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Iêmen

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Iêmen
  • Tipo de Perseguição: Opressão do clã, opressão islâmica, paranoia ditatorial, corrupção e crime organizado
  • Capital: Saná
  • Região: Península Arábica
  • Líder: Abd Rabbuh Mansur Hadi
  • Governo: Em transição
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Árabe
  • Pontuação: 87


POPULAÇÃO
30,2 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
ALGUNS MILHARES

Como é a perseguição aos cristãos no Iêmen? 

Os cristãos no Iêmen geralmente mantêm a fé em segredo porque poderão enfrentar a pena de morte se forem descobertos. Deixar o islã é proibido e todos os iemenitas são considerados muçulmanos pelo Estado. Mas não são apenas as autoridades que perseguem os cristãos. Grupos extremistas islâmicos ameaçam os cristãos ex-muçulmanos com morte, e as tribos podem matar ou banir qualquer membro que se converta ao cristianismo. 

A guerra em curso, a crise humanitária e a pandemia da COVID-19 no Iêmen estão afetando todos os cidadãos, mas os cristãos são mais vulneráveis porque o auxílio emergencial é distribuído, principalmente, por organizações que usam líderes islâmicos e mesquitas locais para distribuir ajuda. Acredita-se que eles discriminam qualquer pessoa que não seja considerada um muçulmano devoto. Há relatos de cristãos iemenitas que tiveram tratamento em hospitais recusados.  

“Nós, cristãos, carregamos uma esperança que nos ajuda com a certeza de que o amanhã será melhor e, pela vontade de nosso Senhor, passaremos por isso e por todas as ansiedades e medos que nos cercam.” 

Nasser, cristão perseguido na Península Arábica 

O que mudou este ano? 

A perseguição continua extrema em quase todas as áreas da vida. Há, relativamente, poucos relatos de violência contra cristãos no Iêmen, embora isso tenha piorado um pouco no ano passado. No entanto, é quase impossível pesquisar e verificar ataques violentos por causa da guerra em andamento, do segredo que os cristãos devem manter a respeito da fé e do desafio da comunicação com eles. É muito provável que haja mais violência não relatada. 

Quem persegue os cristãos no Iêmen 

O termo tipo de perseguição é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Iêmen são: opressão do clã, opressão islâmica, paranoia ditatorial, corrupção e crime organizado.

Já afontes de perseguição são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Iêmen são: líderes de grupos étnicos, líderes religiosos não cristãos, parentes, cidadãos e quadrilhas, grupos religiosos violentos, grupos paramilitares, oficiais do governo.

Quem é mais vulnerável à perseguição no Iêmen? 

Cristãos ex-muçulmanos são os mais vulneráveis à perseguição e, agora, constituem a maior parte da população cristã no Iêmen, já que a guerra em curso levou muitos cristãos expatriados e migrantes a deixar o país. O Sul do país, onde existe uma forte presença da Al-Qaeda, é particularmente perigoso. 

Como as mulheres são perseguidas no Iêmen? 

As mulheres iemenitas têm poucos direitos e são monitoradas de perto, e as cristãs ex-muçulmanas são particularmente vulneráveis. Frequentemente, elasão mantidas longe de outras pessoas e, se a nova fé for descoberta, serão dadas como segunda ou terceira esposa a um muçulmano e mantidas como reféns no novo lar. O casamento forçado pode atingir até as meninas, pois não há idade mínima para o matrimônioAlém disso, a lei não reconhece o estupro conjugal como crime. Se uma mulher cristã for forçada a se divorciar de um muçulmano, é muito provável que ela perca a guarda dos filhos para o marido ou qualquer parente muçulmano. 

Como os homens são perseguidos no Iêmen 

Homens mais jovens são mais vulneráveis à perseguição do que os mais velhos, por causa da hierarquia da sociedade. Meninos de 10 anos podem ser forçados a se juntar milícias. Além disso, eles correm um risco maior do que as mulheres de serem mortos por causa da fé, sequestrados, torturados ou demitidos dos empregos. Os homens cristãos também são mais propensos a serem presos pelas autoridades locais e geralmente enfrentam perseguição na vida pública, enquanto as mulheres são mais propensas a enfrentar perseguição na vida privada.  

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Iêmen?  

A Portas Abertas apoia o corpo de Cristo na Península Arábica por meio de campanhas de oração pelos cristãos, distribuição de literatura cristã e treinamento de cristãos e pastores. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos? 

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a necessidade é mais urgente. 



Pedidos de oração do Iêmen 

  • Ore pelo povo iemenita que enfrenta a guerraenchentes, gafanhotos e COVID-19. Peça para que a paz chegue ao país e que as pessoas reconstruam as vidas. 
  • Clame pelos cristãos secretos e igrejas domésticas, para que tenham sabedoria e discernimento ao apoiarem os seguidores de Jesus. 
  • Interceda por aqueles que estão assumindo grandes riscos para fornecer discipulado aos novos convertidos. Ore por segurança enquanto eles viajam em áreas de conflito, e que Deus os use para levantar novos líderes em todas as partes do país. 

Um clamor pelo Iêmen 

Senhor, oramos por sua proteção sobre os cristãos no Iêmen. Pedimos que mostre a eles que sua verdadeira identidade não está na tribo a que pertencem, comunidade ou nacionalidade, mas em Jesus. Por favor, traga paz e estabilidade ao país e garanta que seus filhos sobrevivam à crise humanitária em curso. Nós oramos também para que uma igreja resiliente seja edificada no país.  

O Iêmen é um país relativamente “jovem”. Em 1990, o Norte do Iêmen baseado em clãs e o Sul comunista se fundiram após anos de conflito armado. Na parte norte do país, tem havido muita violência e luta tribal nos últimos anos. O clã houthi afirma lutar contra a corrupção do governo e pela restauração do domínio xiita. 

Desde a expulsão do ex-presidente, Ali Abdullah Saleh, em 2012, o Iêmen viu turbulências políticas e violência esporádica. No vácuo de poder, militantes e rebeldes — incluindo grupos afiliados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico — lutam para obter o controle do território. 

Em setembro de 2014, os protestos de houthis degeneraram em combates com forças rivais, como o Islah, o principal partido islâmico radical sunita do Iêmen. Em março de 2015, depois de assumir o aeroporto da capital do Iêmen em Saná, ministérios governamentais cruciais e áreas do Norte do país, os xiitas houthis forçaram o presidente, Abd Rabbuh Mansur Hadi, e seu governo ao exílio na Arábia Saudita. 

Em julho de 2015, as forças leais ao governo e às milícias do Sul recuperaram o controle de Áden, apoiadas pelas tropas e ataques aéreos da coligação sunita saudita, iniciada em março de 2015. A Arábia Saudita começou essa operação militar contra os houthis, em parte como uma tentativa de contrariar a influência do Irã em seu “quintal”. Em setembro de 2015, o presidente Hadi retornou a Áden. Conflitos entre forças aliadas houthi e grupos de resistência apoiados pela coalizão liderada pela Arábia Saudita continuaram em 2016. 

Em seu relatório de dezembro de 2019, o CIA Factbook (relatório do governo federal dos Estados Unidos) afirmou: “Em 2016, a Organização das Nações Unidas (ONU) negociou uma interrupção das hostilidades, o que reduziu ataques aéreos e lutas em todo o país e iniciou diálogos para a paz. No entanto, os diálogos terminaram sem acordo. Os houthis e o partido político do ex-presidente, Ali Abdullah Saleh, anunciaram um Conselho Político Supremo, em agosto de 2016, e um Governo Nacional da Salvação, incluindo um primeiro-ministro e várias dezenas de membros do gabinete, em novembro de 2016. O objetivo era governar em Saná e desafiar ainda mais a legitimidade do governo do presidente iemenita, Abd Rabbuh Mansur Hadi. Posteriores tentativas de paz também foram malsucedidas e nenhum dos lados teve ganhos decisivos, perpetuando o conflito e aprofundando as divisões entre o Norte e o Sul do país. Entre crescentes tensões entre houthis e Saleh, confrontos esporádicos aconteceram em meados de 2017 até que forças houthis mataram Saleh no começo de dezembro de 2017. Em 2018, forças anti-houthi fizeram o maior progresso no campo de batalha no Iêmen desde o começo de 2016, mais notavelmente em Al-Hudaydah. Em dezembro de 2018, os houthis e o governo do Iêmen participaram dos primeiros diálogos de paz negociados pela ONU. Em abril de 2019, o parlamento do Iêmen reuniu-se em Seiyoun pela primeira vez desde que o conflito eclodiu, em 2014, e elegeu um orador e vice-oradores”. 

“Em 14 de setembro de 2019, os houthis assumiram a responsabilidade por um ataque a instalações de petróleo sauditas que cortaram temporariamente quase 50% da capacidade de produção de petróleo do país. Riad, Washington e vários governos europeus acusaram o Irã pelo ataque e o fato de os houthis terem assumido a responsabilidade liga o grupo ainda mais a Teerã, aos olhos de seus oponentes” (International Crisis Group). 

Em agosto de 2019, forças separatistas aliadas aos Emirados Árabes Unidos tomaram a capital temporária do governo, Áden, reconhecida pela ONU, arriscando disputas internas entre a coalizão alinhada à Arábia Saudita. No entanto, em um movimento esperançoso, os separatistas e o governo assinaram um acordo de poder compartilhado em Riad para pôr fim ao conflito no Sul do Iêmen, em novembro de 2019. O acordo, que foi negociado pela Arábia Saudita, chegou após meses de combates na região, esperando formar um governo novo e estável, que pudesse lidar com o desafio das forças houthis apoiadas pelo Irã, principalmente na capital Saná e no Norte do país. 

Além disso, a Arábia Saudita deu passos para reduzir as tensões com os houthis ao estender o diálogo com os rebeldes e limitar ataques aéreos no Iêmen. Por sua vez, os houthis pararam todos os ataques na Arábia Saudita e está sendo discutida uma iniciativa saudita-houthi mais ampla para deter a escalada do conflito.

CENÁRIO POLÍTICO E LEGAL 

O Iêmen é uma república islâmica e a sharia (conjunto de leis islâmicas) é a principal fonte de lei. O governo tem uma câmara legislativa que é, em teoria, eleita a cada seis anos. As últimas eleições parlamentares foram em 2003 e uma eleição presidencial foi realizada em 2012, na qual o presidente em exercício foi o único candidato. O Economist Intelligence Unit (EIU) classifica o governo iemenita como “autoritário”. 

O Iêmen está sob ditatura pela maioria dos últimos 30 anos. Apesar de não ter enfrentado tantas atrocidades nas mãos de ditaduras como outros países, força tem sido usada tanto pública quanto particularmente para manter o poder. Dentro do contexto de conflito, o instinto de sobrevivência das partes em guerra é inevitavelmente forte. 

A contínua guerra no Iêmen é o resultado de várias lutas por poder local e nacional, agravadas por um conflito entre Arábia Saudita, Irã e Emirados Árabes Unidos. Isso levou a altos níveis de violência e ilegalidade, uma situação que é suscetível de aumentar a opressão sobre as minorias, inclusive os cristãos. Além disso, o Iêmen é atualmente o palco de quatros crises políticas entrelaçadas, envolvendo uma constelação de atores políticos e grupos armados que buscam poder, reconhecimento e influência.  

A situação no Iêmen é muito caótica devido à guerra civil, tornando incidentes violentos contra cristãos altamente subnotificados e difíceis de obter. Os níveis atuais de luta no país (e a suspeita geral de pessoas que coletam informações) afetaram seriamente a coleta e a verificação de dados. Por razões de segurança, poucos detalhes podem ser publicados. 

Devido à guerra civil, não se espera que novas eleições sejam realizadas a curto prazo. A administração está dividida. Reportagens da mídia afirmam que “os houthis continuaram a exercer controle sobre o parlamento em Saná, e apesar da fuga de muitos parlamentares, continuaram a decretar baseados em sua própria agenda legislativa. Grupos terroristas, como o Estado Islâmico (EI), assim como outras milícias e grupos separatistas continuam a contribuir para a violência”. Como diz o Economist Intelligence Unit (EIU) em sua análise da estrutura política do Iêmen: “Nas áreas controladas pelos rebeldes houthis, o Comitê Revolucionário gerencia os ministérios e as agências públicas. O governo de Hadi opera em partes de Riad e em partes de Áden, onde a segurança é fraca, e não está claro qual a capacidade do governo para governar no próprio país”. 

O EIU resume a situação política da seguinte maneira: “Embora a grande atenção internacional sobre o Iêmen aumente os pedidos pelo fim do conflito, prospectos de paz ainda são pequenos. A falta de incentivo para os rebeldes houthis negociarem e a não aceitação da Arábia Saudita de ter um representante iraniano percebido em suas fronteiras, na forma de houthis, significa que há pouco em comum. Além disso, mesmo que um acordo fosse alcançado, a atual presença da Al-Qaeda e os crescentes chamados para o separatismo do Sul significarão que o conflito continuará”. 

De acordo com um relatório do Freedom of Thought, o governo e a Constituição iemenita são avaliados como tendo grandes violações: “O islamismo é a religião oficial do Estado e a Constituição afirma que a lei islâmica é a fonte de toda legislação. Liberdade de religião, expressão e imprensa são todas severamente restringidas. O Iêmen é membro da Liga dos Estados Árabes assim como da Organização de Cooperação Islâmica”.  

A organização de advocacy Middle East Concern reporta sobre o cenário legal: “O Estado de direito é fraco no Iêmen, com algumas variações na prática de acordo com as tradições tribais e diferentes interpretações da lei islâmica. A Constituição do Iêmen de 1994 estabelece o islamismo como a religião do Estado e como a única fonte de legislação. A Constituição assegura o princípio de não discriminação, protege a liberdade de pensamento e expressão de opinião e estabelece a inviolabilidade de lugares de culto, tudo dentro dos limites da lei. Blasfêmia, difamação de religiões e proselitismo não islâmico são proibidos. Apostasia é crime, podendo ser punida com morte para os apóstatas que se recusarem a renegar a fé cristã. Leis islâmicas de status pessoal se aplicam, inclusive a proibição de casamento entre um muçulmano e um apóstata ou entre uma mulher muçulmana e um homem não muçulmano. Estrangeiros que moram no Iêmen são geralmente livres para conduzir cultos não islâmicos em privado, mas não há nenhum processo de registro formal para grupos religiosos não islâmicos e o governo não autoriza a construção de lugares de culto não islâmico há muitos anos”. 

CENÁRIO RELIGIOSO 

De acordo com estatísticas do World Christian Database, cerca de 65% da população é de muçulmanos sunitas, primariamente no Sul e Leste, e cerca de 35% são xiitas localizados majoritariamente no Noroeste do país. Cristãos são uma minoria minúscula, ex-muçulmanos em sua maioria. Proselitismo de muçulmanos e conversão são considerados ilegais; se um convertido for descoberto, será forçado pela comunidade islâmica local a reportar sua conversão às autoridades. Isso naturalmente detém os cristãos de tornar a fé conhecida em público de qualquer forma. 

Cidadãos muçulmanos têm mais direitos que seguidores de outras religiões. O país acata as mais estritas interpretações do islã. Deixar o islamismo para se converter a outra religião é proibido pelo islã e pela lei federal. Cristãos ex-muçulmanos podem enfrentar pena de morte (apesar de, geralmente, não ser implementada pelo governo, mas por radicais muçulmanos, com o governo fazendo vistas grossas) se a nova fé for descoberta. Embora focando a atenção em eventos políticos, oficiais do governo continuam a intimidar os cristãos mesmo em meio à situação caótica de guerra. Opressão é mais sentida vinda de militantes islâmicos que têm mais liberdade para operar. 

O islamismo está entrelaçado com a identidade étnica. Existem muitas áreas no Iêmen onde os anciãos tribais aplicam a lei e a justiça de acordo com suas tradições baseadas no islã, independentemente do que diz a Constituição ou o governo nacional. Além disso, é improvável que o governo intervenha em conflitos intertribais, mesmo que as tribos causem dano físico ou aprisionem pessoas. 

Como outros civis, os cristãos sofrem muito com a guerra e com a crescente influência dos militantes islâmicos, o que aumenta a posição já vulnerável dos cristãos nativos. Os edifícios onde cristãos ou estrangeiros de países cristãos estavam trabalhando foram alvo no decorrer do conflito.  

Alguns cristãos ex-muçulmanos sofreram abuso físico ou mental e vários cristãos tiveram que se mudar para outros lugares do país, às vezes retornando mais tarde, e alguns cristãos teriam deixado o país. A motivação para fugir pode variar do medo de assassinato (por sua fé) a razões relacionadas à guerra e são frequentemente uma combinação. A maioria das famílias fica com tanta raiva e vergonha por descobrir que um membro da família deixou o islã que está pronta para matar, possivelmente por meio de um parente radical ou de um grupo militante local. 

Middle East Concern reporta: “O atual conflito, a instabilidade política e a crise humanitária afetam todos no Iêmen profundamente. Pressões adicionais enfrentadas pelos cristãos vêm principalmente de agentes não estatais, dada a fraca aplicação do Estado de direito em muitas partes do país. Os que escolhem deixar o islã provavelmente enfrentam forte pressão social e familiar, que em casos extremos podem incluir repostas violentas de membros da família. Enquanto apóstatas enfrentam a possível pena de morte sob o Código Penal, não há exemplos de execuções judiciais por apostasia em anos recentes. Entretanto, há relatos ocasionais verificados de assassinatos extrajudiciais por apostasia pela comunidade ou grupos extremistas. A ameaça de grupos militantes islâmicos violentos é significativa em parte do país onde grupos como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico são fortes, especialmente para quem deixa o islamismo”. 

CENÁRIO ECONÔMICO 

Altamente dependente da ajuda externa, o país é muito vulnerável a fatores econômicos externos. Por exemplo, a queda nos preços do petróleo afeta a ajuda financeira dos aliados do Golfo para a reconstrução. O Banco Mundial classifica a economia iemenita na categoria “baixa renda”. Um terço da população do Iêmen está desnutrida, inclusive 2,9 milhões de mulheres e crianças. Mesmo antes da guerra, mais de 45% viviam abaixo da linha de pobreza oficial.  

A situação do Iêmen é considerada uma crise humanitária contínua. Cerca de 80% dos iemenitas dependem de ajuda humanitária, que em geral é canalizada através das tribos e linhas familiares, das quais os cristãos são comumente desconectados.De acordo com um relatório do Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas: “Se a guerra continuar até 2022, o Iêmen será o país mais pobre do mundo, com 79% da população vivendo abaixo da linha de pobreza e 65% classificados como extremamente pobres”.  

Existe um desemprego desenfreado e 80% da população depende da ajuda humanitária. Os preços das commodities, como água e farinha, aumentaram. Nas cidades assediadas, o aumento de preços foi de 5.000%. Os suprimentos de eletricidade e água descontinuaram na maioria das áreas. Mesmo que a guerra pare, o Iêmen enfrenta desafios a longo prazo, incluindo a diminuição dos recursos hídricos, grande desemprego e uma alta taxa de crescimento populacional. Nas próximas duas décadas, Saná poderá ficar seca devido à alta demanda de água da cidade e falta de chuva para manter o nível da água subterrânea alto. 

Fragile States Index (FSI) mostra que os indicadores econômicos continuam a piorar.  

CENÁRIO SOCIOCULTURAL 

A sociedade do Iêmen é conservadora, muçulmana e tribal. A sociedade tribal permanece muito forte, e o governo é uma instituição secundária para as formas tradicionais de governança tribal. O governo não intervém em conflitos intertribais, mesmo que as tribos causem danos físicos ou prendam os membros.  

Leis e costumes tribais proíbem membros de sair da tribo ou, no caso das mulheres, proíbem que elas se casem com pessoas de outra tribo, principalmente com um cristão. Alguns chefes tribais têm seu próprio exército cujos combatentes são radicais e anticristãos. 

O conflito contínuo, instabilidade política e a fraca aplicação do Estado de direito em muitas partes do país significam que a pressão enfrentada pelos cristãos, inclusive os ex-muçulmanos, no Iêmen vem principalmente de agentes não ligados ao Estado — inclusive família ou fontes tribais, mas também grupos radicais islâmicos. Em ambos os casos, a aplicação de valores islâmicos é a principal motivação — o islã é uma parte-chave da identidade das tribos iemenitas, enquanto organizações militantes como Al-Qaeda da Península Arábica (AQAP) e Estado Islâmico (EI) buscam implementar uma forma puritana do islã. 

De acordo com as estatísticas do World Christian Database (WCD), mais de 99% da população é muçulmana, cerca de 65% são sunitas, principalmente no Sul e Leste, e cerca de 35% são xiitas, localizados no Noroeste do país. A guerra atual evolui em torno do conflito sunita-xiita, com Arábia Saudita e Irã envolvidos também. 

A lei e o direito tribais proíbem os membros da tribo de deixá-la, sendo o castigo para isso a morte ou o banimento. Um pesquisador de campo relata: “O islã é uma identidade que abrange todas as tribos no Iêmen, e é a tribo que muitas vezes ‘faz justiça’ em relação àqueles que procuram abandonar o islã”. 

O Índice de Desenvolvimento Humano reporta 8,8 anos para a escolaridade. Além disso, o Iêmen é o país mais pobre da Península Arábica e encontra-se no meio de uma devastadora catástrofe humanitária. As condições do país do ponto de vista humano e econômico são tão ruins que levará anos para se recuperar.

Séculos antes do advento do islã, a Península Arábica tinha um número considerável de judeus e sinagogas, cristãos (provavelmente os nestorianos) e templos de igrejas. Há pelo menos duas tradições sobre como o cristianismo chegou à Península Arábica. De acordo com uma tradição, o bispo Teófilo Indus foi enviado pelo Imperador Bizantino ao Reino do Iêmen de Himyar em 356 d.C., e ele fundou a primeira igreja conhecida em Áden e outras duas no Norte. Também houve atividades missionárias bem-sucedidas da Síria, de modo que, durante o século 6, o Iêmen teve bispos, sacerdotes, monges e mártires, como qualquer outra nação cristã. Havia uma grande catedral em Saná. 

As liberdades dos cristãos foram interrompidas quando o rei Dhu Nuwas se converteu ao judaísmo. Ele realizou um grande massacre da população cristã. Os sobreviventes pediram ajuda ao Império Bizantino, que enviou um exército de Aksum (Etiópia) atravessando o Mar Vermelho na direção do Iêmen em 520 d.C. Esse exército, ajudado por cristãos árabes, conquistou o Iêmen, matou Dhu Nuwas e realizou um massacre dos judeus. Um rei cristão foi instalado no trono. Em 570 d.C., o Império Persa conquistou Áden. Relata-se tradicionalmente que Badhan, o quinto e último rei persa do Iêmen, se converteu ao islamismo em 628 d.C. e o Iêmen caiu sob o domínio político do islã desde essa época. 

Nos séculos seguintes, a Península Arábica se tornou majoritariamente islâmica e o cristianismo perdeu significância. Durante 13 séculos, o papel histórico do cristianismo na região foi esquecido e era difícil imaginar que qualquer outra religião pudesse coexistir com o islã em seu local de nascimento. Em 1839, a Grã-Bretanha tomou Áden, enquanto os otomanos ocupavam o Norte do Iêmen em 1849. Isso levou a uma separação entre Iêmen do Sul e Iêmen do Norte, que durou mais de um século. No final do século 19, o primeiro missionário ocidental, um escocês, chegou ao Iêmen. Nos anos seguintes, um serviço médico foi estabelecido, o que abriu o caminho para comunicar a fé cristã. No Norte do Iêmen, qualquer acesso para a igreja era impossível até 1960, devido à inacessível natureza do país. 

Em 1990, o Norte e o Sul se unificaram em uma só república. Sob os britânicos, a igreja pôde voltar a Áden e ao Sul para servir os britânicos e outros estrangeiros e para desenvolver trabalho social entre os iemenitas. 

Antes da atual guerra civil no Iêmen, que começou em 2015, havia milhares de estrangeiros cristãos morando no país, geralmente trabalhando em desenvolvimento, que tinham permissão para cultuar em algumas igrejas em Áden e Saná. A maioria desses cristãos foi forçada a sair do país devido à situação de perigo. Algumas igrejas foram saqueadas. Devido ao estado de guerra, apenas cristãos iemenitas nativos, ex-muçulmanos em sua maioria, ficaram no país. 

REDE ATUAL DE IGREJAS 

Pelo menos 95% da igreja no Iêmen é composta de convertidos do islã. Eles enfrentam perseguição das autoridades, o que inclui detenções e interrogatórios, da família e de grupos radicais islâmicos, que ameaçam de morte os considerados apóstatas se eles não se reconverterem. Leis tribais proíbem que os membros saiam da tribo e a punição por abandonar o islamismo pode ser morte ou expulsão.  

Embora existam apenas alguns milhares de cristãos iemenitas, houve um crescimento nos números, o que significa que mais conselhos e apoio locais estão disponíveis para novos cristãos do que antes. A vulnerabilidade para cristãos ex-muçulmanos permanece muito alta em todo o país devido a uma combinação de 1) atitudes tradicionais da família, comunidade e tribos; 2) a impunidade com a qual grupos islâmicos radicais são capazes de operar; e 3) a recusa das autoridades do Estado em tolerar qualquer forma de dissidência, temendo que isso leve a uma maior desestabilização.

A Constituição declara que o islamismo é a religião do Estado e a sharia é a fonte de toda legislação

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