser um Estado hindu. Eles ainda declararam que estão treinando um batalhão de extremistas hindus suicidas para alcançar sua missão", disse Antony Earathara.

Nada foi levado do quarto do padre e por isso não se pode alegar que o crime tivesse motivação de roubo.

As notícias da morte de Johnson Moyalan, que trabalhava no Nepal desde 1996 no junto a pessoas consideradas de "casta inferior", como dizem os hindus, chocou a comunidade cristã no Nepal e na Índia.

“A morte trágica dele é realmente chocante", disse o padre George Plathottam, líder da Conferência dos Bispos Católicos da Comissão para Comunicações Sociais da Índia.

"Ele havia deixado a casa dele e escolhido dedicar sua vida e a energia no trabalho para recuperar as pessoas de Nepal. Ele foi impelido pelo amor de Cristo a servir as pessoas e considerar todos como seus irmãos e irmãs."

George Plathottam disse ainda que se sentia muito triste com o fato de os extremistas terem escolhido um homem que dera a sua vida para cuidar das pessoas.

Embora o Nepal tenha deixado oficialmente de ser apenas uma nação hinduísta após um forte movimento democrático, em 2006, os cristãos locais dizem que a liberdade religiosa permanece como uma realidade bem distante.

"Os maoístas entraram agora no poder e declararam o Nepal como um Estado secular", disse Samuel Rai, um líder cristão local. Ele lembra, entretanto, que o fato de ser “secular”, implica em nenhum credo. “Temo que os maoístas comecem logo a perseguir os cristãos", afirmou.