Pastores e líderes sofrem ameaças constantes de guerrilhas

| 23/03/2009 - 00:00


Em 2006, após ter sido condenado à morte por rebeldes esquerdistas pela realização de cultos cristãos, um pastor de Arauca, região norte da Colômbia, levou a sério as ameaças de morte feitas por guerrilheiros no dia 13 de março.

Rebeldes telefonaram para um pastor da Igreja Ebenézer, em Saravena, às 5h30, dizendo-lhe para encontrá-los em um lugar do rio Arauca às 7 horas. Quando o pastor, que pediu anonimato, chegou ao local, os guerrilheiros o levaram de canoa para o outro lado do rio, em território venezuelano, conduzindo-o a um acampamento da guerrilha a uns quarenta minutos de distância.

Durante as três horas seguintes, os rebeldes alertaram-no de que os pastores da região tinham três opções: cooperar com a causa revolucionária dos guerrilheiros, sair da região ou morrer.

Eles o advertiram de que os pastores não devem pregar para os guerrilheiros, pois a mensagem cristã de paz contradiz seus objetivos militares; e não poderiam apoiar candidatos políticos cristãos sem sua permissão.

“Não queremos que os pastores e os que frequentam suas igrejas participem de política”, disseram ao pastor. “Não queremos os evangélicos na política porque vocês não apoiam nossos ideais. Não temos nada em comum com os evangélicos.”

Os guerrilheiros disseram que o grupo não se opõe aos pastores pregarem dentro das quatro paredes da igreja, mas a congregação não deve falar de política, guerra ou paz. Antes de deixarem o pastor ir embora, disseram-lhe que não terão compaixão dos membros das igrejas se eles continuarem a desobedecer essas diretrizes.

Tais ameaças não são novas para o pastor. Em 2006, fontes disseram que ele e sua família tiveram de abandonar seus pertences e a igreja que pastoreavam no vilarejo de Fortul após os guerrilheiros ameaçarem matá-lo por pregar e dirigir cultos cristãos em casa e no templo.

Os guerrilheiros assumiram o controle da região em 2007, e rapidamente declararam que o culto cristão era ilegal. Até janeiro de 2008, os guerrilheiros tinham fechado sete igrejas e proibido pregar sobre Jesus nas áreas rurais.

De acordo com o Relatório de Liberdade Religiosa Internacional de 2008, a Unidade de direitos humanos do gabinete do procurador-geral da Colômbia está investigando 14 assassinatos de clérigos, ocorridos nos anos anteriores. Acredita-se que eles tenham sido alvo porque criticavam aberta e francamente as organizações terroristas. O programa presidencial para os direitos humanos relatou que quase todos os assassinatos de padres podiam ser atribuídos aos guerrilheiros esquerdistas.

“Os líderes das Igrejas católica e protestante perceberam que os assassinatos de líderes religiosos nas comunidades rurais eram normalmente mal relatados devido ao isolamento e do medo de retaliação”, observa o relatório. “Os líderes religiosos normalmente não buscavam proteção do governo por suas crenças pacifistas e pelo temor de retaliação de grupos terroristas.”

Uma organização de direitos humanos afiliada à igreja Menonita, Justicia, Paz y Acción No-violenta (Justapaz), declarou que os guerrilheiros, ex-paramilitares e novos grupos criminosos cometiam violência contra os líderes das igrejas evangélicas.

Rebeldes esquerdistas, opostos aos ensinamentos de paz cristã, continuam a fazer ameaças de violência contra pastores e líderes cristãos em várias partes da região de Arauca. Em 28 de fevereiro, guerrilheiros levaram o pastor de outra igreja para um acampamento da guerrilha na Venezuela. Aborrecidos com o fato de que os pastores estavam se aproveitando da presença do exército colombiano para desafiar os guerrilheiros, pregando a Cristo publicamente e usando seus púlpitos para pregar a paz, os rebeldes acusaram os cristãos de não ajudarem com os projetos sociais.

“Preguem dentro das igrejas, mas não os deixem morrer. Preocupem-se em salvar aqueles que estão com vocês”, disse um guerrilheiro ao pastor que pediu anonimato. “Teremos de tomar medidas drásticas com os pastores para que eles obedeçam novamente.”

Em Puerto Jordán, município de Arauquita, no dia nove de dezembro de 2008, supostos rebeldes esquerdistas deram oito dias de vida para o pastor Rodolfo Almeida, de 40 anos. Relatos afirmam que um homem jovem veio à sua casa às 20:30h e perguntou por sua esposa. Surpreso pelo fato de um estranho perguntar por sua esposa àquela hora, Rodolfo perguntou por que ele queria vê-la. O homem, então, disse-lhe que tinha oito dias para deixar a cidade ou sua vida estaria correndo risco.

O estranho se recusou a dizer à que organização pertencia. O pastor recebeu ameaças semelhantes de rebeldes em 2007 e, até o fim de 2008, ele e sua esposa decidiram sair da cidade com seus três filhos. O pastor Rodolfo serviu por mais de dois anos como pastor auxiliar na Igreja Ebenézer, em Arauquita.

Dois prefeitos cristãos anônimos em Arauca também receberam ameaças dos guerrilheiros e, em 15 de dezembro, um vereador foi assassinado. Desde que assumiram seus cargos, em janeiro de 2008, os prefeitos de Arauquita e Saravena têm sido atacados várias vezes por rebeldes. Eles têm atraído a ira dos guerrilheiros porque não podem ser comprados como foram seus antecessores e se recusam a participar das atividades ilegais dos rebeldes. 

“Perdemos os privilégios de uma pessoa comum”, disse o prefeito de Arauquita. Agora, somos alvos militares. Deus me trouxe aqui, mas, algumas vezes, desejei não continuar pois ser um cristão em um contexto como esse em que vivemos, tem um preço muito alto.”

No ano passado, acrescentou, os guerrilheiros mataram sete cristãos na região de Arauca. “Alguns deles eram funcionários do governo, outros eram líderes ou simplesmente pessoas reconhecidas por seu testemunho como crentes em Jesus”, disse ele.

O vereador Francisco Delgadillo, um cristão que recebera ameaças dos guerrilheiros, foi assassinado quando voltava para sua casa em 15 de fevereiro.


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