Violência contra cristãos aumenta nos últimos meses

Em ataques isolados no início do mês de junho no Egito, um cristão copta foi brutalmente esfaqueado ao sair de uma missa em Minya; e em outro incidente, um carro bomba explodiu às portas de um templo sagrado em Cairo, interrompendo um casamento.

Segundo a Organização dos Coptas Unidos, sem serem provocados, três muçulmanos esfaquearam com muitos golpes o cristão copta Girgis Yousry, soldado alistado de 21 anos de idade, ao sair das portas da Igreja Santa Maria em Minya, Alto Egito, no dia 2 de maio.

Com os órgãos gravemente lesionados, a vítima foi levada ao hospital do distrito, onde ainda se encontra sob tratamento. 

Quando o pai de Yousry foi prestar queixa na delegacia de polícia, o oficial encarregado dos Serviços de Inteligência expulsou-o da unidade. Três suspeitos de envolvimento no crime, Wael Mohammed Hagag, Mohammed Nasr Anwar e Shabaan Sayed Amin foram detidos no dia 5 de maio, e tiveram prisão temporária de 16 dias, enquanto as investigações eram processadas.

Os três foram acusados de homicídio sem premeditação, o que leva a uma pena de 15 anos.

Entretanto, Mamdouh Nakhla, presidente do Centro pelos Direitos Humanos de Al-Kalema, acredita ser pouco provável que eles sejam condenados.

“No decorrer dos meus 15 anos de experiência, em particular no distrito de Minya, todos os casos de ataques e assassinatos de cristãos ou não, foram punidos, e os acusados totalmente exonerados, ou receberam suspensão da pena”, ele contou.

Minya, cidade que abriga a maior comunidade de coptas do Egito – aproximadamente 4 milhões – é considerada a pior região em violência contra os cristãos.

Estou a par das penas severas aplicadas contra os cristãos que são presos inocentemente, relatou Nakhla. “Isto é o que tenho presenciado em Minya”.

Fontes locais relataram ao Compass que nos últimos meses tem havido uma onda de prisões de cristãos, os quais são mantidos reclusos ilegalmente. Soube-se de casos de detentos que ficam por meses encarcerados, onde apanham brutalmente e são torturados.

“A brutalidade policial é algo amplamente praticado”, informou uma fonte, “especialmente em zonas rurais, punições a grupos de pessoas, intimidações sistemáticas e humilhações são práticas já esperadas contra todos os cidadãos, incluindo cristãos.

Nesse mês, o Compass soube de três detenções ilegais de cristãos ocorridas desde novembro de 2008; das quais, duas pessoas nunca foram soltas.

“E quando finalmente soltas, elas dificilmente tornam a erguer-se, por causa dos muitos maus tratos e das eletrocuções”, conta um cristão local.

Líderes da igreja local acreditam que a recente tensão seja uma resposta aos rumores de um aumento do número de convertidos ao cristianismo, difundido por programas de televisão cristãos via-satélite.

Bombas de fabricação caseira

No Cairo, no dia 9 de maio, uma bomba de fabricação caseira colocada embaixo de um carro, explodiu na frente do prédio de uma igreja, no distrito de Zeitoun, incendiando o veículo, porém sem causar danos maiores.

Passantes em pânico chamaram a polícia ao verem o carro em chamas no lado de fora da Igreja de Santa Maria – local considerado sagrado pela comunidade copta egípcia.

Forças de segurança chegaram ao local do evento em poucos minutos, e isolaram a área. Uma segunda bomba foi encontrada próxima a um carro. Incapazes de desarmá-la, os agentes foram forçados a detoná-la, porém sob controle, relataram fontes ao Compass.

Conforme o Jornal Watani, a explosão interrompeu um casamento e um estudo bíblico que aconteciam na igreja, considerada um patrimônio histórico. Como medida de precaução, os participantes foram retirados do local através de uma porta lateral do templo. O padre da igreja, Boutros Gayed, não estava presente no momento do ataque.

As bombas eram rudimentares. Telefones celulares foram usados como detonadores e colocados juntos com o material explosivo dentro de um saco contendo fragmentos de metal.

A polícia precisa coletar informações sobre possíveis causas e suspeitos do crime. No entanto, o jornal Al-Masry Al-Youm informou que forças de segurança estão investigando possíveis ligações do incidente com células do Hezbollah, o qual usa dispositivos explosivos semelhantes.

Um pronunciante do Hezbollah negou envolvimento no atentado, afirmando que sua célula fora designada para dar suporte aos palestinos na faixa de Gaza, e que nunca sequer planejaram operar no Egito.