Conflito por posse gerou onda de violência no Egito

Em outubro, um cristão copta foi morto por um muçulmano que queria comprar sua casa na vila de Tayyiba.

Esse ato de violência resultou em um levante que danificou vitrines de lojas e causou a prisão de 48 pessoas. Três cristãos e um muçulmano ficaram feridos.

O conflito originou-se por questões de domínio de posse. Uma fonte copta disse à agência de notícias Compass que cristãos em Tayyiba são mais abastados do que os muçulmanos, o que freqüentemente deixa-os ressentidos.

Diz-se que essa onda de violência em outubro motivou o conflito de 4 de novembro, que teve como pretexto o fato de um garoto de mostrar desrespeito durante um cortejo fúnebre, não desmontando de seu jumento.

Tayyiba estava estável até o presente momento, embora constantemente considera-se que a vila está preste a sofrer com a violência religiosa. Essa situação é comum no Egito, disse o padre Metias Nasr, do Cairo, ao Compass.

“Esta vila é como qualquer lugar no Egito”, ele disse. “Pode-se dizer que, em um minuto qualquer, qualquer lugar pode ser destruído por fanáticos, às vezes, por meio até de encorajamento das forças de segurança.”

A Igreja copta enfrentou recentes dificuldades em outras cidades egípcias, com o governo tentando obstruir suas atividades religiosas.

No dia 19 de novembro, a prefeitura da cidade de Alexandria destruiu um orfanato inacabado em Lumbroso. O local já estava mobiliado e pertencia à igreja de Abu-Seifin. Ele era estimado em 6 milhões de libras egípcias (U$ 1 milhão).

A prefeitura alega que o prédio não tinha licença. Os líderes da igreja disseram que a demolição foi ordenada pelo prefeito muçulmano, Ali Labib.

Ali é ex-chefe de polícia em Alexandria, e em seus dois anos de mandato como prefeito, recusou licenças para a construção de novas igrejas ou para a reforma das já existentes, disse um padre copta que solicitou anonimato.

O padre disse que o orfanato só conseguiu a licença porque foi ela foi emitida antes da posse de Labib.

O islamismo tem presença cada vez maior na esfera pública egípcia. Enquanto o governo tenta acabar com extremistas, a Irmandade Muçulmana, uma organização que apóia a jihad, atrai o apoio da população por oferecer assistência médica e aulas particulares de baixo custo para crianças. O grupo tem sido acusado de violência.

Nas últimas quatro décadas, a Irmandade introduziu sua marca de islamismo fundamentalista nas escolas, mesquitas e na mídia egípcia, de acordo com o autor e intelectual Tarek Heggy.

Os cristãos egípcios, conhecidos como coptas, pertencem à Igreja Ortodoxa e totalizam 12 milhões entre os 79 milhões de habitantes do país. Existem grupos menores de católicos e protestantes.