Cristão egípcio é preso por publicação de “blasfêmia” no Facebook

O hackeamento de mídias sociais tem sido uma estratégia de perseguição no país

Fady* precisa de nossas orações. O cristão egípcio foi preso recentemente por um suposto post blasfemo no Facebook - que ele afirma que nem mesmo escreveu. Contudo, isso não impediu que uma multidão enfurecida atacasse sua casa, no Egito.

Hackear perfis é uma questão discutida em todo o mundo, mas essa prática está sendo usada em grande escala como forma de perseguição no Egito. Fady acredita que sua conta foi hackeada e, segundo análises de um diretor local da Portas Abertas, o ataque às mídias sociais tem se tornado parte de uma tendência crescente e bem financiada para prejudicar os cristãos no país: “Esta é uma estratégia direcionada para prejudicar o cristianismo no Egito. Uma estratégia de um grupo que tem dinheiro disponível para empregar hackers”.

O diretor ainda destaca que: “Outras fontes locais falam de muitos casos semelhantes. Esta é uma nova tática usada por grupos salafistas contra cristãos”. O salafismo é um movimento ortodoxo, internacionalista e ultraconservador dentro do islamismo. O grupo apoia a total aplicação da sharia no país.

"Eu temi por minha família"

Fady se desculpou publicamente pelo que havia sido postado em sua página, mesmo não sendo o responsável pelo divulgado. No entanto, um evento foi organizado via Facebook com o objetivo de puni-lo, e muçulmanos de toda a região se comprometeram em participar.

A irmã de Fady, Nermin*, estava dentro de casa quando a multidão começou a se aglomerar. "Eu saí para ver o que estava acontecendo. Então, vi centenas de pessoas carregando paus e pedras. Eles cantavam Allah Akbar (que significa Alá é grande, em árabe) e gritavam slogans hostis sobre o cristianismo".

Nermin correu para a casa e trancou a porta. Os extremistas jogaram pedras e tijolos em sua porta fechada antes de marchar em direção à casa de seus pais na estrada: "Eu temia que eles fossem matá-los", disse Nermin. Fady e os pais não estavam em casa na hora do ataque. 

Os atacantes, então, entraram na casa e destruíram tudo. "Eles destruíram janelas, móveis, eletrodomésticos e cortaram os colchões com facas. Também destruíram a casa do nosso tio ao lado", disse Nermin. A polícia chegou e prendeu alguns manifestantes. Dias depois, Fady também foi preso, junto com dois tios e seu irmão, de 19 anos. (Essa história continua.)

*Nomes alterados por segurança.

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