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Portas Abertas • 22 fev 2025
A história de Zahra é uma inspiração para outras mulheres, pois ilustra o amor, a esperança e o propósito de Deus para cada uma
Cerca de três mil anos atrás, partes do Iêmen atual eram governadas pela rainha de Sabá, Belquis. Ela governou um reino que se estendia do Iêmen até a Etiópia atual, tendo Marib como capital. É irônico que uma terra que já foi governada por uma mulher agora é conhecida por negligenciar e marginalizá-las sob a sharia (conjunto de leis islâmicas). Em um dos lugares mais difíceis para ser mulher e viver como cristão, mulheres cristãs corajosas lutam contra as probabilidades para fazer a diferença na comunidade e restaurar o legado de grandes mulheres do Iêmen, no passado e presente. Deus tem capacitado suas filhas para servi-lo e alcançar o povo iemenita.
Na ainda pequena atividade da igreja no Iêmen, mulheres e homens encontram-se separados uns dos outros, afinal, culturalmente, é inaceitável que homens e mulheres estejam na mesma casa, a menos que sejam da mesma família. Sendo assim, se encontrarem no mesmo local geraria suspeitas. Então, as igrejas secretas devem seguir as normas culturais.
Como resultado dessa sociedade patriarcal, a maioria dos que vêm à Cristo são homens. “É difícil alcançar as mulheres, afinal, a maioria delas está confinada dentro de casa, fazendo serviços domésticos, cozinhando e cuidando das crianças. Elas também temem a repercussão gerada por ouvir e crer em algo que não seja o islamismo. As solteiras pensam no futuro: ‘Quem se casará comigo se eu não for muçulmana? E se for expulsa de casa? Como comerei? Onde viverei? E se meu irmão ou pai me baterem ou até me matarem por deixar o islamismo?’”, explica Odai, líder cristão no país.
Zahra é pioneira no ministério de mulheres no Iêmen e toca profundamente a vida das mulheres que alcança
Zain, outro líder cristão no Iêmen, acrescenta: “Como homem, não é fácil ter oportunidades para falar com mulheres sobre Cristo. As mulheres precisam alcançar umas as outras. E temos falta de líderes cristãs”. Além disso, mulheres que se engajam na educação ou falam em público enfrentam críticas porque isso pode ser interpretado como falta de respeito aos homens e que não obedecem às normas “esperadas”. Para mulheres cristãs, expressar sua fé pode levar a novos desafios e consequências severas, como confinamento (prisão domiciliar), sequestro, abuso e mesmo a morte – começando com os próprios membros da família e continuando com as autoridades.
Outro ministério indispensável no Iêmen é com as mulheres. A pioneira no ministério de mulheres iemenitas foi Zahra*, que lidera o ministério em sua cidade. Ela constrói relacionamento com mulheres engajando com elas na vida diária. “Eu visito mulheres em suas casas, as ajudo com seus afazeres domésticos, cozinho e passo tempo com elas. Com essas visitas, construo relacionamentos e sou capaz de levá-las a Cristo. Mas, para isso, preciso ouvir a voz de Deus diariamente em decisões como: ‘Devo ir a esse encontro hoje? Ou devo adiá-lo? Talvez devamos realizar nosso encontro online essa semana’. Nós precisamos da sensibilidade constante para ouvir a voz de Deus e ser capaz de fazer seu trabalho. Caso contrário, podemos arriscar tudo”, ela compartilha.
*Nome alterado por segurança.
Enquanto muitos buscaram refúgio fora do país, um pequeno remanescente ministra secretamente a fim de levar a verdade aos iemenitas, mesmo que sua conversão seja proibida. Permita que líderes cristãos recebam capacitação e recursos para desenvolver o ministério pastoral e cuidar da igreja local. Doe agora.