Surpresa em Malatya: suspeitos de assassinato esperavam imunidade

| 24/10/2008 - 00:00


Advogados e juízes no caso dos três cristãos assassinados em abril de 2007 continuam investigando se o ataque foi premeditado por jovens problemáticos ou por elementos obscuros do Estado turco.

Os advogados de acusação acreditam que a primeira testemunha na audiência de quinta-feira (16 de outubro), o jornalista local Varol Bulent Aral, incitou o líder dos ataques a cometer o assassinato, convencendo-o de que missionários estrangeiros estariam coligados ao Partido dos Trabalhadores Curdo (PKK), uma organização terrorista ilegal no país.

Emre Gunaydin, suposto líder dos ataques, testemunhou que Varol, 32 anos, havia lhe prometido imunidade estatal pelos ataques planejados.

Dois cristãos turcos, Necati Aydin e Ugur Yuksel, e um alemão, Tilmann Geske, foram brutalmente torturados e assassinados em uma editora em uma cidade de Malatya, em 18 de abril de 2007 (saiba mais).

Emre, juntamente com Salih Gürler, Cuma Ozdemir, Hamit Ceker e Abuzer Yildirim, presos ao longo dos últimos 18 meses, são acusados de homicídio. Eles têm entre 19 e 21 anos de idade.

O tribunal intimou Varol para as últimas quatro audiências, mas ele não compareceu em nenhuma delas. Ele testemunhou na audiência de quinta-feira no Terceiro Tribunal Criminal de Malatya pois está sob custódia policial desde 2 de outubro, quando foi preso em por porte de identidade falsa.

Quando o juiz questionou Emre se Varol o havia convencido de cometer os homicídios, Emre apelou para seu direito de permanecer em silêncio.

Varol, no entanto, negou ter prometido proteção para Emre pelo assassinato. Ele alegou apenas ter discutido sobre o PKK com Emre, e não sobre missionários cristãos.

Todavia, no testemunho que Emre prestou na audiência de agosto, ele descreveu que Varol lhe havia dito que achava ter uma ligação entre os missionários e o PKK. Varol lhe teria dito que a meta do trabalho missionário cristão na Turquia era “destruir a pátria”.

Conspiração nacionalista

Recentes eventos políticos na Turquia, entretanto, mostram que a promessa de proteção a Emre e aos outros quatro jovens pode não ser implausível.

Em janeiro, a polícia descobriu e começou a prender membros do Ergenekon, uma quadrilha ultranacionalista, formado por generais, políticos, jornalistas e mafiosos aposentados. Eles estão sendo investigados por conspiração em assassinatos recentes. O indiciamento apontou 86 suspeitos, dos quais 70 estão presos.

Uma investigação criminal separada ligou a quadrilha a grandes assassinatos, ataques e planos de causar caos doméstico e, por fim, derrubar o governo.

As provas no caso Malatya indicam que Varol teria agido como uma ponte entre os cinco suspeitos de homicídio e Ergenekon.

Em janeiro, a polícia de Malatya achou o diário de Varol, o qual mencionava múltiplas pessoas denunciadas no Ergenekon, e o contato de Kemal Kerincsiz, um advogado ultranacionalista que processou dois cristãos turcos por “insultar o islã”. O caso de Hakan Tastan e Turan Topal está em andamento há dois anos (saiba mais).

Em seu diário, Varol mencionava o dever de “proteger a honra estatal”.

Quando o juiz Eray Gurtekin perguntou a Varol por que seu diário mencionava essas pessoas, Varol alegou ter “recebido informações” e anotou os nomes para pensar sobre eles mais tarde. Ele alegou meramente estar compilando informações para escrever um livro sobre Ergenekon.

A testemunha foi mais elusiva quando lhe foi perguntado se ele conhecia Orhan Kemal Cengiz, que lidera os advogados de acusação.

Varol disse que não conhecia Orhan. Mas nos últimos meses, Varol conversou com muitos jornalistas das maiores cidades do país, tentando provar que Orhan era o líder de um grupo secreto de resistência estabelecido pelo governo e responsável pelos assassinatos de Hrant Dink (jornalista turco-armênio assassinado em 2007), Andrea Santoro (um padre católico que foi assassinado em 2006), e os três cristãos de Malatya.

O juiz Eray então perguntou a Varol se ele havia trabalhado como informante da polícia ou do Exército. Ele respondeu: “Tenho muitos policiais e militares entre meus amigos. Nós tomamos chá e conversamos uns com os outros”.


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