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Egito

EG
Egito
  • Tipo de Perseguição: Paranoia ditatorial, opressão islâmica e opressão do clã
  • Capital: Cairo
  • Região: Norte da África
  • Líder: Abdel Fattah al-Sisi
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo
  • Idioma: Árabe, inglês e francês
  • Pontuação: 75


POPULAÇÃO
102,9 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
16,2 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos no Egito? 

A perseguição aos cristãos no Egito acontece principalmente no nível da comunidade. Os incidentes ocorrem com mais frequência no Alto Egito, parte sul do paísonde os movimentos salafistas exercem uma forte influência nas comunidades rurais devido aos altos níveis de analfabetismo e pobreza. Os incidentes podem variar desde mulheres cristãs sendo assediadas enquanto caminham na rua até comunidades cristãs expulsas de casa por multidões extremistas. 

A Universidade Al-Azhar, uma das universidades islâmicas mais influentes do mundo, tem um lugar de destaque na sociedade egípcia e até mesmo na Constituição. O grande imã Ahmed el-Tayyeb da universidade afirmou claramente que não há lugar no islã para que os muçulmanos se convertam ao cristianismo. 

Embora o governo do Egito fale positivamente sobre a comunidade cristã do país, a falta de aplicação da lei de modo sério e a relutância das autoridades locais em proteger os cristãos os deixam vulneráveis a todos os tipos de ataques, especialmente no Alto Egito. Devido à natureza ditatorial do regime, nem os líderes da igreja nem outros cristãos estão em posição de se pronunciar contra essas práticas. 

Além disso, em contraste com a forma como as mesquitas e organizações islâmicas são tratadas, as igrejas e organizações não governamentais cristãs têm sua capacidade de construir novas igrejas ou administrar serviços sociais restrita. Cristãos de todas as origens enfrentam dificuldades em encontrar novos lugares para o culto comunitário. As dificuldades vêm tanto das restrições do Estado quanto da hostilidade comunitária e da violência das multidões. 

Os cristãos de origem muçulmana muitas vezes têm grande dificuldade em viver de acordo com a fé, pois enfrentam uma enorme pressão da família para retornar ao islã. O Estado também torna impossível para eles obter qualquer reconhecimento oficial da conversão. 

“Quase perdi minha fé pouco depois de meu pai [ser morto por causa da fé]. Não sei como carrego meu fardo, mas sinto que não sou eu. Deve ser o Espírito Santo em minha vida. Poderia ter me perdido de Deus e me tornado ateu. Estou feliz que Deus impediu isso. Ele escolheu meu caminho e agora posso cuidar da minha família. Aconteça o que acontecer, mesmo que você se afaste de Deus, apenas ore. Ore e sempre volte para Deus.” 

Marqos, cristão perseguido no Egito 

O que mudou este ano? 

Embora a posição do Egito na classificação da Lista Mundial da Perseguição 2021 permaneça inalterada, houve um ligeiro aumento na oposição geral aos cristãos desde o ano passado. Menos incidentes de violência contra cristãos foram relatados, mas isso é compensado por um aumento na oposição nas esferas da família, comunidade e igreja. 

Quem persegue os cristãos no Egito 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Egito são: paranoia ditatorial, opressão islâmica e opressão do clã. 

Já afontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Egito são: oficiais do governo, parentes, cidadãos e quadrilhas, líderes religiosos não cristãos, grupos religiosos violentos, líderes de grupos étnicos. 

Quem é mais vulnerável à perseguição no Egito? 

A maioria dos incidentes e ataques de multidões ocorrem no Alto Egito, a parte sul do país que é conhecida por ser mais conservadora e radical que o Norte. A província de Minya é conhecida por ter o maior número de ataques contra cristãos. No entanto, os cristãos nas áreas rurais economicamente desfavorecidas dNorte enfrentam um grau semelhante de opressão nas mãos de extremistas islâmicos, especialmente nas aldeias e cidades da região do Delta do Nilo. 

Grupos extremistas islâmicos, como a Irmandade Muçulmana, têm apoio nacional, mas militantes islâmicos violentos só atuam abertamente na região nordeste da Península do Sinai. 

Como as mulheres são perseguidas no Egito? 

As mulheres cristãs no Egito são particularmente vulneráveis ao assédio sexual e à violência. Embora o assédio, o casamento forçado ou o casamento por sequestro, e a agressão sexual sejam práticas comuns que afetam todas as mulheres no Egito em vários graus, há relatos de que as mulheres cristãs são particularmente alvo de casamento por sequestro, principalmente nas áreas rurais, aldeias e cidades do Sul. Isso significa que as famílias cristãs muitas vezes ficam com medo da possibilidade de sequestro, especialmente nas áreas rurais. 

Também há relatos de que meninas cristãs são atraídas para o casamento. Essas meninas geralmente são menores de idade e vêm de famílias vulneráveis. As práticas tradicionais não ajudam nesse sentido – o casamento precoce faz parte da norma em sociedades mais rurais e tradicionais. 

As mulheres que decidem deixar o islã para se tornarem cristãs enfrentam vários desafios. Elas podem se deparar com leis de blasfêmia, status reduzido na sociedade e adesão forçada aos costumes tradicionais. Elas também podem enfrentar o divórcio do marido muçulmano, deixando-as sem qualquer apoio financeiro. A guarda dos filhos pode ser retirada delas, bem como os direitos de herança. 

Além disso, elas correm risco dentro da própria família, porque não se espera que as mulheres tragam vergonha para a honra da família. É difícil para as mulheres escaparem de qualquer situação perigosa, uma vez que elas não tendem a viver ou viajar sozinhas. 

No local de trabalho, as mulheres cristãs podem enfrentar dupla discriminação por causa da fé e do gênero. Se elas forem conhecidas como cristãs, podem perder promoções e outros benefícios profissionais. 

Como os homens são perseguidos no Egito? 

Em todo o Egito, encontrar trabalho é uma grande pressão sobre os homens, principalmente no Alto Egito. Para jovens cristãos que vivem em áreas rurais, isso pode ser especialmente difícil. Uma razão para isso é que alguns lojistas muçulmanos exortam abertamente seus clientes muçulmanos a não comprarem de restaurantes cristãos, já que alguns muçulmanos acreditam que a comida feita por um cristão é impura. 

Alguns homens cristãos não têm permissão para participar do governo ou mesmo de times de futebol devido aos seus nomes cristãos. As dificuldades financeiras das famílias podem ser usadas contra os meninos cristãos como uma armadilha: alguns muçulmanos oferecem ajuda financeira a jovens cristãos, mas quando não conseguem pagar, os muçulmanos dizem que a dívida só será anulada se eles se converterem ao islamismo. 

A mídia social está se tornando cada vez mais uma ferramenta para desencadear a violência física contra homens cristãos. Por exemplo, um grande grupo de muçulmanos na província de Minya atacou a casa de um homem cristão e seus irmãos por causa de uma mensagem que havia sido postada na página do Facebook de seu filho, que mora em outra região do Egito. A mensagem foi considerada um insulto ao islã. Apesar de um vídeo de desculpas do filho, que alegava que sua conta foi hackeada, a polícia o prendeu por blasfêmia, junto com seu irmão e três de seus tios. 

O impacto sobre uma família por causa da perseguição contra um homem cristão pode ser catastrófico. Por ser o principal provedor, prisão, espancamentos, sequestros (envolvendo resgate) ou até mesmo assassinato podem resultar em dificuldades financeiras que afetam toda a família. Além disso, os ataques podem provocar um profundo sentimento de vergonha e quebrantamento, destruindo a confiança e a autoestima de maridos e pais. A estabilidade e o bem-estar de toda a família podem estar sob ameaça, resultando em taxas mais altas de violência doméstica e divórcio. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Egito? 

Trabalhando por meio de igrejas locais e parceiros, a Portas Abertas apoia a igreja no Egito com treinamento de alfabetização, educação, advocacy, cuidados médicos e ministério de jovens, famílias e mulheres. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidosDoando para esta campanha, você possibilita que um cristão ex-muçulmano seja discipulado por um mês no Norte da África. 



Pedidos de oração do Egito 

  • Ore pela libertação de todos os cristãos presos ou mantidos em cativeiro, e pela segurança de todos os cristãos em suas vidas diárias. 
  • Clame pelo fim de todas as falsas acusações e ataques sem sentido contra os cristãos, e que haja urgência nas forças policiais locais para buscar justiça por todos os delitos.
  • Interceda para que os cristãos no Egito tenham coragem e sabedoria para resplandecer a luz de Cristo em suas comunidades. 

Um clamor pelo Egito 

Senhor Jesus, abra caminho e traga a libertação segura de todos os cristãos sequestrados, presos ou detidos à força por causa da fé. Ponha fim a todos os ataques e sequestros sem sentido contra seus filhos. Edifique a fé do seu povo e ajude-o a perseverar apesar dos enormes desafios. Proteja as famílias e que a sua paz encha o coração dos temerosos. Mova os líderes do Egito para proteger os direitos da minoria cristã e  determinação à polícia local para buscar justiça por delitos. Amém. 

Depois de servir como presidente por três décadas (de 1981 a 2011), Hosni Mubarak foi forçado a renunciar após quase três semanas de intensos protestos na Praça Tahrir, no Cairo, tornando-se, assim, um dos ditadores do Oriente Médio varridos durante a Primavera Árabe. Os manifestantes apresentaram demandas por mais liberdade política e expressaram o descontentamento da população com a situação social e econômica do país. Em junho de 2012, após uma breve transição durante a qual o Conselho Supremo das Forças Armadas governou o país, Mohamed Morsi, um político que costumava ser membro sênior da Irmandade Muçulmana, ganhou as eleições presidenciais, com 52% dos votos. Uma vez no poder, ele assumiu poderes executivos ditatoriais que alienaram muitos egípcios.

As manifestações populares foram organizadas por um grupo chamado Tamarrod que gozava do apoio da polícia, do exército, dos empresários e das figuras religiosas cristãs proeminentes. Em última análise, o exército interveio e expulsou o presidente Morsi, alegando que não havia respondido satisfatoriamente às demandas do povo egípcio. O exército adotou seu próprio roteiro de transição que culminou com a adoção de uma nova Constituição e a realização de novas eleições parlamentares e presidenciais.

No final do processo, o marechal de campo Abdul Fattah al-Sisi emergiu como o novo homem forte egípcio. Al-Sisi foi o ministro da Defesa durante o governo de Morsi e ele era a principal figura por trás da expulsão de Morsi. Ele foi saudado por alguns como um herói que salvou o Egito das garras da Irmandade Muçulmana, enquanto outros afirmam que seu governo é um sinal claro do retorno do Egito aos velhos tempos de autocracia apoiada pelo exército. Uma vez que a nova Constituição foi adotada, al-Sisi se candidatou para presidente como civil e – dado o culto à personalidade que foi construído em torno dele antes das eleições – não era surpreendente que ele ganhasse as eleições com esmagadora maioria. Após a ascensão de al-Sisi ao poder, houve uma repressão em larga escala contra a Irmandade Muçulmana. Em março de 2018, al-Sisi foi reeleito com 97% dos votos. Essa vitória massiva é uma clara indicação de quão efetivamente toda oposição foi destituída durante seu primeiro mandato.

A popularidade do presidente al-Sisi está diminuindo e a esperança de que ele seja capaz de assegurar as necessidades básicas dos egípcios de baixa renda é pouca. Em fevereiro de 2019, os membros do parlamento votaram (e depois foi aprovado em um referendo) uma extensão do mandato presidencial para permitir que o presidente al-Sisi permaneça no gabinete por outros 12 anos depois de terminar seu atual mandato. Novas emendas também aumentaram o poder do exército, que já é a força dominante na política egípcia. A situação política está gerando alguma tensão no país, pois até mesmo alguns dos apoiadores de al-Sisi estão bem frustrados pela forte influência do exército no que diz respeito às decisões políticas e econômicas do país.

A Igreja Ortodoxa Copta se orgulha da tradição que nomeia o apóstolo Marcos como o fundador do cristianismo no Egito. Em Alexandria, uma igreja vibrante desenvolveu sua própria escola teológica no segundo século. Esse foi o lar do pai da igreja Atanásio de Alexandria (373 d.C.), que foi um dos primeiros teólogos da igreja, conhecido principalmente por sua defesa de Deus como uma trindade. Inicialmente, a igreja era sobretudo um fenômeno grego nas cidades, mas a população egípcia original se voltou rapidamente para a nova fé também. O Egito se tornou o berço do monasticismo; o monastério de Santo Antônio se tornou um importante modelo para o monasticismo em toda a Europa.

A perseguição sob a ocupação romana sempre foi severa no Egito. É por isso que o calendário copta começa no ano 284 d.C. – nesse ano, Diocleciano se tornou imperador de Roma e seu reinado foi marcado pela tortura e execução em massa de cristãos, principalmente no Egito. Depois que o cristianismo se tornou a religião do Império Romano, os cristãos coptas ficaram em maus lençóis com o Império, visto que sua teologia foi rotulada como herege no Conselho de Calcedônia (451 d.C.). Os exércitos árabes conquistaram o Egito em 639-646 d.C. e isso levou a mais períodos de severa perseguição sob o islã. A igreja focou em sobreviver ao invés de ter um papel público na sociedade. No século 10, os cristãos coptas reduziram em número, perfazendo cerca de metade da população.

O papel colonial britânico no Egito (1882-1952) deu muita liberdade aos cristãos. Após a revolução de 1952, essa liberdade foi constantemente corroída e houve breves períodos em que os cristãos foram perseguidos, mas isso sempre foi um fenômeno local e não realizado pelo Estado.

No século 17, a Igreja Católica Romana entrou no Egito através da atividade missionária dos Capuchinhos e dos Jesuítas. Em 1847, os anglicanos começaram a trabalhar no país, seguidos pela Igreja Presbiteriana Reformada Associada, com sede nos Estados Unidos, em 1854. Muitos outros grupos de igrejas independentes e missionários seguiram, somando à rica variedade da vida da igreja egípcia.

REDE ATUAL DE IGREJAS

Atualmente, a vasta maioria de cristãos do Egito (mais de 90%) pertence à Igreja Ortodoxa Copta. Entre as igrejas históricas, a comunidade copta é a maior, sendo ortodoxa em sua maioria. Também há denominações protestantes estabelecidas em todo o país. A grande minoria copta, apesar de enfrentar dificuldades, como discriminação na educação, saúde e leis que entravam aspectos essenciais da vida da igreja, tem sido ao longo dos anos tolerada pelo Estado e pela maioria muçulmana por causa de sua presença histórica e por ser uma população de alguns milhões. Mas, em anos recentes isso tem mudado, fazendo com que sejam alvo, tanto de vizinhos muçulmanos quanto de grupos radicais islâmicos.

Há também uma pequena, mas crescente, comunidade de cristãos ex-muçulmanos que suportam o peso da perseguição, principalmente por parte de familiares, que os punem por abandonar a fé islâmica. Comumente, os convertidos ao cristianismo são agredidos fisicamente e expulsos de casa.

Há vários grupos evangélicos e pentecostais no país, alguns deles sendo a segunda ou terceira geração de convertidos do islamismo. Outros vêm de um contexto ortodoxo. Eles enfrentam pressão da sociedade islâmica e, em um nível menor, da Igreja Ortodoxa.

Cerca de 85% da população egípcia é muçulmana

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Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

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