Igreja apela contra tribunais islâmicos

Igrejas na Tanzânia apelaram contra a proposta de estabelecer tribunais kadhis para julgar disputas na comunidade muçulmana.
 
Líderes de igrejas dizem que esses tribunais vão criar tensão religiosa num país que se orgulha de seu alto nível de tolerância religiosa e social.

O apelo foi assinado por 64 líderes do Conselho Cristão da Tanzânia (CCT) e de igrejas independentes.

Um repórter da BBC diz que a opinião pública está dividida sobre esse assunto.

Durante a sessão parlamentar em agosto, membros do Parlamento se mostraram divididos sobre a criação de tribunais kadhis que julguem questões familiares como casamento e divórcio.

O semi-autônomo arquipélago de Zanzibar, onde 99% da população é muçulmana, têm tribunais kadhis como órgão oficial de seu sistema judiciário desde 1985. Zanzibar faz parte da República da Tanzânia, na costa leste do continente africano.

Estado laico

John Ngahyoma da BBC da cidade de Dar es Salaam, capital da Tanzânia, diz que, embora o governo não tenha tomado a decisão ainda, as chances são grandes de se permitir a criação dos tribunais em todo o território nacional.

O governo esta considerando também unir-se à Organização da Conferência Islâmica (OCI), uma ação que está sendo encarada com críticas pelos líderes cristãos.
 
O ministro de Cooperação Internacional e Relações Internacionais, Bernard Membe, disse que o governo buscaria o consentimento popular a respeito da união entre Tanzânia e a OCI, publicou o jornal Guardian da Tanzânia, na quinta-feira.

Os líderes de igrejas disseram que a adesão à OCI iria contradizer a Constituição do país, que estabelece a Tanzânia como um Estado laico.