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Somália

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Somália
  • Tipo de Perseguição: Opressão do clã, opressão islâmica, corrupção e crime organizado
  • Capital: Mogadíscio
  • Região: Sul e Leste da África
  • Líder: Mohamed Abdullahi Mohamed
  • Governo: República parlamentarista
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Somali, árabe, italiano, inglês
  • Pontuação: 92


POPULAÇÃO
16,1 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
ALGUMAS CENTENAS

Como é a perseguição aos cristãos na Somália? 

É impossível admitir publicamente a fé cristã na Somália, e a igreja não existe. Isso acontece porque o islamismo é considerado uma parte crucial da identidade somali e, se houver suspeita de que algum nativo tenha se convertido ao cristianismo, ele estará em grande perigo. Membros da família, clã ou comunidade irão assediá-lo, intimidá-lo ou até mesmo matá-lo. No caso de mulheres, as cristãs podem ser agredidas sexualmente e casadas à força. 

Os cristãos também estão em perigo devido ao Al-Shabaab, um grupo radical que defende a sharia (conjunto de leis islâmicas) como base para regulamentar todos os aspectos da vida. Os seguidores de Jesus de origem muçulmana são considerados “alvos preciosos” pelos jihadistas, que muitas vezes executam os “infiéis” no mesmo instante em que são descobertos. 

Se um cristão é morto ou raptado, toda a família dele sofre as consequências, pois o homem era o responsável pelo sustento da esposa e dos filhos. Assim, a família cristã fica desprotegida e é vista como um problema na comunidade. 

“Estávamos todos mortos, mas Jesus veio para nos salvar e nos dar uma nova vida. Deixo minha vida nas mãos dele. Estou tão entusiasmada que Deus está comigo onde quer que eu esteja; também estou feliz porque o Senhor ouve minhas orações.” 

Momina, cristã perseguida no Chifre da África 

O que mudou este ano? 

A Somália continua em terceiro lugar na Lista Mundial da Perseguição 2021, como um dos países onde os cristãos enfrentam a perseguição mais extrema. A pressão sobre os cristãos permanece em um nível extremo. Mas os seguidores de Jesus também enfrentam a violência, pois correm o risco de serem mortos por militantes islâmicos. Além disso, os líderes de clãs, anciãos e familiares monitoram os movimentos de qualquer suposto convertido. 

Nos últimos anos, a situação parece ter piorado. Os militantes islâmicos intensificaram os ataques aos cristãos, principalmente aqueles em posição de liderança. 

Quem persegue os cristãos na Somália? 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Somália são: opressão do clã, opressão islâmica, corrupção e crime organizado.

Já as fontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na Somália são: grupos religiosos violentos, líderes de grupos étnicos, partidos políticos, parentescidadãos e quadrilhas, líderes religiosos não cristãos, redes criminosasoficiais do governo.

Quem é mais vulnerável à perseguição na Somália? 

Todos os cristãos ex-muçulmanos estão em grande perigo na Somália. Como há um nacionalismo religioso, todos os cidadãos são considerados muçulmanosOs cristãos que vivem em áreas sob o controle do Al-Shabaab são particularmente vulneráveis. 

Como as mulheres são perseguidas na Somália? 

As jovens cristãs ex-muçulmanas estão entre as mais vulneráveis na Somália. É comum que uma mulher suspeita de ser cristã seja agredida sexualmente e humilhada em público, casada à força com um militante islâmico ou morta. Não existem leis que tratem da violência doméstica e quase todas as mulheres somalis levam uma vida pré-determinada, com pouca possibilidade de mudança para crenças ou expressões pessoais. O casamento forçado é frequentemente usado como uma forma de coagir ou controlar mulheres e meninas (não há idade mínima legal para o casamento). 

Como os homens são perseguidos na Somália? 

Todos os cristãos ex-muçulmanos na Somália enfrentam perseguição extrema. Na cultura somali, os homens são vistos como líderes que devem representar a fé islâmica e determinam a crença dos familiaresApós encontrar Cristo, eles são tratados com hostilidade e podem ser culpados pela conversão de um familiar do sexo feminino. 

Há muita pressão sobre os suspeitos de conversãoque podem ser obrigados a liderar as orações na mesquita, deixar a barba crescer, se casar com mais de uma esposa ou realizar rituais islâmicos em público. Quando são descobertos, os cristãos têm a herança negada; quando meninosnão recebem educação e são levados para centros de reabilitação islâmicos, onde são forçados a se juntar às milícias islâmicas. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Somália? 

A Portas Abertas apoia os cristãos por meio de discipulado, distribuição de literatura cristã e Bíblias, e desenvolvimento socioeconômicoalém de promover a transmissão de programas de rádio cristãos para o país. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente. 



Pedidos de oração da Somália 

  • Ore pelas famílias dos cristãos assassinados por causa da fé, para que recebam o consolo de Deus e sejam curadas da amargura. 
  • Clame pelo crescimento de uma igreja forte entre o povo somali, que confia em Jesus e tem fome e sede da justiça do Senhor. 
  • Ore para que aqueles que são responsáveis pelos ataques contra os cristãos sejam alcançados por Jesus e punidos pelos crimes que cometeram.  

Um clamor pela Somália 

Deus, obrigado por estar ao lado dos cristãos somalis. Porque mesmo pequenos em número, eles são amados e estimados pelo Senhor. Por favor, encoraje aqueles que se desesperam e  alegria mesmo diante das perseguições. Também pedimos que o Senhor faça justiça aos que perseguem os cristãos e mostre a eles a verdade do evangelho, como fez com o apóstolo Paulo. 

A Somália declarou independência em 1960 quando os protetorados britânico e italiano se uniram. Em 1969, o governo militar do presidente Siad Barre ganhou o poder, introduzindo o socialismo científico no país. Durante esse processo, propriedades de missões cristãs e igrejas, incluindo escolas e hospitais, foram apreendidas e os cristãos, expulsos do país. 

Uma nova lei, introduzida em 1974, deu às mulheres os mesmos direitos de herança que os homens. Líderes islâmicos que pregavam contra esse novo decreto foram presos ou executados. Essa natureza secular e reformista do governo terminou por abalar a identidade islâmica do povo somali. Isso resultou no surgimento e crescimento de uma militância islâmica radical. 

Essas organizações, então, almejaram tornar a Somália um Estado islâmico. O regime de Siad Barre e os militantes islâmicos compartilhavam seu maior inimigo: os cristãos. Durante o governo de Barre, extremistas usaram de sua influência para incentivar o governo a proibir impressão, importação, distribuição e venda de literatura cristã no país. Além disso, o Serviço de Segurança Nacional ameaçava, prendia, torturava e assassinava cristãos somalis. Outros perderam seus empregos e negócios. 

A relação da Somália com países vizinhos como Etiópia, Djibuti e Quênia se desgastou graças à reivindicação do governo somali de que pertenciam à Somália todos os territórios onde os somalis viviam. O resultado de formar essa “Grande Somália” foi a guerra com a Etiópia, em 1977. 

Após governar o país durante décadas em um misto de terror e enganos, o regime de Siad Barre finalmente acabou em 1991, deixando o país sem qualquer tipo de governo efetivo. A queda do regime criou um vácuo que possibilitou o florescimento da militância radical islâmica, em detrimento dos cristãos e da igreja.  

Quando o sistema de governo somali se desmantelou, grupos radicais islâmicos formaram um comitê de xeiques para buscar e identificar todos os cristãos somalis, estivessem eles dentro ou fora do país. Esse comitê designou um grupo armado para executar todos os cristãos somalis, o que levou a muitas mortes entre os cristãos na Somália e países vizinhos. Além disso, a guerra entre clãs e a seca que assolou o país comprometeram a vida de milhões. 

A Organização das Nações Unidas e a Organização da Unidade Africana buscaram findar a crise. Em 1992, o Conselho de Segurança das Nações Unidas adotou a Resolução 751, por meio da qual foi criada uma Operação das Nações Unidas I (UNOSOM I) na Somália. 

A UNOSOM I enviou uma força-tarefa liderada pelos Estados Unidos (UNITAF). À medida que a situação se estabilizou, o Conselho de Segurança da ONU aprovou a Resolução 755 para estabelecer uma Operação das Nações Unidas na Somália II (UNOSOM II). 

Após frustradas tentativas de ajudar os somalis a criar um governo central, os Estados Unidos retiraram suas forças em 1994. Logo depois, a ONU também decidiu retirar todas as suas forças da Somália (Resolução 954 do Conselho de Segurança). 

Durante as duas décadas seguintes, a Somália se tornou um Estado sem lei, onde muçulmanos radicais, milícias locais e senhores da guerra continuaram a lutar. O país se transformou em um centro para o islamismo militante e lar de terroristas. 

Enquanto isso, embora não reconhecida pela comunidade internacional, a Somalilândia declarou independência unilateral da Somália. Puntlândia também declarou autonomia sem separar os laços da “Somália propriamente dita”. 

Após várias tentativas de mediação da comunidade internacional, o atual governo federal se formou em 2012. O Estado controla apenas algumas cidades e vilas, enquanto parte da Somália rural permanece nas mãos do grupo terrorista Al-Shabaab. O grupo tem propagado consistentemente a ideologia anticristã, rotulando todas as forças estrangeiras de “forças cristãs que vieram para a Somália para arruinar o islã”. 

Em 2016, ocorreram as eleições parlamentares e, em fevereiro de 2017, uma eleição presidencial elegeu Mohamed Abdullahi Mohamed como presidente do país, fato visto como um grande passo para o futuro do país por muitos somalis e pela comunidade internacional. 

Em 2017 e 2018, o Al-Shabaab permaneceu com potencial para conduzir ataques no país. Os soldados da Missão da União Africana para a Somália (AMISOM) foram vítimas em inúmeras ocasiões. Por exemplo, em abril de 2018, cerca de 46 pacificadores de Uganda foram mortos por extremistas islâmicos em um duplo ataque suicida. 

Durante o primeiro semestre de 2018, as autodeclaradas Repúblicas de Somalilândia e Puntlândia se enfrentaram em impasses perigosos sobre as áreas, há muito contestadas, de Sool e Sanaag, enquanto se envolviam em repetidos confrontos mortais e evitavam a diplomacia da ONU. A instabilidade criada poderia ter provocado enormes deslocamentos e um novo espaço para o Al-Shabaab. 

Em novembro de 2018, surgiu um relatório sobre o assassinato de quatro civis desarmados em Mogadíscio por tropas de Burundi da Missão da União Africana na Somália (AMISOM). Em meados de dezembro de 2018, forças da Etiópia em Baidoa prenderam o ex-líder e porta-voz do Al-Shabaab, Sheikh Mukhtar Robow, levando-o para Mogadíscio, deflagrando protestos por ele ser um dos candidatos à presidência nas breves eleições regionais do Noroeste. Os manifestantes foram dispersados rudemente pelas forças de segurança da Somália, levando à morte de dois civis. 

Ataques de drones americanos contra a insurgência do Al-Shabaab na Somália aumentaram em 2018 e essa tendência continuou em 2019, enquanto o grupo continuou a usar homens-bomba. Em março de 2019, um ataque suicida na capital Mogadíscio tirou a vida de mais de 15 pessoas. A comunidade internacional decidiu enviar tropas para combater o Al-Shabaab e qualquer grupo islâmico violento que ameace a paz e a segurança do país.  

Em maio de 2019, o Conselho de Segurança da ONU estendeu o mandato da AMISOM e autorizou a redução das tropas, adotando com unanimidade a Resolução 2472 (2019) em sua reunião número 8.537. Em 2018 e 2019, o governo continuou a combater o Al-Shabaab com a ajuda da União de Forças Africanas. Em julho de 2019, em ataques separados, mais de seis soldados da AMISOM e outras oito pessoas, inclusive o prefeito da capital, foram mortas perto de Mogadíscio — todas com explosivos detonados por uma mulher-bomba. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

A Constituição Provisória da República Federal da Somália foi adotada em 1º de agosto de 2012 e afirma a absoluta predominância de uma estrita interpretação da sharia (conjunto de leis islâmicas). De acordo com o Artigo 2 da Constituição do país, “o islã é a religião oficial do Estado; nenhuma outra religião pode ser propagada e nenhuma lei que não seja condizente com os princípios gerais e objetivos da sharia pode ser promulgada”. Além disso, a Constituição categoricamente declara que a sharia é suprema. A Constituição deu um passo atrás no que diz respeito a assegurar liberdade religiosa, pois proibiu a apostasia. Portanto, pode ser esperado que um governo federal mais organizado não melhore a vida dos cristãos. 

Da mesma forma, como afirmado na Constituição, a província de Puntlândia declarou que só o islã deve ser propagado: “O islamismo deve ser a única religião do Estado Regional de Puntlândia; as leis e a cultura do povo devem estar baseadas na religião islâmica”. A Constituição de Somalilândia também afirma: “O islamismo é a religião da Somalilândia e a promoção de qualquer outra religião no território é proibida”. 

A situação política do país criou um ambiente difícil para os cristãos, especialmente cristãos ex-muçulmanos. Como resultado, a perseguição aos cristãos na Somália quase sempre significa altos níveis de violência. Recentemente, a chegada ao poder do novo primeiro-ministro da Etiópia trouxe uma nova esperança: Djibuti, Eritreia e Etiópia estão comprometidos em resolver os atuais problemas regionais.  

Na atual situação frágil e sem lei, o crime e a corrupção são galopantes na Somália. O governo federal controla apenas algumas cidades e vilas e deixa a maioria da Somália rural sob controle do Al-Shabaab. Os militantes coletam impostos e financiam suas operações por meio do comércio ilegal. Essa situação tornou a vida dos cristãos muito delicada, pois eles não têm proteção alguma. No Índice de Corrupção da Transparency International, de 2020, a Somália está listada como o país mais corrupto do mundo. 

O país está mergulhado em uma guerra civil sem fim, fragmentação social, tribalismo e radicalismo islâmico. A Somália é vista como um clássico caso de Estado falido moderno. O país se tornou uma colcha de retalhos de clãs que competem entre si, contendo milícias baseadas em clãs e grupos religiosos. Portanto, tem sido difícil ter um governo central ou qualquer tipo de governo no país. 

CENÁRIO RELIGIOSO 

A maioria esmagadora da população é muçulmana. De acordo com estatísticas do World Christian Database, 99,9% é muçulmana sunita. A comunidade cristã é pequena e está sob constante ataque, pois os cristãos são vistos como um elemento estrangeiro que está no país para prejudicar tanto a cultura como a religião. A Portas Abertas estima que o número de cristãos no país seja de apenas “algumas centenas”. Embora no passado o país tenha sido o lar de uma das maiores catedrais católicas da região e a comunidade cristã fosse muito maior. 

Os anos de caos que se seguiram à derrubada do regime militar do presidente Siad Barre, em 1991, culminaram no aumento de tribunais da sharia (conjunto de leis islâmicas) e de grupos radicais islâmicos, como o Al-Shabaab. Jihadistas estrangeiros também estão presentes no país, mas a opressão islâmica não se limita apenas aos radicais.   

 Os três grupos militantes na Somália são: 

  • Al-Shabaab: as atividades do Al-Shabaab, grupo ligado à Al-Qaeda, são regularmente mencionadas na mídia e podem distorcer o entendimento da perseguição aos cristãos. Apesar de atrair combatentes de fora do país, na essência é um grupo baseado em clã que subscreve à doutrina do wahabismo e advoga a sharia como base para regular todos os aspectos da vida na Somália. O grupo tem uma ala de inteligência sofisticada que é referida como Amnyat. 
  • Estado Islâmico (EI): durante o auge do EI, muitos jihadistas da África e outros lugares juraram fidelidade ao grupo. Uma dissidência do Al-Shabaab também prometeu essa lealdade, mas foi rapidamente cooptada pelos fiéis da Al-Qaeda da facção Al-Shabaab. 
  • Al-Itihaad al-Islamiya: acredita-se que esse grupo esteja inativo desde 2006. Foi formado inicialmente com o objetivo de estabelecer um Estado islâmico na Somália e Ogaden (um território habitado por somalis na Etiópia). No entanto, é importante monitorar esse grupo, pois pode se tornar ativo novamente. 

É importante perceber que o Al-Shabaab, embora trazendo combatentes de fora, é essencialmente um grupo baseado em clã. Igualmente importante é reconhecer que a Somália é uma mistura de clãs que competem entre si e contém milícias baseadas em clãs e grupos religiosos. 

Todos buscam uma identidade islâmica forte contra um histórico de identidade tribal. Mudar de religião, por exemplo para o cristianismo, não apenas significa uma traição ao islã e à comunidade muçulmana, mas também a quebra das normas e valores do clã. Em sociedades tribais, essa é uma séria ofensa. De acordo com os somalis, “um somali nasce muçulmano e morre muçulmano”. Portanto, ainda que o Al-Shabaab esteja em declínio, não significa que a ameaça para os cristãos diminui. Um exemplo é a Somalilândia que declarou independência em 1991 (ainda não reconhecida): poderia ser vista como uma região sem atividade militante, mas os cristãos são igualmente perseguidos lá porque a causa da perseguição também está associada à religião e à cultura. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

A Somália é um dos países mais pobres do mundo. Seca contínua e guerra causaram a morte de milhões de pessoas ao longo dos anos. A economia da Somália é baseada principalmente na agricultura, com a pecuária contribuindo com cerca de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) e sendo responsável por quase 50% da receita de exportação. O crescimento foi baseado no setor de fornecimento pela agricultura, inclusive pecuária, e serviços financeiros e de telecomunicação. Os atuais gastos do governo focam em segurança e serviços administrativos, correspondendo a 90% do gasto total, deixando de fora serviços sociais e econômicos. 

Há também comércio ilegal de carvão e outros produtos contrabandeados que não são parte da economia formal. Isso e as questões de segurança no país têm feito o estudo e a análise econômicos muito difíceis. A Heritage Foundation afirma: “A Somália não está incluída no índice 2019 por causa da contínua indisponibilidade de estatística relevante comparável em alguns aspectos da economia. Embora a Somália não tenha governança nacional efetiva devido a contínua violência e agitação política, a larga economia informal consegue funcionar através de empresas de remessa e transferência de dinheiro e telecomunicações. O governo central controla apenas parte do país e a atividade econômica formal é grandemente restrita às áreas urbanas, como Mogadíscio e algumas outras capitais regionais”. A economia também recebe ajuda de moeda estrangeira por meio de envio de dinheiro. 

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

A situação insegura no país também é composta por milhões de pessoas sendo afetados pela seca e pela fome. Nas últimas três décadas, conflitos e fome no país levaram centenas de milhares a fugir. Em junho de 2019, um oficial da ONU (Organização das Nações Unidas) advertiu que mais de cinco milhões de pessoas, em sua maioria somalis, no Chifre da África, estavam em risco de fome devido à seca severa. 

O clã é um fator importante na sociedade somali e ordena a maneira como a vida cotidiana é administrada e como uma comunidade está relacionada a outra. Essa estrutura de clã também tem um impacto profundo sobre como o governo federal está estruturado e como as eleições são conduzidas, como ficou evidente nas eleições de 2017. O presidente foi eleito por um parlamento de 14.025 delegados indicados pelos anciãos dos clãs. O Al-Shabaab também conta com a mesma estrutura baseada em clãs para reunir informações, recrutar membros e avançar sua ideologia. O grupo usa essa estrutura para forçar xeiques e imãs a ensinarem a jihad sob ameaça de expulsão ou morte. Segundo muitos somalis e líderes de clãs, os somalis são muçulmanos e, portanto, a conversão ao cristianismo é uma traição à família e ao clã. Como resultado, se houver suspeita de que algum somali se converteu ao cristianismo, membros da família e líderes de clãs o perseguirão, intimidarão e até matarão. 

Os somalis são considerados homogêneos de várias formas. É relatado que “em cultura, língua e estilo de vida, o povo da Somália, Nordeste do Quênia, região de Ogaden na Etiópia e a parte sul de Djibuti são amplamente um grupo homogêneo”. A Enciclopédia Britânica resume isso da seguinte forma: “O povo somali compõe a grande maioria da população da Somália. Ele é dividido em numerosos clãs, que são grupos que traçam seu ancestral comum até um único pai. Esses clãs que, por sua vez, são subdivididos em numerosos subclãs, combinam em um alto nível para formar as famílias de clãs. As famílias de clãs que habitam a área interfluvial do Sul da Somália são os rahanwayn e os digil que, juntos, são conhecidos como sab. Principalmente agricultores e agropastoralistas, os sab incluem tanto os habitantes originais como vários grupos somalis que imigraram para essa área de clima favorável. Outra família de clãs são os daarood do Nordeste da Somália, região de Ogaden e da região fronteiriça entre Somália e Quênia; os hawiye, habitando principalmente a área de ambos os lados do meio shabelle e Centro-sul da Somália; e os isaaq, que vivem nas áreas central e oeste do Norte da Somália. Além disso, há os dir, vivendo no extremo Noroeste do país, mas também disperso em todo o Sul; e os tunni, ocupando o trecho da costa entre Marca e Kismaayo. Na direção da fronteira com o Quênia, a estreita faixa costeira e ilhas distantes são habitadas pelos bagiunis, que são um povo pescador suahíli”. 

Fontes árabes do século 12 descrevem o porto de Zeila, próximo à fronteira com Djibuti, como uma cidade majoritariamente cristã. No entanto, no final do século 15, a presença cristã desapareceu. Jesuítas que visitaram a ilha Socotorá em 1542 também ficaram espantados com a descoberta de que os habitantes eram claramente cristãos, embora analfabetos. Foi preciso esperar até 1881 para o cristianismo ser novamente introduzido na Somália. A fé cristã se espalhou nos anos que se seguiram, especialmente depois que os italianos tomaram o controle da costa sul, incluindo Mogadíscio. Mas as potências coloniais nos territórios britânico e italiano eram, por vezes, contra o trabalho dos missionários entre os somalis por medo de uma possível instabilidade. 

Em 1886, uma agência missionária católica romana francesa e uma missão luterana sueca estabeleceram bases na cidade portuária de Berbera no então protetorado britânico das cidades de Somalilândia, Mogadíscio e Kismayo. A igreja cresceu rapidamente. 

Missionários luteranos suecos chegaram à Somália em 1898 e abriram escolas e hospitais, eles eram fortes em evangelizar e tiveram sucesso principalmente com um grupo de ex-escravos de língua bantu. A missão foi interrompida quando autoridades italianas expulsaram os missionários em 1935. O trabalho foi revivido após a Segunda Guerra Mundial e, durante a década de 1950, missões cristãs assumiram o cargo. 

A missão luterana sueca, a missão menonita e uma missão sudanesa (Missão Interior do Sudão), em particular, deixaram sua marca, mas, em 1969, o governo militar socialista do presidente Siad Barre chegou ao poder. Todos os bens pertencentes a missões cristãs e igrejas, incluindo escolas e clínicas, foram confiscados. Em 1972, o governo nacionalizou toda a propriedade da Igreja Católica Romana. No entanto, apesar das mudanças na posição da Igreja Católica e da saída de grande parte de seu pessoal, uma diocese de Mogadíscio foi criada em 1975. 

Todos os missionários estrangeiros haviam deixado o país em 1976. Dois grupos de cidadãos somalis, anteriormente associados com os menonitas e com a missão sudanesa, continuaram a se encontrar, mesmo depois da saída dos missionários. Na década de 1980, alguns menonitas puderam retornar. 

REDE ATUAL DE IGREJAS 

As comunidades de estrangeiros que vivem no país se restringem a capelanias para soldados (por exemplo, entre os oficiais da Missão da União Africana – AMISOM), trabalhadores estrangeiros em Mogadíscio e alguns refugiados em Hargeisa, em Somalilândia. 

Comunidades cristãs históricas não existem no país. Uma das maiores catedrais católica romana na África foi construída em 1928 em Mogadíscio. Entretanto, esse prédio se transformou em ruínas desde 2008. 

Cristãos ex-muçulmanos enfrentam a pior forma de perseguição e são considerados um alvo de alto valor para as operações do Al-Shabaab. Na história recente do país, os convertidos a Jesus, ou acusados de se converter, têm sido assassinados imediatamente quando descobertos. 

Os cristãos do país correm o risco de serem mortos por militantes islâmicos e líderes de clãs

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