Cristãos temem sequestros e homicídios por radicais muçulmanos

| 15/04/2009 - 00:00


Meses depois do sequestro de três membros da Cruz Vermelha por militantes muçulmanos, os cristãos da paróquia de Jolo, no sul das Filipinas, ainda temem as ameaças de homicídios, sequestros e outros atentados violentos, conta um bispo local. Pelo menos três bombas explodiram mês passado em Jolo. A primeira delas matou muitas pessoas. A segunda danificou o telhado da quadra de esportes da escola Marist-run Notre Dame Boys School, enquanto a terceira explodiu bem próximo à base marítima Marines Third Brigade, localizada nas proximidades da residência dos bispos, relata a organização Aid to the Church in Need (ACN).

Em 15 de janeiro de 2009, militantes do grupo Abu Sayya raptaram dois membros europeus e um filipino da Cruz Vermelha, enquanto esses visitavam um projeto de saneamento de água em uma prisão. Os sequestradores ameaçaram degolar um dos cativos até o dia 30 de março, mas a intenção parece não ter sido cumprida.

Os sequestros vem sendo perpetuados como forma de extorsão de dinheiro.

Ao comentar esses casos, Regina Lynch, chefe do Departamento de Projetos da ACN, declarou ser “lamentável” que a mídia raramente mostre os casos de raptos de nativos.

 “Nós da ACN pedimos que pessoas em todo o mundo não se esqueçam dos cristãos perseguidos em Jolo!” , ela clamava.

Em 15 de janeiro de 2008, na região da ilha de Tabawan, em Jolo, o padre filipino Pe. Reynaldo Jesus Roda foi morto a tiros por muçulmanos armados, tornando-se o terceiro padre a ser assassinado nessa região há 11 anos.

O bispo Angelito Lampon, clérigo de Jolo, comentou a situação com a ACN.

Ele afirma que apesar da paz aparente trazida por unidades da marinha estacionadas na região, padres que no passado recusavam a proteção de uma escolta, agora são obrigados a aceitá-la “por força das circunstâncias, uma vez que não existe uma outra escolha”. 

O bispo Lampon ressaltou que nenhum muçulmano sequer tenha sido sequestrado.

As atividades da igreja tiveram de ser interrompidas, porque os cristãos, com medo, precisam retornar para suas casas antes do anoitecer. Isto tem afetado as reuniões pastorais e litúrgicas, os casamentos e funerais, e as atividades diárias.

O perigo fez com que os cristãos da região se voltassem para a sua fé, disse o bispo: “Somos obrigados a levar a nossa fé a sério. Não importa o que vier a acontecer, Deus é por nós. Nossa fé não é mais uma simples visita às missas de domingo, nem está limitada à reuniões de oração, das quais participamos por causa das nossas necessidades. Ao contrário, a nossa fé é um verdadeiro encontro com Deus vivido nos afazeres do dia-a-dia”.

Ele declarou que atividades pacificadoras foram realizadas, incluindo ações conjuntas de cristãos e muçulmanos.

Apesar das “excelentes” relações entre as autoridades locais e a igreja, há uma forte resistência dos “pequenos grupos de fundamentalistas islâmicos”.

De acordo com a ACN, o diálogo entre cristãos e muçulmanos é dificultado uma vez que cada mesquita é independente. Apesar da existência de organizações como a Uluma League for the Philipines, os muçulmanos não possuem representantes legais como a hierarquia católica.

O bispo Lampon salienta a necessidade de uma rápida resolução acerca do conflito, utilizando-se de medidas que vão ao encontro das causas sociais da hostilidade: a estrutura de relacionamentos da região, seus valores culturais e religiosos, e suas atitudes intelectuais.


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