Bem vindo
Acesse sua conta ou registre-se gratuitamente.

“Se você se tornar cristão, eu o matarei”

Pai ameaça filho por começar a estudar a Bíblia no Chifre da África
Portas Abertas • 01 fev 2026
Aweis foi criado para ser um líder religioso muçulmano, mas frustrou os planos da família

Aweis é o personagem principal da Revista Portas Abertas de fevereiro. Ele cresceu nos arredores de Mogadíscio, na Somália, região do Chifre da África, e fazia parte de uma família tradicional de pastores muçulmanos. Seu pai era um líder religioso e todos esperavam que ele continuasse seu legado no islamismo. Contudo, sua curiosidade o levava a questionamentos que o islã não conseguia sanar. “Quando eu tinha 15 anos, meu pai percebeu que eu não era o sucessor certo, pois fazia muitas perguntas delicadas. Nunca fui feliz com o islamismo – quanto mais estudava, mais perguntas tinha”, recorda.

A descoberta do cristianismo ocorreu por acaso. Ao buscar estações de rádio para aperfeiçoar seu inglês, Aweis deparou-se com uma mensagem cristã pregada em sua língua nativa e ficou espantado, pois achava que todo somali era muçulmano.

O interesse foi imediato: “Aquilo foi muito atraente para mim, e continuei ouvindo. Perdi o noticiário naquela noite, mas não me arrependi”. A partir desse momento, ele estabeleceu contato com o ministério de rádio e passou a receber literatura bíblica via correio – um recurso que a atual vigilância rígida e a instabilidade na Somália tornaram inviável.

O preço da conversão

Aweis contou ao pai sobre seus estudos bíblicos e recebeu um ultimato sombrio: “Não posso impedi-lo de ler a Bíblia, mas, se você se tornar cristão, eu o matarei”. Mesmo sob risco de morte, três anos depois, o cristão optou por seguir a Cristo, tornando-se um traidor entre os familiares e a comunidade.

O isolamento foi profundo e sistemático: “Minha família se recusava a se comunicar, comer e passar tempo comigo ou a me incluir nas dinâmicas e discussões familiares. Eu era um pária, alguém que havia manchado o nome da família. Havia ameaças contra a minha vida; foi muito doloroso. A inimizade e as ameaças que enfrentei foram muito maiores do que eu esperava”, revela.

Além do abandono emocional, Aweis foi excluído da estrutura de clãs, o pilar de sobrevivência na sociedade somali. “Na cultura somali, você não é nada se estiver sozinho. Se você não estiver conectado ao seu clã, você é fraco. Temos um provérbio somali que diz: ‘Assim como seus sapatos o protegem, seu clã o protege’. Se seu clã for removido da equação, você não tem valor, não consegue sobreviver e nem prosperar”, explica.

Apesar da pressão extrema, a hostilidade apenas fortaleceu sua convicção. “Quanto mais eu era ameaçado, mais perto de Jesus eu ficava”, afirma Aweis.  Ele persistiu em uma jornada de fé solitária por sete anos antes de encontrar outros cristãos.

Apoie cristãos no Chifre da África

Cristãos no Chifre da África perdem família, comunidade e até a vida por seguirem a Jesus. Faça uma doação agora e ajude-os a resistir à perseguição por meio de discipulado e cuidados pós-trauma.  

Rodapé de página da internet com foto de um cristão olhando para o horizonte. Na imagem está escrito? Disicpulado e cuidado pós-trauma para cristãos no Chifre da África