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Egito

EG
Egito
  • Tipo de Perseguição: Opressão islâmica, paranoia ditatorial, opressão do clã
  • Capital: Cairo
  • Região: Norte da África
  • Líder: Abdel Fattah al-Sisi
  • Governo: República presidencialista
  • Religião: Islamismo, cristianismo
  • Idioma: Árabe, inglês e francês
  • Pontuação: 71


POPULAÇÃO
104,7 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
16,2 MILHÕES

Como é a perseguição aos cristãos no Egito? 

A perseguição aos cristãos no Egito acontece principalmente no nível da comunidade. Os incidentes podem variar desde mulheres cristãs sendo assediadas enquanto caminham na rua até comunidades cristãs expulsas de casa por multidões extremistas. Tais eventos acontecem tipicamente no Alto Egito, onde os movimentos islâmicos salafistas ultraconservadores são ativos nas comunidades rurais.  

Os cristãos geralmente são tratados como cidadãos de segunda classe. Embora o governo do Egito fale positivamente sobre a comunidade cristã do país, a falta de aplicação da lei de modo sério e a relutância das autoridades locais em proteger os cristãos os deixam vulneráveis a todos os tipos de ataques. A natureza ditatorial do regime significa que cristãos não estão em posição de se pronunciar contra essas práticas. 

Igrejas e grupos cristãos encontram muitas dificuldades quando tentam construir novos prédios. Os impedimentos vêm tanto de restrições estatais quanto de hostilidade comum e violência de rua. 

Os cristãos ex-muçulmanos enfrentam uma enorme pressão das famílias para voltarem ao islamismo. O Estado também torna impossível para eles obter qualquer reconhecimento oficial da conversão. 

“Se alguém está disposto a me matar por minha fé, meu Deus deve ser poderoso.”

Sara (pseduônimo), cristã perseguida no Egito que milagrosamente sobreviveu a um ataque com faca de um extremista muçulmano 

O que mudou este ano? 

Os desafios enfrentados pelos cristãos no Egito permanecem quase inalterados, apesar de haver uma queda nos níveis de violência. Isso está mais relacionado às restrições da COVID-19. Atividades cristãs tiveram uma diminuição significativa, o que gera menos provocação, e os responsáveis pela perseguição estavam fora das ruas devido aos lockdowns. 

Quem persegue os cristãos no Egito

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Egito são: opressão islâmica, paranoia ditatorial, opressão do clã. 

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Egito são: líderes religiosos não cristãos, parentes, cidadãos e quadrilhas, oficiais do governo, grupos religiosos violentos. 

Quem é mais vulnerável à perseguição no Egito? 

A maioria dos incidentes de perseguição ocorre no Alto Egito, que é conhecido por seguir uma linha islâmica mais conservadora e radical do que o Norte. A província de Minya é conhecida por ter o maior número de ataques contra cristãos. No entanto, os cristãos nas áreas rurais economicamente desfavorecidas do Norte enfrentam um grau semelhante de opressão. Grupos extremistas islâmicos, como a Irmandade Muçulmana, têm apoio nacional, mas militantes islâmicos violentos só atuam abertamente na região nordeste da Península do Sinai. 

Como as mulheres são perseguidas no Egito? 

No Oriente Médio, o Egito é conhecido por ter taxas altas de assédio sexual e violência contra a mulher. 

As mulheres cristãs geralmente são alvo de casamento arranjado, abuso sexual e conversão forçada, principalmente aquelas que vivem em áreas rurais e em desvantagem econômica. Isso se estende a meninas cristãs, devido a práticas tradicionais em que casamento precoce faz parte da tradição.  

Mulheres cristãs mais velhas — cujos maridos geralmente trabalham fora — também se tornam alvo. A resposta da polícia é muitas vezes apática, com alguns oficiais até mesmo sendo cúmplices na prática. Não é novidade que muitas mulheres cristãs vivem com medo e não viajam sozinhas. 

Mulheres ex-muçulmanas também são vulneráveis a prisão domiciliar, abuso físico, divórcio, perda de herança, tortura e até mesmo morte. 

Como os homens são perseguidos no Egito? 

Homens cristãos geralmente são vítimas de sequestro. Isso ocorre muitas vezes para assegurar um resgate. Tais incidentes geram medo entre a comunidade cristã local. A mídia social também é usada como uma ferramenta para acusar falsamente homens cristãos. 

Os desafios enfrentados por homens cristãos no Egito se estendem a dificuldade para encontrar trabalho, principalmente na área rural. Em resposta a um homem cristão que começou um negócio para vender sobremesas, um muçulmano começou a vender o mesmo produto e disse a outros muçulmanos para não comprarem do cristão. Infelizmente, o negócio do cristão foi forçado a fechar. 

Já que os homens são os provedores no Egito, diminuir as possibilidades de emprego coloca uma tensão na dinâmica familiar, tornando homens cristãos um alvo para serem atraídos para o islã com a promessa de recompensa financeira. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Egito? 

A Portas Abertas trabalha por meio de parceiros locais no Egito para apoiar a igreja com alfabetização, educação, advocacy, cuidado médico e ministério de mulheres, famílias e jovens.

Como posso ajudar os cristãos perseguidos no Egito? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente. 

Pedidos de oração do Egito 

  • Ore por empregos estáveis e gratificantes para homens cristãos, para que possam prover para suas famílias. 
  • Clame pela proteção e pelo florescimento das mulheres cristãs. 
  • Interceda para que Deus mude os corações dos líderes locais influentes para reconhecerem e valorizarem a contribuição dos cristãos à sociedade. 

Um clamor pelo Egito 

Deus pai, reconhecemos que muitos de nossos irmãos e irmãs estão feridos, em luto e temerosos por causa do custo de seguir a Jesus no Egito. Ministre poderosamente sua paz, cura e conforto aos corações e os preencha com esperança renovada, alegria e fé. Mantenha seus filhos longe do mal. Que a luz do seu amor brilhe sobre eles, levando muitos ao Senhor. Amém. 

Depois de servir como presidente por três décadas (de 1981 a 2011), Hosni Mubarak foi forçado a renunciar durante a Primavera Árabe. Os manifestantes apresentaram demandas por mais liberdade política e expressaram o descontentamento da população com a situação social e econômica do país. Em junho de 2012, após uma breve transição, Mohamed Morsi, um político que costumava ser membro sênior da Irmandade Muçulmana, ganhou as eleições presidenciais com 52% dos votos. “Vitória para o islamismo” foi um slogan amplamente usado em sua campanha eleitoral, o que elevou os níveis de medo entre a minoria copta. Uma vez no poder, Morsi assumiu poderes executivos ditatoriais que alienaram muitos egípcios. 

Manifestações populares foram organizadas por um grupo chamado Tamarrod que gozava do apoio da polícia, do exército, dos empresários e das figuras religiosas e cristãs proeminentes. Em última análise, o exército interveio e expulsou o presidente Morsi, alegando que não havia respondido satisfatoriamente às demandas do povo egípcio. O exército adotou seu próprio roteiro de transição que culminou com a adoção de uma nova Constituição e a realização de novas eleições parlamentares e presidenciais. 

No final do processo, o marechal de campo Abdul Fattah al-Sisi emergiu como o novo homem forte egípcio. Al-Sisi foi ministro da Defesa durante o governo de Morsi e era a principal figura por trás da expulsão de Morsi. Ele foi saudado por alguns como um herói que salvou o Egito das garras da Irmandade Muçulmana, enquanto outros afirmam que seu governo é um sinal claro do retorno do Egito aos velhos tempos de autocracia apoiada pelo exército. Uma vez que a nova Constituição foi adotada, al-Sisi se candidatou para presidente como civil e — dado o culto à personalidade que foi construído em torno dele antes das eleições — não era surpreendente que ele ganhasse as eleições com esmagadora maioria. Após a ascensão de al-Sisi ao poder, houve uma repressão em larga escala contra a Irmandade Muçulmana. Em março de 2018, al-Sisi foi reeleito com 97% dos votos. Essa vitória massiva é uma clara indicação de quão efetivamente toda oposição foi destituída durante seu primeiro mandato. 

Em fevereiro de 2019, os membros do parlamento votaram (e depois foi aprovado em um referendo) uma extensão do mandato presidencial para permitir que o presidente al-Sisi permaneça no gabinete por outros 12 anos depois de terminar seu atual mandato. Novas emendas também aumentaram o poder do exército, que já é a força dominante na política egípcia. A situação política está gerando alguma tensão no país, pois até mesmo alguns dos apoiadores de al-Sisi estão bem frustrados pela forte influência do exército no que diz respeito às decisões políticas e econômicas do país. A popularidade do presidente al-Sisi está diminuindo e a esperança de que ele seja capaz de assegurar as necessidades básicas dos egípcios de baixa renda é pouca. 

A pandemia da COVID-19 atingiu forte o país em 2020. Toda a crise da COVID-19 no Egito foi acompanhada de muitas fake news e teorias da conspiração, com alguns líderes muçulmanos e cristãos alegando que muçulmanos ou cristãos não podem pegar o vírus. Entretanto, não ajudou que o governo egípcio prendeu trabalhadores da saúde que ousaram criticar a abordagem do governo sob leis de antiterrorismo. Apesar da soltura de alguns prisioneiros políticos por causa do vírus da COVID-19, o governo egípcio não libertou os ativistas coptas Ramy Kamel e Patrick George Zaki — a única “coisa errada” que fizeram foi destacar a situação dos coptas egípcios. Zaki foi liberado em dezembro de 2021. Esse é um indicativo de que o presidente al-Sisi não tenha sido completamente sincero em sua declaração pública em 2014 de ser um “protetor” da comunidade cristã; ou apenas enquanto ela o apoiar. 

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

A República Árabe do Egito é uma república com um sistema semipresidencial. No papel, o Egito é uma democracia. Na prática, desde que o rei Farouk subiu ao trono em 1952, os poderes do parlamento sempre foram fracos e — de fato — o presidente governa sozinho. A independência do judiciário é limitada e não incomum para o governo simplesmente ignorar as decisões judiciais. 

Quando o presidente al-Sisi subiu ao poder em 2014, a situação se estabilizou, mas os direitos humanos experimentam uma crise, como a organização humanitária Human Rights Watch nota: “Sob o governo do presidente Abdel Fattah al-Sisi, o Egito tem experimentado a pior crise nos direitos humanos em muitas décadas. Dezenas de milhares de críticos do governo, incluindo jornalistas e defensores dos direitos humanos, permanecem presos ou acusados por motivações políticas, muitos em prisão preventiva prolongada. Autoridades frequentemente usam acusações de terrorismo contra ativistas pacifistas e assediam e detêm parentes de dissidentes estrangeiros”. 

Em junho de 2019, o ex-presidente, que era da Irmandade Muçulmana, Morsi, morreu durante seu julgamento, e alguns relatos ligam sua morte a condições prisionais ruins. Desde a ascensão de al-Sisi ao poder, muitos dos líderes maiores e membros da Irmandade Muçulmana foram detidos, perseguidos e condenados à morte ou à prisão perpétua. O governo continua a proibir a maioria das formas de organização independente e ajuntamento pacífico e tem reprimido vários dissidentes e grupos opositores. 

Não se pode deixar de sentir uma sensação de déjà vu ao notar que outro forte militar está mais uma vez contra a Irmandade Muçulmana e a toda oposição em geral. O regime do presidente al-Sisi quer projetar uma imagem como sendo uma garantia de estabilidade, ordem e segurança para os cristãos. A administração parece determinada a enfrentar a crescente islamização do Estado, que acelerou sob a liderança do presidente Morsi e da Irmandade Muçulmana. Ao mesmo tempo, existe o risco de que segmentos da Irmandade Muçulmana e seus defensores, que se sintam prejudicados pela perda de poder e a perseguição que enfrentam, se tornem mais radicalizados e se juntem a grupos islâmicos militantes subterrâneos em grande número. Tais desenvolvimentos, consequentemente, levariam à maior polarização da sociedade no Egito e poderiam representar um risco sério para a estabilidade da nação e a segurança dos cristãos egípcios por um período maior. 

O atual apoio do regime do presidente al-Sisi a um grande número de igrejas e cristãos pode também ser usado contra eles. Seguidores da Irmandade Muçulmana e outros grupos islâmicos provavelmente veem templos de igrejas e cristãos como alvos fáceis para mostrar que o governo egípcio não é capaz de proteger seus apoiadores. 

A tradição de um governo autoritário talvez seja a única característica permanente no sistema político do Egito, que passou por três mudanças de regime em apenas três anos (2011-2014). Todos os governantes do Egito tiveram um estilo de governo autoritário. Em 2011, a longa ditatura de Mubarak foi finalizada por meio de massivos protestos sociais, que levaram à controversa eleição da Irmandade Muçulmana. O governo liderado por Mohamed Morsi não se comportou democraticamente e foi derrubado por uma revolta nacional apoiada pelo exército em 2013. 

Atualmente, o Egito é comandado por um governo civil liderado pelo ex-chefe do exército Abdul Fatah al-Sisi. Após a eleição presidencial em maio de 2014 e reeleição em março de 2018, esse governo parece considerar direitos humanos básicos e pluralismo democrático como uma baixa prioridade em vista dos grandes desafios econômicos, políticos, sociais e de segurança. Nesse contexto, portanto, liberdade religiosa para os cristãos não é totalmente garantida.  

A instituição presidencial continua falando positivamente sobre a comunidade cristã no Egito. No entanto, a falta de sério reforço da lei e a indisposição das autoridades locais para proteger os cristãos os deixam vulneráveis a todos os tipos de ataques, principalmente no Alto Egito. Adicionalmente, devido à natureza ditatorial do regime, nem os líderes da igreja nem outros cristãos podem falar contra essas práticas.   

CENÁRIO RELIGIOSO 

O islamismo é a religião mais dominante no Egito. A Portas Abertas estima que o número de cristãos é de 16.250.000. Entretanto, o número total e percentual de cristãos permanece um tópico de debate, com cristãos egípcios alegando que mais de 15% da população é cristã.  

Embora o cristianismo tenha raízes profundas no Egito, voltando séculos antes do advento do islamismo no Norte da África, os cristãos são geralmente marginalizados e tratados como cidadãos de segunda classe no Egito moderno. Os cristãos podem ser encontrados em todo o país, mas “eles estão principalmente concentrados na Alto Egito (a parte Sul do país) e em cidades maiores como Cairo e Alexandria”. Subúrbios em Cairo, outras cidades e algumas vilas algumas vezes são denominadas ou descritas como “áreas cristãs”, mas poucas são exclusivamente cristãs (ou muçulmanas). 

Essa visão causa discriminação de cristãos no âmbito político e na relação com o Estado. Também cria um ambiente em que o Estado é relutante para respeitar e reforçar os direitos fundamentais dos cristãos. 

Na esfera da família, os cristãos ex-muçulmanos enfrentam a maior pressão para negar a fé. Os cristãos também enfrentam opressão islâmica na vida diária na vizinhança ou no trabalho. Também houve ataques violentos realizados por grupos islâmicos contra cristãos. A atividade desses grupos militantes está amplamente concentrada no Nordeste do Sinai.  

Como a Humanists International (organização guarda-chuva que abraça organizações humanistas no mundo todo) escreve em seu relatório Freedom of Thought: “Um dos sinais mais visíveis de discriminação contra ateístas, apóstatas do islamismo e membros de minorias religiosas é a política que diz respeito aos documentos de identidade do Egito, que incluem uma seção sobre religião em que só uma das três ‘religiões divinas’ são reconhecidas. [...] Indivíduos que nasceram muçulmanos e deixam o islã não têm permissão para mudar o campo ‘religião’ no documento de identidade. Apenas poucos casos em que cristãos se converteram ao islamismo e depois voltaram ao cristianismo tiveram permissão da justiça egípcia, embora de maneira inconsistente, para a mudança no documento”. 

Com esse contexto religioso, homens e mulheres enfrentam pressão significativa, principalmente cristãos ex-muçulmanos. A lei egípcia permite que cristãos se convertam ao islamismo, mas apesar de diversas campanhas contra disparidades, o contrário não é permitido. Como tal, uma mulher cristã pode ser casada com um homem muçulmano, mas um homem cristão não pode se casar com uma mulher muçulmana. 

Cristãos no Egito explicam que a violação da liberdade de religião acontece principalmente no nível comunitário. Os incidentes variam de mulheres cristãs sendo assediadas enquanto caminham na rua a uma multidão de muçulmanos irados que forçam toda uma comunidade de cristãos a se mudar, deixando suas casas e confiscando seus pertences. Esse tipo de incidente acontece mais no Alto Egito, onde movimentos salafistas (movimentos ortodoxos, internacionalistas e ultraconservadores dentro do islamismo sunita) são ativos nas comunidades rurais.  

Em claro contraste em como as mesquitas são tratadas, os prédios de novas igrejas são restringidos. Cristãos de todas os contextos têm dificuldades para encontrar novos lugares para o culto congregacional. As dificuldades vêm tanto das restrições do Estado como da hostilidade da comunidade e violência das multidões. 

Cristãos ex-muçulmanos têm grande dificuldade em viver a fé, pois enfrentam enorme pressão da família para retornar ao islamismo. O Estado também torna impossível para eles receberem qualquer reconhecimento oficial da conversão.    

CENÁRIO ECONÔMICO 

O Fragile States Index mostra que há pequenas, mas consistentes melhoras nos indicadores econômicos. 

A administração do presidente al-Sisi embarcou em um plano ambicioso para revitalizar a economia egípcia e criar o muito necessário crescimento econômico e empregos. No entanto, muitos egípcios ainda estão sofrendo os efeitos da desvalorização da libra egípcia de 2016, que foi um movimento para garantir um empréstimo do FMI (Fundo Monetário Internacional) — os efeitos ainda ecoam na carteira de muitos egípcios. O desemprego caiu um pouco nos anos anteriores, mas problemas estruturais de analfabetismo e pobreza continuam sendo devastadores. Entretanto, pela primeira vez desde 1999, o índice de pobreza caiu levemente para 29,7% em 2020, de acordo com a agência de estatística do Egito, cujo relatório de 2019 mostra que cerca de 32,5% da população vive abaixo da linha de pobreza, com menos de 2 dólares por dia, um aumento de 4,7% comparado a 2015. As reformas econômicas parecem estar funcionando e o Egito é um dos poucos países africanos com um crescimento econômico, apesar da crise da COVID-19. 

No entanto, cristãos egípcios relatam impostos mais altos e preços elevados de gasolina, eletricidade e água levaram ao aumento nos preços de alimentos, transporte e utilidades domésticas. O aumento dos preços põe mais pressão na estrutura social, com a classe média lutando para fechar as contas, enquanto o alto índice de pobreza afeta sobretudo muitos cristãos que vivem em zonas rurais. A crescente pressão econômica sobre famílias já marginalizadas abastece a migração. 

Além disso, a pobreza é usada para manipular pessoas pobres para propósitos políticos e religiosos. Jovens muçulmanos desempregados podem ser levados por grupos radicais islâmicos a iniciar ataques a igrejas e cristãos. Em segundo lugar, há indicações de que esses grupos têm cristãos pobres como alvo para convertê-los ao islamismo. Principalmente mulheres e meninas são vulneráveis, pois são alvos fáceis para o casamento forçado. 

Discriminação contra cristãos no mercado de trabalho permanece evidente, especialmente em instituições governamentais. Isso geralmente se aplica a todos os cristãos no Egito, mas ex-muçulmanos são particularmente vulneráveis. 

Uma lei de herança de 2017 tem contribuído de alguma forma para proteger os direitos econômicos de mulheres, prevenindo que pessoas neguem os direitos de herança das mulheres. No entanto, de acordo com a lei de herança nº 77 de 1943, todos os cidadãos — incluindo cristãos — estão sujeitos a lei de herança islâmica, que tipicamente estipula que homens devem herdar o dobro do recebido pelas mulheres. Houve desenvolvimentos positivos a esse respeito, entretanto, uma corte egípcia recentemente julgou que uma mulher cristã copta deveria receber uma herança igual a seus irmãos. Ela foi encorajada pelos irmãos a lutar por seus direitos.  

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

O Egito é um dos nove países com as maiores taxas de analfabetismo do mundo, 26% dos adultos são analfabetos, de acordo com o Bertelsmann Transformation Index. Além disso, pobreza, baixo nível de conscientização e educação em saúde, altos índices de analfabetismo e violência doméstica generalizada são comuns para muitos egípcios, inclusive cristãos. É comum para crianças em vilarejos saírem da escola ainda pequenas para ajudar na renda da família. Declaradamente, muitas crianças cristãs enfrentam discriminação no sistema educacional de professores e colegas. Embora haja escolas particulares cristãs, a maioria dos cristãos não pode pagá-las. Jogos de poder ocorrem em todos os níveis da sociedade: muçulmanos oprimem cristãos, homens oprimem mulheres, e alguns líderes da igreja podem usar a autoridade para oprimir cristãos mais vulneráveis de outras denominações. 

Culturalmente, o Egito é conservador e, apesar dos grandes centros urbanos (como Cairo e Alexandria), é dominado por atitudes tribais. A população não é tão etnicamente diversa como em outros países do Norte da África e do Oriente Médio e tem uma forte identidade nacional. 

Especialmente com o surgimento de interpretações mais radicais do islamismo, a pressão sobre os cristãos tem aumentado nas últimas décadas. O Egito busca ser um centro cultural do islamismo e continua a ser influente através da Universidade Al-Azhar e suas casas de produção de mídia. O presidente al-Sisi convocou estudiosos da Universidade Al-Azhar para combater o radicalismo e introduzir reformas no ensino islâmico. Entretanto, em áreas rurais e empobrecidas, em particular, os imãs radicais e os gêneros de islamismo menos tolerantes estão crescendo em proeminência. O governo está fazendo esforços para reverter essa tendência, mas não tem sido muito bem-sucedido até agora.  

Cristãos no Egito relatam que, embora muçulmanos e cristãos tenham bastante contato no dia a dia, não pode ser chamada de uma coexistência pacífica. Embora todos falem a mesma língua, há uma considerável divisão causada pelos sistemas de crenças contrastantes. Muçulmanos radicais em zonas rurais, onde muitos cristãos vivem, promovem atitudes de rejeição em relação aos cristãos, o que é um terreno fértil para agressões, principalmente contra mulheres e crianças. Mulheres cristãs, sobretudo em zonas rurais, são alvo de grupos radicais islâmicos e, como resultado, sequestro para conversão, resgate e casamento forçado não é incomum. Além disso, quando a violência sectária emerge, conflitos são resolvidos com frequência usando os chamados “comitês de reconciliação habitual”. Entretanto, por causa de sua posição como minoria, “as sessões de reconciliação sempre parecem punir os cristãos, deixando os responsáveis muçulmanos com poucas consequências”. 

A Universidade Al-Azhar, umas das mais influentes universidades islâmicas do mundo, tem um lugar proeminente dentro da sociedade egípcia e até mesmo da Constituição. O Grã Imã Ahmed el-Tayyeb, da Al-Azhar, afirmou claramente que não há lugar no islã para muçulmanos se converterem ao cristianismo.  

Embora apenas poucos comentaristas vejam uma distinção étnica entre cristãos coptas e árabes islâmicos, cristãos e muçulmanos agem como dois grupos distintos na sociedade egípcia. Como em muitos outros países árabes, o pensamento tribal influencia fortemente a ideologia do grupo e isso pode facilmente levar à violência verbal e física contra aqueles de fora do grupo. No Alto Egito, por exemplo, muitos casos de violência de multidões acontecem quando cristãos tentam implementar o reconhecimento oficial de uma igreja. Nesses casos, há uma mistura de opressão islâmica e antagonismo étnico, que exigem que a minoria cristã opere cuidadosamente.

A Igreja Ortodoxa Copta se orgulha da tradição que nomeia o apóstolo Marcos como o fundador do cristianismo no Egito. Em Alexandria, uma igreja vibrante desenvolveu sua própria escola teológica no segundo século. Esse foi o lar do pai da igreja, Atanásio de Alexandria (373 d.C.), que foi um dos primeiros teólogos da igreja, conhecido principalmente por sua defesa de Deus como uma trindade. Inicialmente, a igreja era sobretudo um fenômeno grego nas cidades, mas a população egípcia original se voltou rapidamente para a nova fé também. O Egito se tornou o berço do monasticismo; o monastério de Santo Antônio se tornou um importante modelo para o monasticismo em toda a Europa. 

A perseguição sob a ocupação romana sempre foi severa no Egito. É por isso que o calendário copta começa no ano 284 d.C. — nesse ano, Diocleciano se tornou imperador de Roma e seu reinado foi marcado pela tortura e execução em massa de cristãos, principalmente no Egito. Depois que o cristianismo se tornou a religião do Império Romano, os cristãos coptas ficaram em maus lençóis com o Império, visto que sua teologia foi rotulada como herege no Conselho de Calcedônia (451 d.C.). Os exércitos árabes conquistaram o Egito em 639-646 d.C. e isso levou a mais períodos de severa perseguição sob o islã. A igreja focou em sobreviver ao invés de ter um papel público na sociedade. No século 10, os cristãos coptas reduziram em número, perfazendo cerca de metade da população. 

O papel colonial britânico no Egito (1882-1952) deu muita liberdade aos cristãos. Após a revolução de 1952, essa liberdade foi constantemente corroída e houve breves períodos em que os cristãos foram perseguidos, mas isso sempre foi um fenômeno local e não realizado pelo Estado. 

Atualmente, a vasta maioria de cristãos do Egito (mais de 90%) pertence à Igreja Ortodoxa Copta. A Igreja Católica Romana entrou no Egito no século 17 através da atividade missionária dos Capuchinhos e dos Jesuítas. Em 1847, os anglicanos começaram a trabalhar no país, seguidos pela Igreja Presbiteriana Reformada Associada, com sede nos Estados Unidos, em 1854. Muitos outros grupos de igrejas independentes e missionários seguiram, somando à rica variedade da vida da igreja egípcia.

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