Cristão iraniano comenta resultado das eleições

O resultado das eleições presidenciais no Irã gerou diversos protestos na capital do país. A oposição afirma que as eleições foram fraudadas e exigem que os votos sejam recontados.

Em 15 de junho, centenas de milhares de pessoas se reuniram em uma das principais avenidas de Teerã em apoio a Mousavi, o principal concorrente de Ahmadinejad. A manifestação, silenciosa e pacífica, terminou com uma série de enfrentamentos na praça de Azadi, no noroeste da cidade, e focos de violência esporádicos em outros pontos da capital.

Contatos da Portas Abertas souberam que, em outras cidades, os eleitores também estão frustrados e perderam a confiança na democracia iraniana.

O cristão Daryush (nome fictício), de Shiraz, relatou: “No meu bairro não há vestígios de protesto, mas também não há quem celebre o resultado das eleições. As ruas estão vazias. Entretanto, a prova de que temos problemas em Shiraz é a presença constante de várias forças de segurança e helicópteros militares sobrevoando a cidade. Mas, como só dirigi pelo meu bairro, não posso falar pela cidade toda”.

Mas amigos de Daryush contam que, em outras partes da cidade, a situação é mais assustadora: “Disseram-me que estão agredindo jovens, tanto homens como mulheres, e prendendo alguns deles. Uma amiga que vive perto dos dormitórios da universidade disse ter ouvido gritos e tiros logo cedo. A maioria dos manifestantes jovens protesta dizendo: ‘Não queremos um governo de força’. Eles também gritam contra as forças de segurança, chamando-os de traidores e ladrões de voto.”

Com base em suas observações, Daryush comenta que a maioria das pessoas com as quais conversou considera as eleições uma fraude e não aceitam os resultados. “Um amigo da família que vive em Shahe Cheragh, um bairro religioso e conservador de Shiraz, disse que, mesmo lá, há muitas pessoas que votaram em Mousavi.”

Daryush continua: “Tem gente que nunca votou, não votou nessa eleição e não vai votar mesmo sob esse regime. Essas pessoas nos consideram ingênuas e dizem: ‘Viu, eu disse que já haviam escolhido o vencedor’. Outros me disseram que nunca mais vão participar em uma eleição de novo, porque ‘é uma fraude completa’, eles dizem.”

Enquanto alguns iranianos nunca aceitaram a atual forma de governo, alguns acham que a República Islâmica do Irã é uma democracia “limitada”. Daryush explica: “Embora os candidatos sejam selecionados e tenham a aprovação do regime, ao menos podemos escolher dentro desses limites. Essa eleição, entretanto, no mostrou que o povo iraniano não tem nem essa democracia ‘limitada’”.

Com Folha Online