Leis anticonversão discriminam cristãos na Índia

| 26/01/2004 - 00:00


Leis anticonversão implementadas em cinco Estados da Índia são claramente discriminatórias contra os cristãos, de acordo com líderes de organizações missionárias. Entretanto, as leis não são implementadas uniformemente, e muitas igrejas e evangelistas locais encontraram formas de contornar as normas novas.

De acordo com o Sr. Williams, relações públicas de um importante colégio teológico da Índia, a lei anticonversão aprovada no Estado de Tâmil Nadu em outubro de 2002 foi claramente tendenciosa contra os cristãos. Antes da introdução daquela legislação, o crescente número de conversões ao cristianismo alarmou o governo do Estado.

Entretanto, Williams acrescentou que a lei foi resultado direto da provocação dos missionários Adventistas do Sétimo Dia, que realizaram um falso batismo e deram publicidade ao evento para levantar fundos de seus patrocinadores americanos.

A julgar pelo número de processos protocolados contra os cristãos em 2003, é clara a existência de uma tendência anticristã. Entre os incidentes estão acusações contra palestrantes universitários que deram Bíblias a seus alunos ou falaram sobre Jesus no campus, disse Williams.

O Estado de Gujarat aprovou a mais recente lei anticonversão no dia 26 de março de 2003. Ostensivamente planejada para impedir quaisquer conversões de uma para outra fé, o principal alvo da lei até agora tem sido a atividade missionária cristã - particularmente no distrito dos dangs, onde grupos militantes hindus têm feito há muitos anos campanha para restringir a atividade missionária.

Em três dos cinco Estados com leis anticonversão, as organizações missionárias foram deixadas relativamente em paz, informam as fontes. Isso ocorre em Madhya Pradesh, Arunachal Pradesh e algumas partes de Orissa. As restrições são mais intensas em Tâmil Nadu e Gujarat.

As igrejas e as organizações missionárias encontraram suas próprias formas de sobreviverem sob essas restrições. O Rev. Wesley Jacob, pregador e ex-missionário no norte da Índia disse que há pelo menos cinco formas de reação dos missionários:

1. Há centros de bravata, onde os missionários incentivam potenciais convertidos a desafiarem abertamente a lei. Se você está do lado de Cristo, o mundo está contra você, é o assunto principal desse ensino. Desobedecer a lei é então sinônimo de seguir a Cristo.

2. Levar convertidos às casas de líderes cristãos e batizá-los secretamente em tanques de água que normalmente abastecem a casa.

3. Pedir que alguns convertidos permaneçam como cristãos em segredo. Isto, entretanto, cria enormes problemas quando amigos e familiares os convidam para participarem de cerimônias nos templos.

4. Alguns convertidos são levados de suas famílias e acomodados em propriedades das missões. Mas isso divide famílias e pode levar a grande sofrimento, especialmente quanto o convertido é o principal arrimo da família.

5. Os convertidos são levados além das fronteiras de Estados vizinhos que não estão submetidos a leis anticonversão.

Evangelistas de várias organizações missionárias disseram a Portas Abertas que essa é a estratégia mais comum entre eles. Entretanto, ativistas hindus têm citado esta prática para alimentar o argumento para a adoção de leis anticonversão a nível nacional.

O batismo é uma questão chave para muitos hindus que se opõem ao cristianismo. Não existe objeção em seguir a Cristo, disse o Sr. Cherian Thomas, um importante líder da União Evangélica e da Associação Evangélica de Pós-graduados. É o batismo que os hindus consideram particularmente ofensivo, já que para eles isso significa um rompimento com a comunidade. Estamos considerando agora um método alternativo que poderá não alienar as famílias. Além disso, trabalhamos através do evangelismo amigável e nossos métodos são não-intrusivos.

Enquanto isso, uma das importantes organizações missionárias da Índia aconselhou seus missionários a seguirem o caminho legal. O processo leva muito tempo, admite Timothy Austin, editor da revista Missão Evangélica Indiana.

O potencial convertido tem de ir ao Coletor (oficial do governo) e assinar um compromisso declarando que está se convertendo por sua livre e espontânea vontade, disse Austin. O coletor irá então pessoalmente testemunhar o batismo e mandará um representante para ver se estamos forçando-o a se converter ou ele está fazendo por sua livre vontade. Conseguir permissão leva tempo. A polícia é mandada para verificar os diferentes aspectos de cada caso. Entretanto, normalmente a permissão é concedida.

Leia mais Breve história de leis anticonversão na Índia


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