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Somália

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Somália
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, opressão do clã, corrupção e crime organizado, paranoia ditatorial
  • Capital: Mogadíscio
  • Região: Sul e Leste da África
  • Líder: Mohamed Abdullahi Mohamed
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Somali, árabe, italiano, inglês
  • Pontuação: 91


POPULAÇÃO
16,5 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
CENTENAS

Como é a perseguição aos cristãos na Somália? 

Por mais de 25 anos, a Somália tem sido um refúgio seguro para os radicais islâmicos que visam eliminar os cristãos. Boa parte do território somali é controlado por grupos como o Al-Shabaab e eles veem os cristãos ex-muçulmanos como traidores. Logo, esses cristãos tornam-se alvos constantes de ataques violentos.  

Além disso, eles enfrentam a hostilidade dos familiares e das comunidades. Apenas a suspeita de conversão ao cristianismo pode resultar em assédio, ameaças e morte. Apesar da pandemia de COVID-19, os extremistas não deixaram de atacar os seguidores de Jesus e a vida na Somália continua insegura.   

Jesus me mudou. Percebi que eu não o escolhi, mas ele me escolheu. Eu não saí procurando por ele, mas ele me encontrou. Antes eu não tinha felicidade, mas agora tenho alegria. 

Nala (pseudônimo), cristã somali 

O que mudou este ano? 

Apesar da diminuição nos ataques violentos contra cristãos, a perseguição continua extrema na Somália. Nenhum lugar é seguro para um cristão somali, e a pressão é intensa em todas as esferas da vida. 

Quem persegue os cristãos na Somália? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Somália são: opressão islâmica, opressão do clã, corrupção e crime organizado, paranoia ditatorial. 

Já as fontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Somália são: grupos religiosos violentos, líderes religiosos não cristãos, cidadãos e quadrilhas, parentes, redes criminosas, oficiais do governo, líderes de grupos étnicos.

Quem é mais vulnerável à perseguição na Somália? 

Embora nenhuma parte da Somália seja segura, as áreas sob controle da Al-Shabaab são as mais perigosas para os cristãos. Todos os cristãos ex-muçulmanos enfrentam perigos na família, na comunidade e na sociedade em geral. 

Como as mulheres são perseguidas na Somália? 

As jovens convertidas são as mais vulneráveis na Somália. É comum que passem por violência sexual e sejam humilhadas em público. Também correm risco de cárcere privado pela família, sequestro, casamento forçado com um muçulmano radical ou até morte. 

Se ela já for casada, o marido não cristão se divorciará dela e proibirá que tenha contato com os filhos. Aquelas que tiveram os maridos cristãos presos ou mortos são forçadas a se casar com homens muçulmanos, têm as propriedades da família confiscadas e ainda são deixadas a serviço da família do novo marido. Muitas viúvas são exploradas por parentes do sexo masculino e as filhas delas são casadas à força. 

Como os homens são perseguidos na Somália? 

Homens e meninos suspeitos de conversão ao cristianismo enfrentam violações extremas dos direitos fundamentais. Eles correm o risco de serem abusados verbalmente, agredidos fisicamente, presos, perderem os negócios, além de serem ameaçados, torturados, sequestrados ou mortos de maneira cruel. Eles também terão o direito a herança negado, e os meninos não serão aceitos na escola.  

Alguns meninos cristãos são sequestrados e doutrinados pelo Al-Shabaab para operar armas e participar dos ataques violentos. A família também pode mandá-los à força para centros de reabilitação islâmicos, onde se tornarão militantes do grupo terrorista. Caso a fé em Jesus seja descoberta nesses locais, eles enfrentarão mais pressão e violência. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Somália? 

A Portas Abertas fortalece a igreja em todo o Chifre da África por meio de parceiros. O trabalho consiste principalmente em encontrar os poucos bolsões de cristãos severamente perseguidos e apoiá-los da maneira que for possível. A Portas Abertas também levanta oração e advocacy para os cristãos na Somália.

Como posso ajudar os cristãos perseguidos na Somália? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, você apoia cristãos ex-muçulmanos com materiais para discipulado e os prepara para ficarem firmes em Jesus. 

Pedidos de oração da Somália 

  • Continue a orar pela paz e pelo sucesso no estabelecimento da democracia na Somália. Peça que os governantes tenham sabedoria para combater a ação de grupos extremistas como o Al-Shabaab. 
  • Quase 100% dos somalis são muçulmanos. Interceda para que o Senhor continue a edificar o povo dele no território e mais pessoas sejam impactadas pelo testemunho dos cristãos. 
  • Clame para que os parceiros da Portas Abertas tenham sabedoria e amor no trabalho de promover o crescimento dos cristãos somalis. Que haja muitos frutos que glorifiquem o nome de Deus.  

Um clamor pela Somália 

Senhor, oramos por nossos irmãos e irmãs na Somália. Que eles sintam o seu Espírito Santo operando neles e por meio deles e sejam capazes de perseverar como sua igreja. Pedimos que os cristãos secretos não se sintam sozinhos e saibam que pertencem ao corpo de Cristo em todo o mundo. Oramos todas essas coisas em nome de Jesus Cristo, nosso Senhor, amém. 

A Somália declarou independência em 1960, quando os protetorados britânico e italiano se uniram. Em 1969, o governo militar do presidente Siad Barre ganhou o poder, introduzindo o socialismo científico no país. Durante esse processo, propriedades de missões cristãs e igrejas, incluindo escolas e hospitais, foram apreendidas e os cristãos, expulsos do país. 

Uma nova lei, introduzida em 1974, deu às mulheres os mesmos direitos de herança que os homens. Líderes islâmicos que pregavam contra esse novo decreto foram presos ou executados. Essa natureza secular e reformista do governo terminou por abalar a identidade islâmica do povo somali. Isso resultou no surgimento e crescimento de organizações militantes islâmicas com base no clã. 

Elas almejavam tornar a Somália um Estado islâmico. O regime de Siad Barre e os militantes islâmicos compartilhavam um inimigo: os cristãos, cuja presença se tornou visível antes do início dos anos 1990. Durante o governo de Barre, radicais muçulmanos usaram de sua influência para incentivar o governo a proibir a impressão, importação, distribuição e venda de literatura cristã no país. Além disso, o Serviço de Segurança Nacional ameaçava, prendia, torturava e assassinava muitos cristãos somalis. Outros perderam seus empregos e negócios. 

A relação da Somália com países vizinhos como Etiópia, Djibuti e Quênia se desgastou graças à reivindicação do governo somali de que pertenciam à Somália todos os territórios onde os somalis viviam. Como resultado dessa agenda para formar uma “Grande Somália”, o país travou uma grande guerra com a Etiópia em 1977. 

Após governar o país durante décadas em um misto de terror e enganos, o regime de Siad Barre finalmente acabou em 1991, deixando o país sem qualquer tipo de governo efetivo.  A guerra entre clãs e a seca que assolou o país comprometeram a vida de milhões. 

A Organização das Nações Unidas e a Organização da Unidade Africana buscaram findar a crise. Em 1992, o Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou a Resolução 751, por meio da qual foi criada uma Operação das Nações Unidas (UNOSOM I) na Somália. 

A UNOSOM I enviou uma força-tarefa liderada pelos Estados Unidos (UNITAF). À medida que a situação se estabilizou, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução 755 para estabelecer uma segunda Operação das Nações Unidas na Somália (UNOSOM II). 

Após frustradas tentativas de ajudar os somalis a criar um governo central, os Estados Unidos retiraram suas forças em 1994. Logo depois, a ONU também decidiu retirar todas as suas forças da Somália (Resolução 954 do Conselho de Segurança). 

Durante as duas décadas seguintes, a Somália se tornou um Estado sem lei, onde muçulmanos radicais, milícias locais e senhores da guerra continuaram a lutar uns contra os outros. O país se transformou em um centro para atividades islâmicas militantes. 

Enquanto isso, embora não reconhecida pela comunidade internacional, a Somalilândia declarou independência unilateral da Somália, citando os limites coloniais entre a Somalilândia britânica e italiana. Puntlândia também declarou autonomia sem separar os laços do resto da Somália. 

Após várias tentativas de mediação da comunidade internacional, o atual governo federal se formou em 2012. O Estado controla apenas cidades e vilas, muitas partes da Somália rural ainda permanecem nas mãos do Al-Shabaab. O grupo terrorista tem propagado consistentemente a ideologia anticristã e considerado todas as forças estrangeiras na Somália como uma tentativa dos cristãos de vencer o islã.  

Em 2016, ocorreram eleições parlamentares e, em fevereiro de 2017, Mohamed Abdullahi Mohamed foi eleito presidente. Isso foi recebido com entusiasmo por muitos somalis e pela comunidade internacional. Também foi visto como um grande passo para o futuro da Somália. Em 2017 e 2018, o Al-Shabaab permaneceu com potencial suficiente para conduzir ataques mortais no país. Os soldados da Missão da União Africana para a Somália (AMISOM) foram vítimas em inúmeras ocasiões. Por exemplo, em abril de 2018, cerca de 46 pacificadores de Uganda foram mortos por extremistas islâmicos em um duplo ataque suicida. 

Em maio de 2019, o Conselho de Segurança da ONU estendeu o mandato da AMISOM e autorizou a redução das tropas, adotando com unanimidade a Resolução 2472 (2019) em sua reunião número 8.537. Em 2018 e 2019, o governo continuou a combater o Al-Shabaab com a ajuda da União de Forças Africanas. O Al-Shabaab conduziu um bombardeio na capital em julho de 2019 e feriu o prefeito de Mogadíscio, que depois morreu devido aos ferimentos.  

Em 2020, houve confrontos na fronteira entre soldados dos governos queniano e somali e rumores de que o Quênia poderia buscar anexar algum território somali. A emissora Deutsche Welle relatou em 13 de março de 2020 que o governo somali pediu ao Quênia para “parar com as violações da soberania da Somália e a invasão a áreas da fronteira. A situação nas áreas restantes permanece precária enquanto as forças da Jubalândia estão se reagrupando para possíveis novos confrontos, apesar dos esforços para amenizar a hostilidade”. Também foi relatado durante o período de pesquisa da Lista Mundial da Perseguição 2022 que a Somália participou do atual conflito do Tigré apoiando o governo etíope. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

A Constituição Provisória da República Federal da Somália foi adotada em 1º de agosto de 2012 e afirma a absoluta predominância de uma estrita interpretação da sharia (conjunto de leis islâmicas). De acordo com o Artigo 2 da Constituição do país, “o islã é a religião oficial do Estado; nenhuma outra religião além do islamismo pode ser propagada no país; e nenhuma lei que não seja condizente com os princípios gerais e objetivos da sharia pode ser promulgada”. Além disso, a Constituição categoricamente declara que a sharia é suprema. Desde que a Constituição deu um passo atrás no que diz respeito a liberdade religiosa, ao proibir a apostasia, pode-se esperar que um governo federal mais organizado não melhore a vida dos cristãos. 

Da mesma forma, como afirmado na Constituição, a província de Puntlândia declarou que só o islã deve ser propagado: “O islamismo deve ser a única religião do Estado Regional de Puntlândia. Com exceção do islã, nenhuma outra religião pode ser difundida em Puntlândia; as leis e a cultura do povo devem estar baseadas na religião islâmica”. A Constituição de Somalilândia também afirma: “O islamismo é a religião da Somalilândia e a promoção de qualquer outra religião no território é proibida”. 

A situação política no país criou um ambiente hostil para os cristãos, especialmente os de origem muçulmana. Como resultado, as violações à liberdade religiosa contra cristãos na Somália quase sempre significam altos níveis de violência. O novo primeiro-ministro da Etiópia, que assumiu o cargo em abril de 2018, trouxe uma nova esperança para a região: Djibuti, Eritreia e Etiópia estão comprometidos em resolver os atuais problemas regionais.  

O presidente da Somália assinou uma lei federal histórica, abrindo caminho para o país realizar a primeira eleição popular em meio século. O presidente e os líderes dos cinco estados federais semiautônomos da Somália chegaram a um acordo em setembro de 2020 para preparar eleições presidenciais e parlamentares indiretas no final de 2020 e começo de 2021. Como parte do acordo, as eleições estavam marcadas para começar em 1 de novembro de 2020. Mas o acordo se desfez diante das discussões sobre como conduzir os votos, enquanto conversas em fevereiro de 2021 entre o presidente, mais conhecido como Farmaajo, e os líderes dos estados federais do país falharam em resolver o impasse.  

Em abril de 2021, parlamentares votaram para ampliar o mandato do presidente por mais dois anos para deixar o país se preparar para as eleições diretas. Essa ação ocorreu em meio a crescente pressão pelo fim do impasse político e foi fortemente criticada pela comunidade internacional. Após os confrontos na capital Mogadíscio entre facções de forças de segurança, que estão divididas sobre a questão, legisladores somalis votaram de forma unânime para cancelar a extensão do mandato presidencial. 

Na atual situação frágil e sem lei, o crime e a corrupção são galopantes na Somália. O governo federal controla apenas algumas cidades e vilas e deixa a maioria da Somália rural sob controle do Al-Shabaab. Os militantes coletam impostos e financiam suas operações por meio do comércio ilegal. Essa situação tornou a vida dos cristãos muito delicada, pois eles não têm proteção alguma.   

CENÁRIO RELIGIOSO 

A maioria esmagadora da população é muçulmana, 99,9% sendo muçulmanos sunitas. A comunidade cristã é pequena e está sob constante ataque, pois os cristãos são vistos como um elemento estrangeiro que está no país para prejudicar tanto a cultura como a religião. A Portas Abertas estima que o número de cristãos no país seja de apenas “algumas centenas”. Embora no passado o país tenha sido o lar de uma das maiores catedrais católicas na região e a comunidade cristã fosse muito maior. 

Os anos de caos que se seguiram à derrubada do regime militar do presidente Siad Barre, em 1991, culminaram no aumento de tribunais da sharia (conjunto de leis islâmicas) e de grupos radicais islâmicos, como o Al-Shabaab. Todos buscam uma identidade islâmica forte contra um histórico de identidade tribal. Mudar de religião, por exemplo para o cristianismo, não apenas significa uma traição ao islã e à comunidade muçulmana, mas também a quebra das normas e valores do clã. Em sociedades tribais, essa é uma séria ofensa. De acordo com os somalis, “um somali nasce muçulmano e morre muçulmano”. Portanto, ainda que o Al-Shabaab esteja atualmente em declínio, não significa que a ameaça para os cristãos diminuiu. Um exemplo é a Somalilândia, que declarou independência em 1991 (ainda não reconhecida): poderia ser vista como uma região sem atividade militante, mas os cristãos são igualmente perseguidos lá porque o motivo da perseguição também remonta à religião e a cultura.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

A Somália é um dos países mais pobres e frágeis do mundo. Mais de dois terços dos somalis vivem com menos de 1,90 dólar por dia. Oportunidades econômicas limitadas, exclusão econômica, conflitos e desastres naturais contribuem para a pobreza. Devido a insegurança, mudanças climáticas e acesso humanitário restrito, a maioria das comunidades rurais e nômades permanecem vulneráveis a conflitos, com mecanismos de defesa limitados. 

A economia da Somália é baseada principalmente na agricultura, com a pecuária contribuindo com cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) e sendo responsável por quase 50% da receita de exportação. O PIB real em 2018 foi estimado em 2,9%. O crescimento foi baseado no setor de fornecimento pela agricultura, inclusive pecuária, e serviços financeiros e de telecomunicação. Os atuais gastos do governo focam em segurança e serviços administrativos, correspondendo a 90% do gasto total, deixando de fora serviços sociais e econômicos. 

Há também comércio ilegal de carvão e outros produtos contrabandeados que não são parte da economia formal. Isso e as questões de segurança no país têm feito o estudo e a análise econômicos muito difíceis.  

A Heritage Foundation afirma: “A Somália não está incluída no índice 2021 por causa da contínua indisponibilidade de estatística relevante. Durante os 27 anos de história do Índice de Liberdade Econômica, foi possível pontuar a Somália apenas cinco vezes, de 1996 a 2000. A falta de uma autoridade central no país, junto com a instabilidade política, tem levado a inconsistência e governança fragmentada na Somália, com diferentes milícias, autoridades e tribos aplicando diferentes estruturas legais. Embora o atual governo busque reformas para estabelecer o Estado de direito em áreas que controla, os desafios para desenvolver o sucesso de mercados econômicos mais modernos permanecem enormes”.  

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

Nas últimas três décadas, conflitos e fome no país levaram centenas de milhares a fugir. A situação da insegurança também se agravou com milhões sendo afetados pela seca e pela fome. De acordo com o Alto-comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), no final de 2020: 

  • 18.476 famílias afetadas por enchentes foram assistidas com itens de ajuda emergencial e kits para abrigos emergenciais; 
  • 17.600 famílias deslocadas internas receberam ajuda financeira irrestrita ou kits com itens de ajuda emergencial; 
  • 100% dos refugiados e pessoas em busca de asilo foram registrados individualmente no banco de dados do Sistema de Gestão de Identidade Biométrica; 
  • 100% dos refugiados registrados têm acesso a serviços básicos de saúde; 
  • 90% das crianças refugiadas em idade escolar registradas têm acesso a educação primária. 

Em 2021: 

  • 100% dos refugiados registrados terão acesso a atenção básica; 
  • 90% das crianças refugiadas em idade escolar registradas terão acesso a educação primária; 
  • 80% das famílias deslocadas receberão itens básicos e domésticos; 
  • 70% das mulheres deslocadas receberão produtos de higiene; 
  • 60% dos jovens somalis que regressaram ao país, com idade entre 15 e 24 anos, participarão de treinamentos de geração de renda certificados. 

No final de 2021, cerca de 109 mil somalis regressos e 28 mil refugiados e em busca de asilo somalis receberam assistência. 

Como citado na Enciclopédia Britânica, “em cultura, língua e estilo de vida, o povo da Somália, do Nordeste do Quênia, da região de Ogaden na Etiópia e da parte sul de Djibuti é amplamente um grupo homogêneo”. Além disso, “o povo somali compõe a grande maioria da população da Somália. Ele é dividido em numerosos clãs, que são grupos que traçam seu ancestral comum até um único pai. Esses clãs que, por sua vez, são subdivididos em numerosos subclãs, combinam em um alto nível para formar as famílias de clãs. As famílias de clãs que habitam a área interfluvial do Sul da Somália são os rahanwayn e os digil que, juntos, são conhecidos como sab. Principalmente agricultores e agropastoralistas, os sab incluem tanto os habitantes originais como vários grupos somalis que imigraram para essa área de clima favorável. 

Outra família de clãs são os daarood do Nordeste da Somália, região de Ogaden e da região fronteiriça entre Somália e Quênia; os hawiye, habitando principalmente a área de ambos os lados do meio shabelle e Centro-sul da Somália; e os isaaq, que vivem nas áreas central e oeste do Norte da Somália. Além disso, há os dir, vivendo no extremo Noroeste do país, mas também disperso em todo o Sul; e os tunni, ocupando o trecho da costa entre Marca e Kismaayo. Na direção da fronteira com o Quênia, a estreita faixa costeira e ilhas distantes são habitadas pelos bagiunis, que são um povo pescador suahíli”. 

O clã é um fator importante na sociedade somali e ordena a maneira como a vida cotidiana é administrada e como uma comunidade está relacionada a outra. Essa estrutura de clã também tem um impacto profundo sobre como o governo federal está estruturado e como as eleições são conduzidas, como ficou evidente nas eleições de 2017. O presidente foi eleito por um parlamento de 14.025 delegados indicados pelos anciãos dos clãs.  

O Al-Shabaab também conta com a mesma estrutura baseada em clãs para reunir informações, recrutar membros e avançar sua ideologia. O grupo usa essa estrutura para forçar xeiques e imãs a ensinarem a jihad sob ameaça de expulsão ou morte. Segundo muitos somalis e líderes de clãs, os somalis são muçulmanos e, portanto, a conversão ao cristianismo é uma traição à família e ao clã. Como resultado, se houver suspeita de que algum somali se converteu ao cristianismo, membros da família e líderes de clãs o perseguirão, intimidarão e até matarão. 

Fontes árabes do século 12 descrevem o porto de Zeila, próximo à fronteira com Djibuti, como uma cidade majoritariamente cristã. No entanto, no final do século 15, a presença cristã desapareceu. Jesuítas que visitaram a ilha Socotorá em 1542 também ficaram espantados com a descoberta de que os habitantes eram claramente cristãos, embora analfabetos.  

Foi preciso esperar até 1881 para o cristianismo ser novamente introduzido na Somália. A fé cristã se espalhou nos anos que se seguiram, especialmente depois que os italianos tomaram o controle da costa sul, incluindo Mogadíscio. Mas as potências coloniais nos territórios britânico e italiano eram, por vezes, contra o trabalho dos missionários entre os somalis por medo de uma possível instabilidade. 

Em 1886, uma agência missionária católica romana francesa e uma missão luterana sueca estabeleceram bases na cidade portuária de Berbera no então protetorado britânico das cidades de Somalilândia, Mogadíscio e Kismayo. A igreja cresceu rapidamente. 

Missionários luteranos suecos chegaram à Somália em 1898 e abriram escolas e hospitais. Eles eram fortes em evangelizar e tiveram sucesso principalmente com um grupo de ex-escravos de língua bantu. A missão foi interrompida quando autoridades italianas expulsaram os missionários em 1935. O trabalho foi revivido após a Segunda Guerra Mundial e, durante a década de 1950, missões cristãs assumiram o cargo. 

A missão luterana sueca, a missão menonita e uma missão sudanesa (Missão Interior do Sudão), em particular, deixaram sua marca, mas, em 1969, o governo militar socialista do presidente Siad Barre chegou ao poder. Todos os bens pertencentes a missões cristãs e igrejas, incluindo escolas e clínicas, foram confiscados. Em 1972, o governo nacionalizou toda a propriedade da Igreja Católica Romana. No entanto, apesar das mudanças na posição da Igreja Católica e da saída de grande parte de seu pessoal, a diocese de Mogadíscio foi criada em 1975. 

Todos os missionários estrangeiros haviam deixado o país em 1976. Dois grupos de cidadãos somalis, anteriormente associados com os menonitas e com a missão sudanesa, continuaram a se reunir, mesmo depois da saída dos missionários. Na década de 1980, alguns menonitas puderam retornar. 

Antes do início dos anos 1990, a presença cristã na Somália era visível. De acordo com um artigo do site de notícias Aleteia, publicado em 15 de julho de 2019, quando a catedral católica em Mogadíscio “abriu em 1928, era a maior catedral na África. Construída em três anos e desenhada em um estilo gótico da Normandia pelo arquiteto Antonio Vandone di Cortemilia, a igreja foi fortemente influenciada pela Catedral Cefalù, na Sicília”. Em julho de 1989, o bispo Colombo foi alvejado no meio de uma missa na igreja. A catedral foi saqueada e danificada e, depois disso, militantes islâmicos no país e de outras partes do mundo começaram a alvejar cristãos e símbolos relacionados a eles.

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