Enfoque no Turcomenistão

| 12/05/2004 - 00:00


O Turcomenistão, localizado na Ásia Central, ocupa o sexto lugar na classificação de países por perseguição. Essa posição foi adquirida por causa da difícil situação religiosa no país. A perseguição vem, em sua maioria, por parte do governo, que pressiona as denominações cristãs através de leis rígidas sobre cultos e locais de cultos.

Conheça um pouco mais sobre a situação religiosa no Turcomenistão acompanhando alguns fatos recentes envolvendo igrejas cristãs desse país.

Balkanabad: Batida policial em igreja batista

Oito oficiais deram uma batida durante um culto no dia 16 de março, domingo de manhã numa igreja batista não registrada da cidade de Balkanabad, no oeste do Turcomenistão.

Eles nos acusaram de realizar reunião não autorizada e de violar a lei sobre cultos religiosos. Eles nos proibiram de nos reunirmos até que tivéssemos registrado a nossa igreja junto às autoridades legais, e nos advertiram que, caso contrário, um oficial de polícia estaria presente em cada um dos nossos cultos, contou um membro da igreja batista.

A congregação batista pertence ao Conselho Internacional de Batistas/Cristãos Evangélicos, que recusa fazer o registro por princípios internos. Mesmo que sua congregação quisesse se registrar no Turcomenistão, isso teria sido impossível. A lei da religião, fortemente restritiva, exige que cada comunidade religiosa individual que procura o registro, tenha quinhentos membros adultos vivendo num distrito de uma cidade ou num distrito rural. Além disso, existe uma não publicada proibição sobre o registro de congregações de quaisquer crenças, com exceção da sunita muçulmana ou ortodoxa russa.

Depois desse episódio, a igreja de Ballkanabad está enfrentando uma nova pressão. As crianças têm sido interrogadas na escola sobre a vida interna da igreja e sua educação cristã em suas famílias. Elas foram proibidas de freqüentar cultos e as mais velhas ameaçadas de prisão. Um culto da igreja num apartamento particular sofreu novamente uma batida no dia 1 de abril. A igreja informa que o interrogatório das crianças foi feito por oficiais de polícia, que queriam saber quantos exemplares da Bíblia e outras literaturas religiosas suas famílias tinham em casa.

Balkanabad: Interrupção de culto dominical batista

Oficiais de polícia que interromperam um outro culto batista domingo pela manhã, levaram à força todos os presentes para a delegacia de polícia, onde ameaçaram e insultaram os batistas. Entre dez e doze pessoas de uniforme e em trajes civis literalmente invadiram o salão e ordenaram-nos que saíssemos do prédio, informaram os batistas. O culto ainda estava se realizando, mas os oficiais ordenaram que ele fosse interrompido. Os batistas alegaram que os policiais começaram a aplicar força física, mesmo contra crianças para tirar todos do prédio, não dando atenção aos choros e gritos das crianças.

Todos os presentes ao culto foram levados à delegacia de polícia, onde tiveram de informar os nomes, trabalho, endereço de residência e nacionalidade. Eles foram então fotografados sem qualquer opção de recusa. Uma irmã com quatro filhos recusou-se a ser fotografada, mas foi-lhe dito que ela não teria permissão para voltar para casa a não ser que consentisse. Eles ameaçaram sua filha de dez anos, que nascera na Rússia, de ser deportada para aquele país sozinha.

Turkmenbashi: Interrupção de culto dominical batista

Irritados com a presença de muitas crianças, a polícia e outras autoridades interromperam o culto matinal de domingo de uma igreja batista no dia 02 de maio, realizado num apartamento particular na cidade portuária de Turkmenbashi, no mar Cáspio. Eles ameaçaram confiscar o apartamento e tirar dos pais das crianças o pátrio poder. Cinco oficiais checaram os documentos de identidade do anfitrião e depois começaram a vasculhar o apartamento. Ordenaram ao proprietário do apartamento que mandasse seus convidados embora, não sem antes indagar quem era o líder da igreja e anotar os detalhes pessoais de todos os presentes, inclusive de crianças.

Confisco de bíblias não-ortodoxas

Como parte de uma nova repressão contra igrejas protestantes no Turcomenistão, cinco membros de uma igreja protestante não-denominacional da cidade de Abadã, próxima à capital, Achkhabad, foram advertidos a não se reunirem mais. Durante a batida, cerca de quinze livros cristãos, incluindo Bíblias, foram confiscados. Um oficial do governo é citado como tendo dito aos protestantes: Estamos proibindo vocês de se reunirem, e estamos fazendo isto com base legal. O oficial citou o Artigo 205 do código administrativo, que pune a atividade religiosa feita por grupos não registrados, como o fundamento das nossas ações.

O oficial acrescentou então: Ao tirar a literatura religiosa dos que se consideram cristãos, nós confiamos nas instruções escritas do padre Andrei Sapunov, representante da Igreja Ortodoxa Russa para assuntos religiosos sob o presidente do Turcomenistão. Aqui está seu testemunho sobre as Bíblias que confiscamos de vocês. Ele então mostrou-lhes um documento assinado pelo padre Andrei, no qual havia esta frase: Se não houver uma cruz ortodoxa na Bíblia, trata-se de uma Bíblia falsa.

Desde maio, tem-se intensificado a pressão sobre as minorias religiosas com uma série de batidas em seis locais diferentes a várias comunidades, incluindo as igrejas batistas e pentecostais.. Em todos esses casos, a polícia invadiu apartamentos particulares onde representantes de minorias religiosas se reuniam, e os levou para a delegacia de polícia. O fato dessas ações policiais terem acontecido em várias partes do país de uma só vez e ao mesmo tempo leva a pensar que elas foram planejadas com antecedência em Achkhabad.


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