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China

CN
China
  • Tipo de Perseguição: Opressão comunista e pós-comunista, paranoia ditatorial
  • Capital: Pequim
  • Região: Leste e Sudeste Asiático
  • Líder: Xi Jinping
  • Governo: Estado comunista
  • Religião: Budismo, cristianismo, ateísmo, islamismo, hinduísmo, judaísmo e religiões étnicas
  • Idioma: Chinês e dialetos
  • Pontuação: 76


POPULAÇÃO
1,4 BILHÃO


POPULAÇÃO CRISTÃ
96,7 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos na China? 

A vigilância na China está entre as mais opressivas e sofisticadas do mundo. A participação nas igrejas é rigorosamente monitorada e muitas igrejas estão sendo fechadas — sejam elas independentes ou parte do Movimento Patriótico das Três Autonomias (igreja protestante oficialmente sancionada pelo Estado na China).  

Permanece ilegal para menores de 18 anos frequentarem a igreja. Todos os locais de encontro tiveram que fechar durante a crise da COVID-19, mas algumas igrejas foram forçadas a permanecerem fechadas, mesmo quando as restrições começaram a afrouxar, e foram silenciosamente eliminadas. A velha verdade é que igrejas só serão percebidas como uma ameaça ao se tornarem muito grandes, muito políticas ou convidarem estrangeiros. 

Líderes cristãos geralmente são os principais alvos da vigilância do governo e alguns deles são sequestrados. “Eles são simplesmente pegos e aparecem meses depois em um tipo de prisão domiciliar, onde são reeducados”, disse uma fonte da Portas Abertas. 

Se um convertido do islamismo ou do budismo for descoberto pela comunidade e pela família, é provável que enfrente ameaças ou abusos. Os maridos podem fazer pressão para se divorciar ou persuadir para que as esposas abandonem a fé. Vizinhos podem denunciar qualquer atividade cristã para as autoridades ou para o chefe da vila, que agirá para impedir os cristãos. 

“Nós podemos ser atacados. Mas, como Jesus, isso não nos impedirá de declarar que o Reino de Deus chegou.” 

Herman (pseudônimo), cristão perseguido na China 

O que mudou este ano? 

Os níveis de perseguição na China subiram levemente, muito porque os cristãos enfrentaram aumento na pressão por parte das autoridades chinesas. Em outras áreas da vida, a perseguição permanece quase ou completamente estável, com as igrejas sendo o local onde os cristãos mais enfrentam perseguição.  

Quem persegue os cristãos na China

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos na China são: opressão comunista e pós-comunista e paranoia ditatorial.  

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos na China são: oficiais do governo e partidos políticos. 

Quem é mais vulnerável à perseguição na China? 

Os convertidos de origem muçulmana ou budista provavelmente enfrentam as mais severas violações da liberdade religiosa, porque são perseguidos não apenas pelas autoridades, mas também por suas famílias e comunidades. Consequentemente, os lugares onde perseguição aos cristãos é abundante são principalmente Xinjiang, Tibet e Oeste da China. 

Como as mulheres são perseguidas na China? 

Já que as mulheres lideram muitas igrejas, especialmente igrejas domésticas, elas são presas tanto quanto os homens. 

Nota-se que a política de um filho, que agora relaxou, deixou um desequilíbrio de gênero. Parcialmente como consequência da baixa porcentagem de mulheres no país, há uma rede de tráfico humano de países próximos — e mulheres cristãs do Paquistão e de Mianmar são principalmente vulneráveis e vendidas como noivas. 

Como os homens são perseguidos na China? 

Meninos e homens cristãos na China são mais vulneráveis à violência física, incluindo ser agredido por oficiais da polícia. Homens tendem a ser os provedores financeiros das famílias, então toda a família sofre quando um homem é preso por muito tempo. Um número limitado pode ser demitido ou impedido de trabalhar por causa do trauma relacionado à severidade do tratamento sob custódia da polícia. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos na China? 

A Portas Abertas apoia os cristãos na China com discipulado e treinamento de preparação para perseguição e fornece literatura cristã contextualizada para cristãos ex-muçulmanos e ex-budistas.   

Como posso ajudar os cristãos perseguidos na China? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, você ajuda a manter o programa de discipulado para que cristãos ex-muçulmanos na China enfrentem a perseguição de forma bíblica. 


Pedidos de oração da China 

  • Peça ao Senhor que, apesar da vigilância intensa, a fé floresça na China e mais pessoas descubram o amor de Deus. 
  • Ore para que parceiros da Portas Abertas alcancem os cristãos vulneráveis com literatura cristã, treinamento e comunhão. 
  • Interceda para que as autoridades na China reconheçam a importância da liberdade religiosa e permitam a igreja se reunir e adorar sem restrições. 

Um clamor pela China

Senhor Deus, por favor abençoe os cristãos na China que o adoram enquanto enfrentam tantos riscos. Dê a eles paz, alegria e força e permita que comunidades o adorem em espírito e verdade, apesar da vigilância intensa. Oramos para que as igrejas chinesas sejam conduzidas pelo Espírito Santo e preparadas para enfrentar qualquer forma de opressão. Que elas aprendam a discernir cada estação pela qual passam e respondam com sabedoria e maturidade diante das circunstâncias. Fortaleça e sustente seus filhos em toda a China. Amém. 

A China é o país onde o vírus que causa a Covid-19 surgiu. Segundo pesquisadores da Universidade de Kent da Grã-Bretanha (que usaram métodos da ciência da conservação) o SARS-CoV-2 apareceu pela primeira vez entre o início de outubro e meados de novembro de 2019 na China. Ou seja, segundo o estudo publicado em junho de 2021, o novo coronavírus pode ter começado a se espalhar na China já em outubro de 2019, dois meses antes de o primeiro caso ser identificado na cidade de Wuhan. A data mais provável para o surgimento do vírus foi 17 de novembro de 2019, e ele provavelmente já havia se espalhado globalmente em janeiro de 2020, estimaram os pesquisadores. 

Mesmo com a pandemia da Covid-19, a China conseguiu crescer 2,3% em 2020, o que surpreendeu o resto do mundo, ainda envolto com crises em quase todos os setores produtivos e amargando quedas no Produto Interno Bruto (PIB). O crescimento de 2,3% é o desempenho mais fraco em 44 anos. Foi a única grande economia do mundo a evitar contração em 2020. 

No início de 2020, quando começou a pandemia, o crescimento chinês caiu acentuadamente e encerrou o primeiro trimestre com uma contração de 6,8%. O fechamento de fábricas e plantas industriais foi um grande golpe para o gigante asiático, que, pela primeira vez, teve números trimestrais negativos desde 1992. Nas últimas duas décadas, o país experimentou uma taxa média de crescimento econômico anual de cerca de 9%, embora o ritmo tenha diminuído no ano passado, por conta da Covid-19. A economia da China continua a crescer a taxas que atualmente são inimagináveis para outros países afetados pela pandemia.  

O presidente Xi Jinping assumiu o cargo em março de 2013 e em seus primeiros quatro anos de governo houve uma redução de liberdade sem precedentes. A abolição da limitação dos mandatos para presidência, em março de 2018, deu a ele uma posição que observadores consideram a mais forte desde Mao Tsé-Tung. Ao mesmo tempo, ele enfrentou grandes desafios, o primeiro e principal, em manter em curso o crescimento econômico. Entretanto, há também a evolução da guerra comercial com os Estados Unidos, a difícil implementação da iniciativa “Um Cinturão, Uma Estrada” e o crescimento da autoafirmação da vizinha Coreia do Norte. 

A igreja na China é cada vez mais afetada pela nova abordagem do governo de intervir ativamente nos assuntos das igrejas ao invés de confiar na administração simples, independentemente de quais igrejas são aprovadas pelo governo ou não. Essas restrições ainda vêm de maneiras indiretas, como através da renovada ênfase à ideologia e retórica comunistas, mas o foco agora é claro em limitar o espaço de funcionamento das igrejas. Elas são pressionadas a adaptar seu ministério e são observadas mais de perto.  

Cada vez mais, as restrições são mais diretas e centenas de igrejas têm sido fechadas, forçadas a se unir com outras ou a se transformar em células. Uma vez que a igreja é a maior força social organizada e não controlada pelas autoridades comunistas, os cristãos são malvistos de qualquer maneira. As regulações da religião, implementadas a partir de 1 de fevereiro de 2018, dão às autoridades provisões legais para orientações e intervenções de formas mais restritas. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O Partido Comunista, que em 2021 completa 100 anos, tem reforçado seu controle sobre a sociedade (incluindo religião) e, cada vez mais, utiliza a retórica comunista e maoísta na tentativa de manter os cidadãos na linha. A necessidade de reformas estruturais pode ser vista claramente à medida que a economia diminui e a guerra comercial com os Estados Unidos começou, apesar de ambos os lados parecerem interessados em evitar qualquer intensificação. Se esses desenvolvimentos continuarem, o contrato firmado a favor da liberdade e crescimento pode estar desmoronando. O objetivo geral é preservar o poder do Partido Comunista ao manter a paz e a harmonia sociais. Qualquer força que represente um perigo para esse objetivo será combatida continuamente, incluindo a religião. 

Em outubro de 2017, no 19° Congresso do Partido, a Constituição do Partido Comunista foi alterada, permitindo que o presidente Xi fosse o primeiro líder desde Mao Tsé-Tung a poder estender sua liderança além de dois mandatos. Em um esforço para tornar as ideias de Xi Jinping mais acessíveis, diversas universidades abriram institutos especiais para pesquisar e ensinar a ideologia de Xi Jinping. Na realidade, as coisas são muito mais simples: quem não quer seguir fielmente a linha do partido, corre risco de ser substituído. E qualquer grupo que não abrace a ideologia comunista, como a maioria das igrejas, se arrisca a ser perseguido em vários níveis. 

O desafio agora é incorporar o pensamento de Xi Jinping nos corações e mentes de todos os cidadãos e é aí que muito esforço tem sido feito, por exemplo, por meio da influência da mídia, universidades, escolas, e pela educação ideológica das linhas do Partido, então chamadas de “educação da cultura vermelha”. Isso começou em todos os níveis de educação, da educação infantil até o ensino superior. 

O presidente Xi Jinping tem consolidado seu poder de uma maneira não vista desde Mao Tsé-Tung, sob seu comando, o Partido Comunista tem se tornado quase militante nos esforços de atacar qualquer possibilidade de ameaça a sua autoridade. A conversão é vista como mais do que apenas mudar a religião, mas trair uma comunidade. O principal objetivo do partido é manter o poder.  

Na política externa, dois novos desafios surgiram. Junto com as questões do Mar da China Meridional e a já mencionada guerra comercial americana, a Coreia do Norte entrou na lista de prioridades novamente; os encontros diretos de Kim Jong-un com o presidente norte-americano podem levar à possibilidade de efetivamente deixar a China de lado. Então, Xi Jinping aproveitou a oportunidade de conversações em Hanói, em fevereiro de 2019, e visitou Pyongyang, em junho de 2019, sendo o primeiro presidente e secretário-geral do Partido Comunista a fazer isso em 14 anos. Isso deu um sinal claro de que nenhuma solução para a Península Coreana pode ser encontrada sem Pequim.  

O segundo problema, que cresceu rapidamente, foi Hong Kong. A raiva pelo projeto de lei de extradição em Hong Kong chegou ao limite em junho e julho de 2019, levando cerca de dois milhões de cidadãos de Hong Kong para as ruas. A atenção internacional está claramente focada em Hong Kong e é fácil constatar que a fórmula “um país, dois sistemas” parece não funcionar mais. A China poderia acabar com todos os protestos em horas usando a força se quisesse e há pouco que alguém faça para impedir uma “opção militar”. Resta ver se os governantes de Pequim escolherão essa solução, principalmente porque as eleições do Conselho do Distrito de novembro de 2019 trouxeram uma categórica derrota daqueles partidos que apoiam a península da China. As eleições para o Conselho Legislativo, agendadas para setembro de 2020, foram adiadas por um ano, citando a crise da COVID-19 como motivo. Sendo assim, o futuro de Hong Kong parece muito incerto.  

CENÁRIO RELIGIOSO 

Como um país comunista, a China é – pelo menos em teoria – contra todas as religiões, uma vez que o ensino marxista afirma que “a religião é o ópio do povo”. Mas, como em todos os países comunistas, o governo descobriu que as pessoas tendem a ser religiosas e, portanto, tenta usar as religiões tradicionais como meio de controlar e dirigir a sociedade. Assim, o confucionismo foi louvado como verdadeiramente chinês, sendo a mensagem: “Se alguém precisa ser religioso, deve ser confuciano”. Esse foi um passo inteligente, pois traz cerca de 40% da população para o lado do governo. E, como o confucionismo é mais uma filosofia do que uma religião, pode aceitar todos os tipos de governantes, inclusive comunistas. 

Cidadãos estão começando a ver grupos religiosos como perigosos e ilegais e não querem tê-los por perto. Em uma comunidade em Rongcheng, na província de Shandong, existe um projeto piloto para o Sistema de Crédito Social, em que cidadãos decidiram adicionar penalidades para aqueles que “espalharem o cristianismo ilegalmente”. 

Para o budismo tibetano e o islamismo, especialmente na província de Xinjiang, existem restrições muito severas e suas atividades são amplamente vistas como sendo políticas, o que é pelo menos parcialmente verdadeiro, já que ambas as religiões foram, ou ainda são, palco de movimentos de independência, alguns deles com formas violentas de agir contra a comunidade e o governo. Xinjiang foi chamada por observadores de estado de polícia quando a existência de campos de reeducação para centenas de milhares de cidadãos não podia mais ser escondida. As autoridades simplesmente declararam que eles serviam com propósito de treinamento vocacional, abertamente ignorando, assim, as preocupações internacionais e tentando vencer a opinião internacional. As pequenas comunidades de convertidos cristãos dentro das minorias lutam para sobreviver enquanto estão sob dupla pressão, do governo e da cultura local. Existem outras religiões étnicas, mas não são foco da perseguição governamental. 

Além disso, a sinização das igrejas continua rapidamente. De acordo com relatório publicado em agosto de 2019, as autoridades da educação comunista estão alterando trabalhos de literatura internacional em que haja referências à fé cristã ou a Deus. A decisão de adaptar histórias famosas para crianças e as tornarem mais aceitáveis para a visão comunista inclui clássicos e mostra quão longe estão dispostos a chegar para influenciar os cidadãos. 

A política de sinização da igreja é implementada por todo o país, já que o Partido Comunista confia fortemente na identidade cultural chinesa para permanecer no poder, limitando o que ameace sua permanência. As novas restrições à internet, mídias sociais, ONGs e os 218 regulamentos relacionados à religião são aplicados rigidamente e limitam muito a liberdade. Igrejas são combatidas se percebidas como uma ameaça, caso se tornem muito grandes, políticas ou convidem estrangeiros. Muitas outras igrejas são monitoradas e fechadas, não importando se são independentes ou do Movimento Patriótico das Três Autonomias. Entretanto, não é apenas a introdução de novas leis que pode ser observada, mas também a implementação restrita de leis já existentes. Um exemplo disso é a proibição de vendas de Bíblias on-line, o que ocupou as manchetes em 2018. 

Se um convertido do islamismo ou do budismo tibetano é descoberto pela comunidade e pela família, ele geralmente é ameaçado, ferido fisicamente e denunciado às autoridades locais — tudo em um esforço para recuperá-lo. Os cônjuges podem ser forçados a se divorciar. Vizinhos e a comunidade podem delatar a prática de atividades cristãs para as autoridades, que agirão para impedi-los.  

A igreja chinesa continua mostrando resiliência frente à pressão do Partido Comunista, por exemplo, na educação de crianças e jovens adultos. Entretanto, está ficando cada vez mais difícil evitar entrar na linha da ideologia oficial. Muitas igrejas não se desfizeram depois de experimentarem repressão, elas se reorganizaram e deliberadamente se dividiram em grupos menores. Porém, essa estratégia nem sempre as salva da pressão contínua.  

Vários tipos de grupos religiosos são ativos na China, muitos dos quais podem ter raízes cristãs, mas se desviam seriamente dos ensinamentos cristãos. Um dos cultos mais conhecidos é o “Relâmpago Oriental” ou “Igreja do Deus Todo-Poderoso”, que acredita que Jesus Cristo nasceu de novo em uma mulher chinesa. No entanto, as autoridades muitas vezes não estão dispostas, nem são capazes de distinguir entre uma seita e um verdadeiro grupo cristão e, portanto, prestam muita atenção a ambos. 

Devido à rápida urbanização, a igreja chinesa está se desenvolvendo basicamente de um estilo rural para um estilo urbano, com grandes números e todas as oportunidades e problemas que vêm com isso. Além das longas horas de trabalho exigidas na indústria moderna, que desafiam as formas tradicionais de culto cristão, o aumento dos preços também coloca dificuldades. À medida que o custo de vida aumentou consideravelmente nos últimos anos, as igrejas descobriram que precisam cuidar financeiramente dos pastores e suas famílias. Apesar de todos os desafios, há um movimento crescente entre as igrejas chinesas para missões transculturais. 

O pequeno número de cristãos ex-muçulmanos ou ex-budistas tibetanos enfrenta o peso da perseguição, que vem de líderes religiosos não cristãos — que ainda são muito influentes em Xinjiang e no Tibete — e da comunidade onde vivem seus pais.  

A meta da liderança do Partido Comunista de manter o poder e a harmonia social inclui o controle de todas as religiões, já que são uma poderosa força na sociedade, e, portanto, o controle de crescimento da minoria cristã também. Isso é ainda mais verdade para as voláteis regiões do budismo tibetano e islamismo em Xinjiang. Nessas regiões, o governo apertou ainda mais o punho e isso não é sentido apenas por grupos étnicos lutando por independência, mas também para os respectivos grupos de convertidos à fé cristã e ainda mais forte para cristãos chineses han. Em muitas regiões do país, atividades cristãs são frequentemente impedidas e, embora as igrejas domésticas continuem sendo o principal alvo, as igrejas controladas pelo governo também enfrentam controle restritivo.  

CENÁRIO ECONÔMICO 

A guerra comercial com os Estados Unidos não tem ajudado e é vista pela liderança e por muitos cidadãos chineses como um movimento político para evitar que a China assuma o controle como a economia mais poderosa do mundo. 

A China tornou-se o quinto maior investidor estrangeiro direto do mundo e investe em regiões e países diversos como Ásia Central, Paquistão, África e América Latina. Entre esses investimentos estão os planos para construir um canal na Nicarágua, concorrendo com o Canal do Panamá, e também vários projetos para usinas de energia elétrica. Em uma mudança mais estratégica geograficamente, a China construiu o que os observadores chamam de “Um Cinturão, Uma Estrada”: uma rede de portos e instalações comerciais ao longo da costa, em todo o caminho da China para o Quênia e o Sudão, sendo o porto paquistanês de Gwadar (ainda a ser terminado) a soma mais recente. 

Um dos mais novos esforços a esse respeito é a criação de um banco de desenvolvimento internacional chamado Asian Infrastructure Investment Bank, que ganhou apoio de todo o mundo, apesar da oposição dos Estados Unidos e do Japão. Ao usar seu “poder suave”, a China aumenta sua influência em todo o mundo e também sua autoconfiança. Ao mesmo tempo, isso apresenta oportunidades para que as igrejas se tornem mais ativas no ministério e na missão.  

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

A população chinesa está “envelhecendo antes de ficar rica”, já que a infame, e agora abandonada, política de “apenas um filho” tem sido uma desvantagem. Um número crescente de cidadãos de meia idade enfrenta o desafio de equilibrar as necessidades da vida, da família e dos pais idosos que agora desfrutam de uma expectativa de vida mais longa. De acordo com as estatísticas do governo chinês, o número de pessoas com mais de 60 anos duplicará em 2030. 

Devido a isso e outras considerações, a política rigorosa de “apenas um filho” foi aliviada, mas até agora, o efeito está distante de ser impressionante. Tendo em conta a tendência de urbanização em curso, é difícil para muitos visitar os pais regularmente. Portanto, milhões de idosos são deixados sozinhos. Esses desafios demográficos se traduzem em desafios políticos. Os principais fatores são as taxas de nascimento e a mão de obra que estão diminuindo e a quantidade de idosos que está crescendo exponencialmente. Os tradicionais valores de cuidar dos pais idosos se tornarão praticamente impossíveis de serem cumpridos pelas famílias em um futuro próximo. Isso pode ser um problema sério para o Partido Comunista, já que outros países que enfrentam desafios parecidos têm feito parcerias com organizações sociais de caridade e igrejas. Tal solução obviamente não é aceita na China comunista, já que todas as atividades dirigidas por igrejas têm sido fechadas e tiradas da vista pública. 

É importante lembrar que a China é grande e a situação dos cristãos pode ser muito diferente em várias partes do país. Entretanto, é correto dizer que a situação dos cristãos se deteriorou por todo o país, conforme mostram relatórios de diferentes províncias. 

Aqueles que não são leais ao Partido são eliminados, o que amplia o alcance do Partido em todas as áreas da sociedade, incluindo negócios, mídia e terceiro setor. Na multidão de desafios que o governo enfrenta, a liderança da China luta para manter tudo sob controle. Seu objetivo de manter o poder inclui a necessidade de controlar todas as religiões, especialmente a minoria cristã, que cresce bastante. Quanto ao futuro, a questão é se as autoridades governamentais conseguirão ver os cristãos como uma força positiva na sociedade. Se assim for, os cristãos poderão se tornar aliados para o desenvolvimento do país e, assim, tornarem-se contribuintes para o estabelecimento de uma “sociedade harmoniosa”. 

O primeiro registro de cristãos na China está escrito em uma pedra do século 8 afirmando que cristãos chegaram à cidade de Xian em 635 d.C. Mais tarde, o cristianismo foi banido durante a dinastia Ming, mas cristãos fizeram novas incursões no país no século 16. Os protestantes chegaram em Macau com o missionário Robert Morrison em 1807. 

Quando a República Popular da China foi criada, em 1949, o Partido Comunista assumiu e toda religião foi combatida, especialmente religiões vistas como estrangeiras, como o cristianismo. Os missionários cristãos estrangeiros precisaram deixar o país e, durante décadas, pouco se sabia sobre como os cristãos sobreviviam. Quando ocorreu a chamada Revolução Cultural (1966-1976), toda a sociedade foi virada de cabeça para baixo. Como uma surpresa para muitos, a fé cristã não só sobreviveu a todos os esforços para erradicá-la, mas tornou-se profundamente enraizada na sociedade chinesa. Apesar de todos os esforços de controle do governo, os cristãos e as igrejas ainda prosperam e, embora a perseguição pareça estar crescendo novamente, não é tão intensa e violenta quanto nos tempos da Revolução Cultural. Entretanto, alguns observadores argumentam que é a mais forte perseguição desde aqueles tempos. Igrejas não registradas são independentes e organizadas em múltiplas redes informais, amplamente conhecidas como “igrejas subterrâneas” ou “igrejas domésticas”. Contudo, esses termos são enganosos, pois elas não são necessariamente clandestinas ou encontram-se em casas. 

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