Evangélicos eritreus enfrentam ‘espionagem’ de vizinhos e mais prisões

| 02/02/2004 - 00:00


Os protestantes proscritos da Eritréia confirmaram a Portas Abertas esta semana que seus vizinhos estão sendo agora contratados para informarem às sucursais da polícia de segurança quaisquer reuniões de crentes evangélicos em suas comunidades locais.

Os civis que cooperam como espiões da polícia recebem benefícios especiais que incluem isenção do serviço militar, distribuição de açúcar e farinha e outros luxos.

Apesar de 12 igrejas independentes pentecostais e carismáticas da Eritréia terem sido fechadas por ordem do governo em maio de 2002, seus 20.000 membros ou mais continuam se reunindo secretamente em pequenos grupos de sete a 10 pessoas em casas particulares.

Durante os últimos 21 meses, centenas de leigos, homens e mulheres, estudantes, soldados e líderes eclesiásticos foram presos durante semanas de uma vez por realizarem seus cultos clandestinamente, pela posse de Bíblias ou por testemunharem a respeito de sua fé. Atualmente, sabe-se que pelo menos 286 evangélicos eritreus estão presos em nove locais diferentes; dois deles em regiões militares isoladas e fechadas para civis.

No momento 67 soldados, a maior parte deles encarcerados há quase dois anos por freqüentarem um culto evangélico, permanecem sob custódia na Prisão Militar de Assab. De acordo com a informação mais recente, o tratamento dado a eles está ligeiramente melhor, apesar de serem submetidos a projetos de trabalhos forçados em um porto próximo e na construção do local de um hospital.

Mas em abril último, um pastor estava entre os vários cristãos detidos e encarcerados com os soldados por tentar levar-lhes comida e roupa. As autoridades da prisão desde então tentaram sem sucesso forçar o pastor a persuadir os soldados a se retratarem de suas convicções evangélicas. Eles todos são adultos, com idade suficiente para tomar suas próprias decisões, soube-se que ele disse aos carcereiros.

Foram proibidas quaisquer visitas ao pastor nos últimos meses, levantando o temor de que ele possa estar agora confinado numa solitária subterrânea. Ele está ficando fisicamente fraco, informou o relato mais recente, mas espiritualmente ele permanece forte.

Em Asmara, 12 estudantes evangélicos da Escola Secundária Barka foram detidos em meados de novembro na Delegacia de Polícia n.º 1 por instigação do diretor, que os acusou de testemunharem e realizarem outras atividades cristãs nas dependências da escola. Após duas semanas de detenção na delegacia de polícia, eles foram liberados aos seus pais, de quem foi exigida a promessa de controlá-los para evitar tal comportamento ilegal.

No dia 14 de dezembro, foi preso um total de 13 cristãos na cidade de Adi-Kihe, cerca de 110 quilômetros ao sul de Asmara. O pastor de uma igreja local foi levado pela polícia quando andava sozinho pela rua.

Num outro incidente no mesmo dia, o pastor e 10 membros da Igreja Fé em Cristo foram detidos com um evangelista auxiliar da Igreja Evangélica Luterana. Os 12 estavam presentes a um culto no templo dos evangélicos luteranos, que têm reconhecimento oficial do governo.

Dois dias depois, após a intervenção dos dirigentes evangélicos luteranos, os evangélicos detidos foram liberados. Os outros 12 protestantes das igrejas que não têm registro permanecem encarcerados.

Apesar dos pastores protestantes continuarem indagando regularmente o Departamento de Assuntos Religiosos, não há relato de progresso sobre o registro oficial de suas igrejas. A única resposta que tivemos é que nossas solicitações estão com o presidente, disse um pastor.

Foi dito a um líder evangélico que a potencial ameaça de guerra com a Etiópia por causa da disputa de fronteira de Badme é muito mais séria, uma preocupação mais importante que o registro de um punhado de igrejas. Isto mostrou, disse ele, que as autoridades não estavam com pressa de responder-lhes, se é que o fariam. Em notícia de 6 de janeiro intitulada Um País Secular Com Total Liberdade de Crença, a Embaixada eritréia em Washington, D.C., negou peremptoriamente o que ela chamou de acusações infundadas no relatório do Departamento de Estado americano publicado no mês passado sobre a deteriorada liberdade religiosa na Eritréia.

Apesar da Constituição da Eritréia, de 1997, garantir a prática de qualquer religião, suas determinações não foram implementadas, observou o relatório americano. O governo restringiu este direito no caso de inúmeras pequenas igrejas protestantes e das Testemunhas de Jeová. Onze membros Testemunhas de Jeová permanecem presos sem acusações, alguns há mais de oito anos.

Das quatro religiões oficiais reconhecidas pelo governo, somente a Igreja Católica tem defendido publicamente o direito à liberdade de consciência, consignou o relatório do Departamento de Estado americano.

Perto do fim de 2003, o bispo católico local, ao que se sabe, recusou-se a cumprir uma nova ordem do governo aos líderes das igrejas autorizadas, a Ortodoxa eritréia, Católica Romana e Evangélica Luterana, bem como os muftis muçulmanos, a apresentarem relatórios regulares bimensais sobre suas atividades ao Departamento de Assuntos Religiosos.

De acordo com fontes locais, a resposta por escrito do bispo católico declarava que sua igreja prestava contas somente ao Vaticano; ele apelava por separação entre igreja e Estado e por liberdade de religião na Eritréia. Em seguida as autoridades do governo advertiram o bispo: Seja padre, não um político.

Por entre as comunidades protestantes, agora clandestinas, alguns indivíduos estão dominados pelo medo, confirmou um recente visitante. Contudo, ele disse: Está acontecendo o evangelismo de pessoa para pessoa, e novos convertidos estão sendo acrescentados.


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