Muçulmanos no Nepal pedem que se estabeleça a sharia no país

A Assembleia muçulmana do Nepal quer que sua comunidade seja reconhecida como uma entidade distinta. Os líderes muçulmanos afirmam para o governo e partidos que não são apenas um grupo de eleitores, e pedem ações específicas em seu favor.

A nova constituição do Nepal deve reconhecer o islã. A Assembleia muçulmana do Nepal, uma federação de comunidades muçulmanas, fez o pedido ao governo em uma lista com seis tópicos entregue a assembleia constituinte e aos partidos locais.

A federação quer que o governo maoísta do país reconheça que os muçulmanos têm uma identidade separada, e que isso garante a criação de uma comissão de assuntos islâmicos, uma escola islâmica (Madrassah), um comitê Hajj (para peregrinações anuais a Meca) e a apresentação de novas leis baseadas na sharia.

O diretor da Assembleia Abdul Sattar disse que os muçulmanos não devem ser tratados como apenas um grupo de eleitores.

Nem o governo, nem os partidos políticos prestaram muita atenção às preocupações muçulmanas; nenhuma atitude foi tomada para “lançar qualquer programa concreto para a comunidade muçulmana”, afirma.

Os muçulmanos, cujo número equivale a 3,5% da população do Nepal, sendo que a principal religião é o hinduísmo, seguido do budismo, constituem a terceira maior religião no país.

O governo os classifica como Madeshi, ou seja, nativos da parte sul do país, junto com os grupos étnicos na região de Tarai.

Em 15 de março, o governo maoísta assinou um acordo com os representantes da comunidade muçulmana garantindo direitos políticos, sociais e culturais como uma maneira de prevenir possíveis tendências separatistas.

Entretanto, o acordo não menciona a inclusão de uma constituição baseada na sharia, como foi pedido pela assembleia muçulmana do Nepal.