Qual é o Dia Internacional dos Povos Indígenas?

Cristão enfrenta perseguição na própria tribo, mas é assistido pelas autoridades do México

Amanhã é o Dia Internacional dos Povos Indígenas, estabelecido pela Organização Mundial das Nações Unidas (ONU) como reconhecimento de que os povos necessitam de acesso aos direitos básicos. Segundo a entidade, um terço da população mais pobre do mundo é composta por indígenas, que enfrentam doenças, discriminação, ameaças territoriais e baixa expectativa de vida.

Cirilo Peñafort pertence à tribo Mixtec e sabe quais são as dificuldades de ser indígena no México. Porém, os problemas dele aumentaram quando se tornou cristão, há três anos. O próprio irmão e agente municipal, Antônio, exigiu que ele deixasse a comunidade de 60 habitantes no estado de Guerrero.

O cristão indígena foi culpado pela morte dos netos em um acidente de carro. Os habitantes de Monte los Pinos, local onde as crianças foram enterradas, espalharam a informação de que o incidente tinha acontecido porque o seguidor de Jesus se tornou protestante.

Após os rumores, as autoridades locais convidaram Cirilo para ser organizador da festa em homenagem à virgem Carmen. Mas o pedido foi recusado, já que a celebração ia contra as crenças do cristão e envolvia um investimento de até 6.500 dólares. "Nesse tipo de festa, um animal é morto. Há muita cerveja e refrigerantes, e é preciso pagar por um grupo musical. Sou um camponês pobre e não tenho dinheiro para arcar com isso”, disse o cristão a um jornal local.

Boas notícias ao cristão

Cirilo pediu ajuda para os governantes do estado onde mora e, para a surpresa de todos, foi atendido. "Nunca antes por aqui, as autoridades haviam prestado tanta atenção a um problema religioso", testemunha o pastor Sergio Ziga. Em maio, cerca de 60 pessoas - incluindo autoridades estaduais, municipais e comunitárias - participaram da primeira rodada de diálogos para conciliação. O evento foi promovido pela delegação de Direitos Humanos da cidade de Ometepec.

Após as conversações, os líderes locais suspenderam o convite para Cirilo financiar a festa católica, o cristão recebeu autorização para permanecer no povoado e todos assinaram um documento prometendo respeitar o direito de liberdade religiosa uns dos outros.

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