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Como é a perseguição aos cristãos na Mauritânia?
Cristãos de origem muçulmana enfrentam forte oposição da família e da comunidade ao redor. Expressões públicas de fé por cristãos estrangeiros podem ser vistas como proselitismo e resultar em prisão e deportação. Essas realidades tornam praticamente impossível para qualquer pessoa viver sua fé de forma pública.
O governo indicou que aplicará rigorosamente as leis de apostasia. Desde 2018, essas leis incluem a pena de morte, sem possibilidade de clemência baseada no arrependimento – tornando assim a execução obrigatória para qualquer muçulmano condenado por deixar o islã ou cometer blasfêmia, embora nenhuma execução tenha ocorrido até hoje.
“Eu estava triste, sobrecarregada pelo medo e pela insegurança. A vida não tinha significado ou valor para mim. Mas Deus me ajudou a superar tudo isso. Ele deu sentido à minha vida. Eu experimentei a verdadeira alegria e a verdadeira paz quando confiei minha vida ao Senhor Jesus Cristo.”
Yasmina (pseudônimo), cristã do Norte da África
Como as mulheres são perseguidas na Mauritânia?
Dentro dessa sociedade tribal, as mulheres estão sujeitas à autoridade de seus pais e maridos, deixando as convertidas especialmente vulneráveis. Elas podem ser privadas de comida, intimidadas ou colocadas em prisão domiciliar. A maioria das mulheres não tem escolha no casamento e pode ser forçada a se casar com um homem muçulmano. Elas correm o risco de serem ostracizadas caso se recusem.
Mulheres casadas que se convertem podem ser forçadas a se divorciar, perdendo os meios de sobrevivência. As cristãs solteiras de origem muçulmana também são proibidas de se casar legalmente com homens cristãos.
Como os homens são perseguidos na Mauritânia?
Líderes cristãos de origem muçulmana estão em alto risco de serem detidos, submetidos a vigilância extra e ameaças de morte. Todos os homens que deixam o islã para seguir a Jesus também enfrentam pressão da família e comunidade, incluindo ostracismo, expulsão de casa e violência física. Eles correm o risco de perder oportunidades de emprego, serem forçados a deixar cargos no governo ou ter seus negócios boicotados pela comunidade como forma de punição. Acusações de apostasia podem ser julgadas em tribunal religioso com possibilidade de longas penas de prisão ou até execução, o que leva alguns a fugir.
O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na Mauritânia?
Em cooperação com parceiros e igrejas locais, a Portas Abertas apoia os cristãos no Norte da África por meio de treinamento de liderança e discipulado, cuidados pós-trauma, oração e ajuda socioeconômica.
Como posso ajudar os cristãos perseguidos na Mauritânia?
Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para o projeto da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos que enfrentam maiores necessidades.
Quem persegue os cristãos na Mauritânia?
O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra os cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na Mauritânia são: opressão islâmica, opressão do clã, hostilidade etno-religiosa, corrupção e crime organizado, paranoia ditatorial.
Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores de hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo.

Pedidos de oração da Mauritânia
- Líderes islâmicos radicais incitaram manifestações públicas contra cristãos. Ore por força e sabedoria aos cristãos pressionados.
- Clame pela revogação da lei anticonversão na Mauritânia, que criminaliza a conversão para o cristianismo.
- Interceda por encorajamento aos cristãos e pelo crescimento da pequena igreja na Mauritânia.
Mais informações sobre o país
HISTÓRIA DA MAURITÂNIA
Em tempos históricos, a Mauritânia foi estabelecida por povos subsaarianos e pelos bérberes. As principais rotas comerciais que conectavam os impérios no Marrocos com o Sul da África passavam pela Mauritânia, carregando sal saariano e produtos de luxo do Mediterrâneo, como roupas finas, bordados e papel em troca de ouro. Em 1442, marinheiros portugueses rodearam Cabo Branco e seis anos depois fundaram o forte de Arguim, de onde eles obtiveram ouro, goma arábica e escravos.
Essas mesmas mercadorias depois atraíram os espanhóis, então os holandeses comercializaram pela costa no século 17 quando se descobriu que a goma arábica era eficaz na indústria têxtil. Os franceses competiram pelo acesso a esse comércio, primeiro com os holandeses e, no século 18, com os ingleses, e foi para os franceses que muito dessa costa saariana foi cedida em tratados europeus no início do século 19.
A Mauritânia tornou-se um protetorado (território protegido e controlado por outro) francês em 1904 e ganhou independência em 1960. Até 1979, a Mauritânia reivindicou soberania sobre o território do Saara Ocidental, que era uma colônia espanhola. O país está sob o domínio militar há mais de 30 anos, com apenas uma breve interrupção democrática em 2007. As promessas de levar a democracia de volta ao país só resultaram em eleições fraudulentas. A situação política caracterizou-se por golpes sucessivos, com o exército servindo como instituição política dominante.
O atual presidente do país, Mohamed Ould El-Ghazouani, foi eleito em junho de 2019. Ele era candidato pelo partido islâmico no poder, que chegou ao poder em um golpe militar em 2008. Embora muitos observadores considerem que o processo eleitoral não tenha sido livre e justo, em geral, as eleições presidenciais foram vistas como a primeira transferência pacífica de poder na história da Mauritânia. Em outra nota positiva, o ativista antiescravagista Biram Dah Abeid surpreendentemente ficou em segundo lugar, com 18,58% dos votos.
Em junho de 2021, o ex-presidente Mohamed Ould Abdel Aziz foi preso sob acusação de corrupção. O processo, que provavelmente é de natureza política, não parece ter perturbado a atual estabilidade política.
Maioria de cristãos são estrangeiros
A maioria dos cristãos no país são estrangeiros, vindos principalmente dos países vizinhos da África Subsaariana. Eles desfrutam de liberdade religiosa limitada e podem participar de cultos apenas em locais específicos. Qualquer evangelismo para mauritanos, que supostamente são todos muçulmanos, é estritamente proibido. O número de convertidos mauritanos do islamismo para o cristianismo permanece baixo. Eles experimentam níveis extremamente altos de pressão da família, da sociedade e do governo.
CONTEXTO DA MAURITÂNIA
Segundo estimativas, 99,3% dos mauritanos são muçulmanos (a maioria é sunita) e essa realidade é reforçada pela designação oficial do país como República Islâmica da Mauritânia. Os cristãos constituem apenas uma fração muito pequena da população (0,2%). Embora tradicionalmente o islã na Mauritânia tenha sido fortemente influenciado pelo sufismo, a influência de grupos islâmicos radicais se tornou muito proeminente e cada vez mais visível nas últimas décadas.
Entretanto, o cristianismo é visto como uma influência ocidental condenável e o proselitismo é estritamente proibido. A hostilidade do governo com relação a cristãos de origem muçulmana é alta, mas cristãos não mauritanos são geralmente deixados em paz já que se abstêm de qualquer expressão pública da fé cristã.
O Middle East Concern relata: “Os cristãos enfrentam severas restrições na prática. Apesar de os cristãos estrangeiros residentes no país poderem adorar, as atividades cristãs são restritas a lugares designados. Cristãos e ONGs cristãs devem evitar qualquer interação com muçulmanos que seja interpretada como proselitista. Mauritanos nativos que escolham sair do islã enfrentariam, a princípio, pena de morte sob as disposições de apostasia do Código Penal, embora não haja exemplos conhecidos de nenhuma sentença de morte judicial aplicada para apostasia nos últimos anos. No entanto, aqueles que deixarem o islã provavelmente enfrentarão respostas violentas da família ou membros da comunidade”.
Os cultos coletivos são particularmente difíceis devido ao ambiente restritivo que torna impossível para os cristãos, especialmente para as congregações de origem muçulmana, se encontrarem abertamente e conduzirem celebrações. Qualquer expressão de fé por cristãos não mauritanos, por exemplo migrantes da África Subsaariana ou trabalhadores humanitários, também corre o risco de ser processada sob as leis do país, que criminalizam a tentativa de conversão dos muçulmanos.
Os não muçulmanos experimentam intimidação e perseguição, particularmente nas mãos de grupos islâmicos. Um grande número de mauritanos se juntou a grupos militantes islâmicos, tanto no Norte da África quanto na Síria e no Iraque. Enquanto o governo tenta combater a militância islâmica de um lado, ao mesmo tempo fornece financiamento para os wahabi e outros movimentos islâmicos radicais, como a Irmandade Muçulmana. Os cristãos de origem muçulmana carregam o peso da perseguição, pois a nova fé não é tolerada por suas famílias e pela sociedade.
Sociedade islâmica, patriarcal e tribal
Assim como seu sistema legal, as normas culturais e sociais da Mauritânia são fortemente patriarcais. Homens são considerados o chefe da casa e quem toma as decisões, e, tradicionalmente, espera-se que as mulheres cuidem das tarefas domésticas e dos filhos. O país tem uma tradição não usual – e danosa – chamada Leblouh, em que meninas são alimentadas à força em grande quantidade. A obesidade é vista como desejável e para reforçar o casamento. A violência doméstica também é amplamente tolerada na cultura mauritana, principalmente entre os soninkés, em que a violência é vista como um “ato de amor”.
A Mauritânia permanece firmemente islâmica com uma presença significativa de grupos islâmicos, incluindo os relacionados à Irmandade Muçulmana. Portanto, cristãos de origem muçulmana mauritanos correm risco de discriminação social e até mesmo violência física.
Afiliação tribal, relacionamentos pessoais e religiosos são muito importantes na sociedade da Mauritânia. Tensões tribais e raciais estão entrelaçadas nesse país muito conservador e tradicional, onde a urbanização é um fenômeno relativamente moderno. Quando um muçulmano se torna cristão, não está apenas preocupado com a pressão da família e do governo, mas também com a vergonha sentida por todo o grupo tribal ou étnico – levando a uma perseguição mais ampla.
A questão da escravidão no país, que está ligada à etnia, também contribui para a perseguição, uma vez que os defensores da escravidão argumentam que ela é sancionada pelo islã. A campanha contra a escravidão desencadeou uma reação hostil dos islâmicos no país.
HISTÓRIA DA IGREJA NA MAURITÂNIA
A Mauritânia foi colonizada pelos povos subsaarianos e pelos sanhajah imazighen (bérberes). A região era o berço dos almorávidas amazigh (bérberes), um movimento puritano de reforma islâmica do século 11 que espalhou uma forma puritana do islã do Saara até o Norte da África. Não se sabe detalhes sobre a presença do cristianismo antes disso, mas como algumas cidades da Mauritânia tiveram um papel importante no comércio entre Marrocos e a África Subsaariana, deve ter havido algum tipo de contato com os cristãos.
O primeiro impacto cristão sério na Mauritânia ocorreu em 1442, quando marinheiros portugueses conquistaram o Cabo Nouadhibou; seis anos depois, eles fundaram o forte de Arguin, de onde tiraram ouro, goma arábica e escravos. Mais tarde, essas mesmas mercadorias atraíram comerciantes espanhóis, holandeses e, finalmente, franceses para o litoral. Os franceses conquistaram o domínio de grande parte da costa do Saara através de tratados europeus no início do século 19.
A Mauritânia tornou-se parte da África Ocidental Francesa em 1904. Os interesses e controle coloniais franceses permaneceram principalmente limitados à costa e às rotas comerciais do Saara. A presença europeia na Mauritânia estava mais focada nos negócios do que na apresentação da fé cristã.
A presença cristã na Mauritânia durante o período colonial francês limitou-se aos estrangeiros católicos romanos residentes. Após obter a independência da França em 1960, a vida dos poucos cristãos no país tornou-se muito difícil, mas a Igreja Católica Romana fundou uma diocese em Nouakchott em 1965.
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