Liberdade religiosa no pós-conflito

| 15/02/2010 - 00:00


O Sri Lanka tem enfrentado muitos conflitos nas últimas décadas. Com o fim da longa guerra entre o governo e o grupo Tigres Tâmeis em maio de 2009, o país entrou em um novo tempo, com novos desafios: o mais urgente é a realocação dos cidadãos desalojados (IDPs), processo que já está em andamento, e a estabilização política. Apesar de o conflito ser étnico e político por natureza, sua conclusão tem repercussões que irão moldar a sociedade cingalesa.

O maior causador do antagonismo religioso, manifestado através da violência, discriminação e má informação contra os cristãos, é a ideologia do nacionalismo dos budistas cingaleses, que coloca os princípios da identidade do Sri Lanka no centro da etnia e cultura budista Theravada. É possível observar um novo despertar do nacionalismo budista nos discursos públicos, o que pode causar danos aos grupos étnicos e religiosos que não seguem a cultura budista. Isso, não somente para os Tâmeis, mas para muçulmanos e cristãos.

A oposição aos cristãos é focada em acusações de conversões de budistas por meios ilegais e antiéticos. Violência, ameaças e discriminação são estratégias comuns para restringir as atividades cristãs. Após uma trégua nos violentos ataques de 2008 e 2009, houve um pequeno aumento no número de crimes. É algo que deve ser observado com cuidado. Formas localizadas e institucionais de discriminação contra os cristãos estão sendo propagadas, e informações e propagandas equivocadas têm sido usadas por nacionalistas budistas para incitar o ódio religioso e a violência contra os cristãos.

Em 2004, o Jathika Hela Urumaya (JHU) apresentou um projeto de lei chamado “Projeto para a proibição de conversões forçadas”, que terá sua última leitura antes das eleições parlamentares, marcadas para o início de 2010. O projeto é apoiado pelo congresso budista, que publicou um relatório afirmando que grupos cristãos estão envolvidos em conversões antiéticas e em atos de terrorismo.

O que mais causa preocupação nesse projeto é que sua existência teria um efeito destrutivo, pois é totalmente desnecessário, e propõe penas desproporcionais.

Diversos grupos cristãos reconheceram a necessidade de conversar com os budistas e hindus sobre os métodos de proselitismo utilizado por alguns cristãos. Eles rejeitaram a “legislação anticonversão” em sua forma atual, pois prejudica a liberdade religiosa. Os grupos cristãos também sugeriram outra maneira de discutir o assunto, através de diálogo e cooperação. Além disso, o Conselho Nacional de Igrejas (NCC) desenvolveu um “Código para ética missionária”, e a Aliança Cristã Evangélica Nacional do Sri Lanka (NCEASL) produziu um documento chamado “Boas práticas no ministério”.


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