Ministro paquistanês cristão é morto e Taliban assume ataque

As polêmicas sobre a lei de blasfêmia no Paquistão fizeram mais uma vítima assassinada em plena luz do dia. Segundo autoridades locais, o único ministro cristão no gabinete do governo paquistanês encarregado das minorias, Shahbaz Bhatti, foi assassinado a tiros nesta quarta-feira em Islamabad.

Bhatti era cristão e vinha defendendo mudanças na controversa legislação sobre blasfêmia no país, cuja grande maioria da população é muçulmana. Segundo a polícia, ele foi alvejado perto do mercado de Islamabad, quando estava em seu carro.

Os ataques tiveram a responsabilidade assumida por membros do Taliban paquistanês, alegando que o ministro era um blasfemo.

"Os relatos iniciais são de que ele foi morto por três homens, provavelmente com um fuzil Kalashnikov, mas ainda estamos tentando estabelecer o que aconteceu exatamente", disse o chefe de polícia da cidade, Wajid Durrani.

Lei de blasfêmia

A lei antiblasfêmia determina que qualquer pessoa que fale mal do Islã e do profeta Maomé comete um crime e pode ser condenada morte, mas ativistas dizem que sua vaga terminologia tem resultado em muitos erros.

Em janeiro, o ministro recebeu ameaças de militantes islâmicos por tentar reformar as lei de blasfêmia no país. "Me disseram que se eu continuar a campanha contra a lei da blasfêmia,eu serei assassinado, eu serei decapitado, mas as forças da violência,as forças do extremismo não conseguem me atingir, não conseguem meameaçar", ele disse.

Há quase dois meses, o governador da província de Punjab, Salman Taseer também foi assassinado. Contra a lei de blasfêmia e seu mal uso nas mãos de extremistas, ele foi um dos advogados mais veementes para Asia Noreen, ou Asia Bibi, a cristã condenada a morte por um tribunal em novembro do ano passado.

Os cristãos perfazem cerca de 2% da população do Paquistão.