Cristão chinês compartilha sobre política de COVID zero
Publicado em 13 dez 2022

Guoqiang*, um cristão chinêsna faixa dos 40 anos, vive em uma cidade afetada pelas rígidas medidas contra Covid. Ele compartilha sobre o lockdown e protestos contra a política de COVID zero. Os “protestos de papel em branco” começaram no final de novembro em diversas cidades, incluindo Xangai e Pequim. Neles, manifestantes seguravam folhas em branco de tamanho A4 pedindo o fim do rígido lockdown de COVID. Vídeos que mostram multidões de pessoas protestando circularam nas redes sociais.
Os protestos começaram após um incêndio ocorrido em 24 de novembro em um prédio em Urumqi, Xinjiang. Urumqi estava sob um rígido lockdown por mais de três meses. As barricadas da quarentena dificultaram as tentativas de resgate e a fuga dos moradores. O fogo, que durou aproximadamente três horas, matou dez pessoas e deixou nove feridas, segundo a agência de notícias do Estado da China.
Além desse incidente, um garoto de 3 anos que ficou inconsciente morreu por suspeita de envenenamento a gás. Porém ele pode ter demorado a ter acesso a tratamento médico por conta das medidas rígidas. Além disso, um ônibus que levava 47 pessoas para uma instalação de quarentena bateu, deixando 27 pessoas mortas e 20 feridas.
A economia também sofre. O lockdown já ocorre há mais de dois meses. Restaurantes estão todos fechados e nenhum negócio funciona. O único comércio aberto é o supermercado. Porém, o preço das coisas subiu e os cidadãos sofrem com isso. Guoqiang compartilha que um amigo viajou com a família para outra cidade. Dos 90 dias que passaram lá, 80 foram em quarentena. Além disso, itens essenciais são insuficientes – não há regularmente nenhuma fruta ou vegetal. Isso faz com que as pessoas dependam apenas da distribuição centralizada do governo.
Consequências do lockdown
A quarentena a longo prazo resulta em instabilidade social, como perda de renda, crianças na frente de computadores para ter aulas online o dia todo, pessoas lidando com doenças mentais. Com os lockdowns imprevisíveis, as pessoas podem ser obrigadas a irem para instalações de quarentena sem aviso prévio.
“Minha esposa e eu levamos nosso filho para resolver algumas coisas em um pequeno distrito. Em pouco menos de uma hora, todo o distrito estava em lockdown. Então recebi uma ligação da professora da minha filha dizendo que ela estava com uma dor de estômago forte e que precisava ser enviada para o hospital o quanto antes. Mas nós não podíamos sair.”
“Tentamos entrar em contato com as autoridades, mas eles disseram que não podiam fazer nada. Nós choramos sem lágrimas. O que fizemos foi orar constantemente ao Senhor. Louvamos a Deus por enviar um anjo para cuidar da nossa filha enquanto estávamos fora e agora ela está bem! Olhando para trás, poderíamos até mesmo tê-la perdido se não tivesse recebido tratamento médico a tempo. Eu creio que há mais histórias não contadas por aí. Que Deus tenha misericórdia dessa terra e desse povo”, relata o cristão Guoqiang.
As medidas COVID zero continuam em toda a China, com lockdown em diversas cidades e províncias, o que afeta a vida de muita gente. Segundo o colaborador local da Portas Abertas, Chun*, o governo de Pequim afrouxou as medidas da COVID, mas apenas temporariamente. Como a China é um país muito grande, antes dessa política mais branda ser implementada nacionalmente, o número de casos subiu, fazendo com que as medidas fossem mais rígidas novamente.
*Nomes alterados por segurança.
A Redação Portas Abertas Brasil é a equipe editorial com mais de 40 anos de atuação na cobertura da perseguição aos cristãos no mundo. Publica notícias baseadas em relatos diretos de correspondentes e cristãos locais em mais de 70 países. Nosso processo editorial é baseado em verificação, contextualização e avaliação de riscos. A identidade das fontes é preservada quando há risco de segurança, sem comprometer a veracidade dos fatos.
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