Ex-muçulmanos são perseguidos por familiares

| 24/04/2009 - 00:00


Em Sahafa, localizada a 5 quilômetros sul de Cartum, outra mulher que deixou o islã e se converteu ao cristianismo está em “prisão domiciliar” sob a custódia de parentes.

Senah Abdulfatah Altyab era uma estudante de biomedicina da Universidade Tecnológica do Sudão, mas agora não pode mais manter nenhum contato com o mundo. Sua faculdade teve fim quando um filme sobre a vida de Jesus levou-a a se converter ao cristianismo.

Uma amiga íntima de Senah, Ebtehaj Alsanosi Altejani Mostafh, disse que a família da moça monitora todos os seus passos.

“Ela não pode receber telefonemas”, disse Ebtehaj. “O irmão dela a proibiu de sair da vista da família e de frequentar a igreja” localizada em Amarat, Cartum.

Ebtehaj conta que encontrou Senah perto de um Mercado público no natal passado, durante a celebração de um feriado islâmico, orou com ela e a aconselhou a levar seu caso à comissão que se dedica a guarda dos direitos dos não-muçulmanos, localizada na capital e criada pelo Acordo de Paz Inclusiva de 2005. O acordo prevê a maneira como os tribunais devem aplicar a sharia (lei islâmica) aos não-muçulmanos.

A comissão é formada por muçulmanos, cristãos e representantes de outros grupos religiosos e “pouco fez para mudar a política governamental em relação aos não-muçulmanos em Cartum, apesar de ter liberado e concedido indulto a alguns não-muçulmanos acusados de violarem a sharia”, declarou o relatório de 2008 sobre a liberdade religiosa internacional do Departamento de Estado Norte-Americano.

Senah acredita que a comissão fará pouco por seu caso porque a maior parte de sua família é composta de mulçumanos radicais. Além disso, ela disse que seu tio, Ysuf Alkoda, é um extremista islâmico que vai tornar sua vida ainda mais difícil.

“Minha vida é muito difícil”, conta Senah, “me sinto só e isolada. Quanto tempo durará esse meu sofrimento? A vida longe da faculdade é terrível”.

A Constituição Temporária do Sudão, de 2005, garante liberdade religiosa para todos, mas Senah conta que esse direito é desrespeitado abertamente no país inteiro. A própria constituição dá à sharia o status de fonte legislativa no norte do Sudão, de maneira que a lei islâmica se torna um objeto de culto.

Ebtehaj, de 29 anos e amiga de Senah, disse que assim que se converteu ao cristianismo, em 2005, foi demitida de seu emprego. Hoje, entretanto, está empregada. Membro da igreja Catedral de Todos os Santos, a cristã contou ao Compass que desde sua conversão perdeu todos seus amigos muçulmanos. Durantes as celebrações comunitárias, ela é olhada de cima a baixo e considerada uma mulher perdida e destinada ao inferno.
“Desde que me converti, minha vida tem sido muito difícil”, conta a mulher. “Vivo sozinha em minha casa, alugada da Igreja Presbiteriana, algo muito diferente para uma mulher de origem muçulmana que não é casada. Meus antigos amigos dizem que deve haver alguma coisa errada comigo”.

A família de Ebtehaj vive na Arábia Saudita. A única maneira que ela tem de vê-los é fazendo uma peregrinação islâmica, uma hajj, e essa não é mais uma opção para ela.

“Meu maior desafio é ser aceita por minha família”, ela conta. “A única maneira que tenho de ir para a Arábia Saudita é através de uma peregrinação, mas como cristã, a peregrinação não está em questão”.

Os diversos sofrimentos enfrentados por cristãos no norte do Sudão são pouco relatados pelos meios de comunicação. O presidente da Igreja de Cristo no Sudão, Barnabas Maitias, contou ao Compass que um membro de sua igreja, convertido do islã e identificado apenas como Ahmed, aceitou Jesus em 2007 e logo teve sua esposa e filhos levados de sua casa.

Os muçulmanos extremistas também planejavam matar Ahmed, contou Barnabas.

“A igreja teve que levá-lo para outro lugar, nas montanhas Nuba, em Korakak, onde ele trabalha como motorista”, acrescenta Barnabas. “A maioria das igrejas em Cartum está abrigando os muçulmanos que se convertem ao cristianismo que não têm onde morar nem como suprir suas necessidades diárias”.


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