Seminaristas indonésios resistem a ameaças de expulsão

| 04/12/2009 - 00:00


Cerca de mil seminaristas resistem à tentativa de expulsão do antigo prédio municipal de Jacarta Ocidental, onde eles se refugiaram após protestos de muçulmanos que os tirou de seu campus no ano passado.

No dia 27 de outubro, autoridades expulsaram cerca de 300 alunos do Seminário Teológico Evangélico Arastamar (SETIA, sigla em inglês), dos blocos I e II do antigo prédio do governo. Porém, alunos dos blocos III, IV e V resolveram ficar nos prédios.

Alguns dos alunos fizeram greve de fome e disseram que o local oferecido pelo governo não tem condições de ser ocupado, pois é sujo e não tem janelas e portas. O prédio está vazio desde 1999 e acomoda apenas 200 a 300 alunos.
 
Os seminaristas disseram ao Compass que grupos não identificados os têm ameaçado, ordenando que eles deixem o complexo municipal imediatamente.

“Eles nos ameaçam e dizem que se não deixarmos o local, nossa segurança não pode ser garantida”, comentou Yulius Thomas Bilo.

O Rev. Matheus Mangentang, reitor do SETIA confirmou as ameaças e disse que sabia que o grupo aparecia diariamente para intimidar e ameaçar os alunos.

“Vamos mudar o mais rápido possível. Em 31 de dezembro, no mais tardar”, disse Mangentang. “Se não mudarmos, o local não será mais seguro”.

Ele acrescentou, entretanto, que não mudariam caso não houvesse um novo local acertado.

O destino final dos estudantes ainda é incerto. O governo provincial de Jacarta sugeriu que eles se mudassem para Cikarang, Java Ocidental, que fica a cerca de 90 km de Jacarta. Ao mesmo tempo, a fundação SETIA pediu ao governo que encontrasse um novo lugar para o campus da universidade em Jacarta para evitar o difícil processo de se obter permissões na nova jurisdição provincial de Java Ocidental.

A equipe e os estudantes da SETIA se encontraram no dia 16 de novembro com alguns membros do Parlamento no escritório oficial do prefeito. Liderados pelo vice-presidente do Comitê Educacional, eles prometeram pedir ao governador de Jacarta, Fauzi Bowo, que o campus voltasse para Kampung Pulo com a segurança necessária.

Mangentang disse que ainda estava aguardando os membros do Parlamento cumprirem o que haviam prometido.

A visita dos parlamentaristas trouxe fim a uma greve de fome iniciada por cinco estudantes que decidiram fazer isso após visitarem a sede da prefeitura no dia 9 de novembro. Eles foram identificados apenas como Yanisar, Leonardo, Mutari, Demas e Epy. O ato seguiu um protesto feito pelo concílio de estudantes que durou entre 27 de outubro e 3 de novembro.

Dois veículos equipados com um maquinário pesado derrubaram parte do prédio principal onde 1.000 estudantes estão morando. Alguns dos estudantes que ficam ali foram despejados do acampamento de Bumi Perkemahan Cibubur (BUPERTA).
O porta-voz da SETIA, Yusup Agustinus Lifire, disse ao Compass que o seminário está esperando por uma declaração do escritório do governador sobre a volta da instituição para o campus de Kampung Pulo. Ele nos contou:

“Nós enviamos uma carta oficial para o governador, para o líder da polícia da Grande Jacarta e para o líder militar de Grande Jacarta no dia 28 de outubro, mas até agora não houve nenhuma resposta. Nós gostaríamos de deixar esse prédio se conseguirmos encontrar um novo lugar. Não foi confirmado que os estudantes atacaram os policiais jogando pedras sobre eles nos dias 27 e 28 de outubro, quando eles começaram a demolir um dos prédios. Na verdade, alguns provocadores de fora começaram a jogar pedras nos policiais, que revidaram sobre os estudantes, que por sua vez, revidaram também”.

Lifire disse também que o escritório do governador de Jacarta também deveria assumir a responsabilidade pela crise. A SETIA requisitou ao governador que garantisse a segurança no retorno ao campus original ou que prepare e dê um novo lugar.

Uma estudante do Centro de Educação Cristã disse que há um cartaz no campus original em Bahasa dizendo: “Se vocês ousarem retornar, nós expulsaremos vocês”.


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