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Iêmen

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Iêmen
  • Tipo de Perseguição: Opressão do clã, opressão islâmica, paranoia ditatorial, corrupção e crime organizado
  • Capital: Saná
  • Região: Península Arábica
  • Líder: Rashad Muhammad al-Alimi
  • Governo: Em transição
  • Religião: Islamismo
  • Idioma: Árabe
  • Pontuação: 89


POPULAÇÃO
31,1 MILHÕES


POPULAÇÃO CRISTÃ
ALGUNS MILHARES

DOAR AGORA

R$

Como é a perseguição aos cristãos no Iêmen?  

É extremamente perigoso ser cristão no Iêmen, devido às rígidas leis islâmicas do país e à presença de grupos militantes islâmicos. 

A população é esmagadoramente muçulmana e é ilegal se converter do islamismo para o cristianismo. O Iêmen é fortemente tribal e leis tribais proíbem membros da tribo de partir.  Iemenitas que se convertem ao cristianismo correm grandes riscos de serem não apenas isolados ou expulsos pela família, clã e tribo, mas também mortos. 

Grupos extremistas islâmicos, como a Al-Qaeda e o autoproclamado Estado Islâmico, ameaçam os considerados “apóstatas” de morte se não voltarem ao islamismo. Em algumas áreas, incluindo as controladas pelos houthis, convertidos correm risco de prisão. Segundo relatos, em centros de detenção, cristãos detidos sofrem tortura física e mental. 

A maioria dos cristãos de origem muçulmana escolhem praticar a fé secretamente. Eles não podem se reunir, por causa do aumento do medo de que vizinhos os denunciarão às autoridades locais. Mostrar símbolos cristãos pode levar diretamente a prisão, abuso físico ou mesmo execução. 

Todos os iemenitas são afetados pela crise humanitária causada pela atual guerra civil, mas cristãos iemenitas são ainda mais vulneráveis já que a ajuda emergencial é, em sua maioria, distribuída por meio de muçulmanos locais e mesquitas, que supostamente discriminam todos os que não são considerados muçulmanos devotos. A influência de militantes islâmicos também é somada à vulnerabilidade já existente dos cristãos nativos. 

“Quando me converti, eu achei que era o único cristão no Iêmen. Por muito tempo, eu não conhecia nenhum outro cristão iemenita.” 

Mohammad (pseudônimo), cristão do Iêmen 

O que mudou este ano?  

O Iêmen subiu duas posições na Lista Mundial da Perseguição devido a um leve aumento no número de incidentes violentos relatados contra cristãos, tais como oposição e limitações experimentadas por reuniões informais. A pressão aos convertidos está em nível extremo em todas as esferas da vida. Cristãos no Iêmen enfrentam abuso físico e mental, assédio e violência sexual, bem como casamentos forçados. 

Quem persegue os cristãos no Iêmen?   

O termo “tipo de perseguição” é usado para descrever diferentes situações que causam hostilidade contra cristãos. Os tipos de perseguição aos cristãos no Iêmen são: opressão do clã, opressão islâmica, paranoia ditatorial, corrupção e crime organizado. 

Já as “fontes de perseguição” são os condutores/executores das hostilidades, violentas ou não violentas, contra os cristãos. Geralmente são grupos menores (radicais) dentro do grupo mais amplo de adeptos de uma determinada visão de mundo. As fontes de perseguição aos cristãos no Iêmen são: líderes de grupos étnicos, líderes religiosos não cristãos, parentes, cidadãos e quadrilhas, grupos religiosos violentos, grupos paramilitares, oficiais do governo. 

Quem é mais vulnerável à perseguição no Iêmen?  

Há uma forte presença da Al-Qaeda em áreas rurais no Sul, o que as torna particularmente perigosas para os cristãos. Convertidos do islamismo para o cristianismo também indicaram que há mais pressão nas áreas controladas por xiitas houthis no Norte do que em áreas controladas pelo governo sunita hadi. 

Como as mulheres são perseguidas no Iêmen?  

O Iêmen é uma sociedade fortemente patriarcal no qual espera-se que as mulheres obedeçam aos homens. Uma mulher que se converte ao cristianismo é considerada desobediente e antagonista, e sua conversão traz vergonha para toda a família. As atividades e o celular dela serão monitorados de perto, tornando quase impossível para ela praticar a fé. Em casos extremos, uma mulher pode ser abusada sexualmente ou até mesmo morta para supostamente “restaurar a honra” da tribo ou da família. 

As mulheres não podem deixar o país para explorar a fé em outro lugar. Os movimentos delas são restritos e precisam de permissão de seu guardião homem. 

Mulheres cristãs também enfrentam a perigosa ameaça de anfal (nome da oitava sura ou capítulo do Alcorão e significa despojos ou espólios) que permite que não muçulmanas sejam tratadas como escravas e sejam abusadas sexualmente como parte dos espólios de guerra. 

Como os homens são perseguidos no Iêmen?   

Todos os homens, incluindo cristãos, podem ser forçados a se unir às milícias se estiverem em idade militar. A “idade militar” é interpretada nos termos mais amplos possíveis e meninos de apenas sete anos são recrutados. Quando meninos são arrastados para o exército e a guerra, isso afeta sua educação e futuro — não apenas por causa da quantidade de tempo que isso toma de suas vidas, mas também por causa do ambiente islâmico altamente controlado onde o treinamento ocorre. 

Se a fé deles é descoberta, homens cristãos podem ser aprisionados, detidos ou até mesmo mortos. Sem a renda do homem, a família experimenta significativas dificuldades financeiras e se torna vulnerável a exploração. Homens presos têm dificuldades psicológicas devido à perda do status na comunidade e o risco de ser isolado. Considerando essas pressões, muitos homens cristãos escolhem fugir para outro país. 

O que a Portas Abertas faz para ajudar os cristãos no Iêmen?   

A Portas Abertas apoia o corpo de Cristo no Iêmen distribuindo ajuda emergencial e literatura cristã, oferecendo abrigo, proteção e treinamento de subsistência para cristãos perseguidos e seus parentes. 

Como posso ajudar os cristãos perseguidos no Iêmen?  

Além de orar por eles, você pode ajudar de forma prática doando para os projetos da Portas Abertas de apoio aos cristãos perseguidos. Doando para esta campanha, sua ajuda vai para locais onde a perseguição é extrema e a necessidade é mais urgente.  

QUERO AJUDAR

Pedidos de oração do Iêmen 

  • Interceda pelos cristãos secretos que ainda escolhem seguir a Cristo, apesar dos perigos iminentes.  
  • Ore para que a ajuda humanitária chegue a todas as pessoas em necessidade, incluindo os que estão à margem da sociedade.  
  • Clame para que Deus mude a atmosfera de controle e desconfiança para que todos os iemenitas vivam em segurança e com abertura e liberdade.  

Um clamor pelo Iêmen 

Pai celestial, traga estabilidade para este país que já sofreu tantos conflitos. Proteja aqueles cristãos que confiam em no Senhor em segredo. Aproxime-se deles e os lembre de seu amor. Garanta provisão para pessoas que vivem na pobreza e dê a elas uma porção suficiente de ajuda emergencial. Traga reconciliação às facções em conflito e restaure a paz nesta terra. Fortaleça a igreja secreta. Amém. 

 

O Iêmen é um país que fica no Sudoeste da Península Arábica. Por causa da terra fértil e do comércio próspero, abrigou muitos reinos antigos, como os impérios Otomano e Saudita e os reinos de Sabá e de Hadramaute. Os romanos chamavam a região de Arabia Felix, ou seja, Arábia próspera, para distinguir da Arabia Deserta, a parte árida da Península Arábica. 

Por ser uma região de grande trânsito comercial, o Iêmen teve contato com gregos, romanos, indianos, indonésios e chineses no período pré-islâmico, que deixaram marcas na cultura e na história iemenitas. O país já foi uma das sátrapas do Império Persa também. Após o avanço do islamismo no país durante o século 6, a cultura iemenita foi intensamente impactada pelo islamismo zaidista, uma linha sectária muçulmana que moldou a nação durante quase mil anos. Nesse período, diversos governos locais e até países próximos, como o Egito e Arábia Saudita, disputavam o controle da nação. 

Unificação nos anos 1990 

Em 1990, após anos de conflito armado, o Norte do Iêmen baseado em clãs e o Sul comunista se fundiram, formando a moderna República do Iêmen. As duas regiões viveram histórias muito distintas. Enquanto o Norte não fez parte das colônias europeias e era governado por imãs, o Sul foi dominado pelo Império Britânico entre 1839 e 1967.  

A unificação tinha como objetivo aumentar os lucros com a exploração do petróleo e auxiliar a parte Sul, que perdeu o apoio da União Soviética quando Mickail Gorbachev iniciou a dissolução da União Soviética. Porém, depois da unificação, o Iêmen passou a enfrentar corrupção crônica e dificuldades econômicas.  

A Constituição do país foi elaborada no ano da unificação e definiu que o Iêmen seria uma democracia parlamentarista. Assim, o presidente é escolhido por voto popular, apesar da fragilidade e das interferências do governo central nas eleições locais. 

A integração ao governo socialista do Sul causou conflitos com o Norte, onde a economia capitalista predominava. Anos antes da unificação, na década de 1970, o governo do Sul havia tornado quase todas as terras propriedades do Estado e estatizado diversas empresas. Nesse período, a mídia e organizações não governamentais passaram a enfrentar perseguição.  

Relações internacionais 

Por volta de 1998, a Eritreia iniciou um conflito e capturou forças iemenitas. Por medo do afastamento de investimento internacional, as duas nações assinaram um acordo para encerrar o conflito armado. Apesar da relação apaziguada momentaneamente, na década seguinte, os dois países tiveram alguns embates. Do outro lado da fronteira, a relação com a Arábia Saudita seguia o mesmo caminho, com acordos e embates. 

Depois do colapso da União Soviética, o Afeganistão, que era o centro de atividades dos terroristas islâmicos, perdeu apoio e força; dessa forma, muitos extremistas se abrigaram e continuaram as ações terroristas e bombardeios a partir do Iêmen. Eles também aderiram aos protestos para derrubar o presidente Saleh. 

Após a unificação, Ali Abdullah Saleh, que promoveu a união e governava o Norte, passou a administrar o Iêmen unificado. Ele permaneceu no governo entre 2003 e 2012, sendo o único candidato em todas as eleições e recebeu forte oposição de movimentos contrários à unificação que, regularmente, causavam novas rebeliões no país.  

Primavera Árabe e raízes do conflito atual 

A Primavera Árabe, onda de protestos contra governos autoritários no Norte da África e Oriente Médio, chegou ao Iêmen e aumentou a pressão sobre Saleh. Os conflitos se tornaram uma guerra civil intensa que desencadeou muitas mortes e uma das maiores crises humanitárias da história.  

O presidente, Ali Abdullah Saleh, abdicou ao cargo em 2012, mas a nação continuou sob conflito. O Iêmen viu turbulências políticas e violência esporádica. No vácuo de poder, militantes e rebeldes — incluindo grupos afiliados à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico — lutam para obter o controle do território. No mesmo período, o país viveu escassez de alimentos, de água e de itens básicos.  No começo de 2015, os xiitas houthis tomaram Saná, a capital do Iêmen, e forçaram o presidente interino, Abd Rabbuh Mansur Hadi, e seu governo ao exílio na Arábia Saudita. 

Em julho de 2015, as forças leais ao governo anterior e às milícias do Sul recuperaram o controle da cidade de Áden, apoiadas pelas tropas e ataques aéreos da coligação sunita saudita. A Arábia Saudita começou essa operação militar contra os houthis, em parte, como uma tentativa de contrariar a influência do Irã em seu “quintal”. Em setembro de 2015, o presidente Hadi retornou a Áden. Conflitos entre forças aliadas houthi e grupos de resistência apoiados pela coalizão liderada pela Arábia Saudita continuaram em 2016. 

Em seu relatório de dezembro de 2019, o CIA Factbook (relatório do governo federal dos Estados Unidos) afirmou: “Em 2016, a Organização das Nações Unidas (ONU) negociou uma interrupção das hostilidades, o que reduziu ataques aéreos e lutas em todo o país e iniciou diálogos para a paz. No entanto, os diálogos terminaram sem acordo”.  Entre crescentes tensões entre houthis e Saleh, confrontos esporádicos aconteceram em meados de 2017 até que forças houthis mataram Saleh em dezembro de 2017.  

Em 2018, forças anti-houthi fizeram o maior progresso no campo de batalha no Iêmen desde o começo de 2016, mais notavelmente em Al-Hudaydah. Em dezembro de 2018, os houthis e o governo do Iêmen participaram dos primeiros diálogos de paz negociados pela ONU, seguidos de outros encontros, sem resolução. Em agosto de 2019, forças separatistas aliadas aos Emirados Árabes Unidos tomaram a capital temporária do governo, Áden, reconhecida pela ONU, arriscando disputas internas entre a coalizão alinhada à Arábia Saudita. No entanto, em um movimento esperançoso, os separatistas e o governo assinaram um acordo de poder compartilhado em Riad para pôr fim ao conflito no Sul do Iêmen, em novembro de 2019. No entanto, a paz ainda não está assegurada. 

Os rebeldes houthis fizeram significativos avanços territoriais em diversas províncias. Houve batalhas intensas, incluindo ataques aéreos massivos da força aérea saudita.  Entretanto, a unidade do governo não exerce controle efetivo sobre boa parte do país.

Desde meados de setembro de 2021, houve muitas manifestações públicas no Sul, com frequência levando a violência nas ruas. Essa agitação civil é impulsionada principalmente pela deterioração das condições de vida, o que tornou necessidades básicas, como comida, inacessíveis para muitos. 

Durante a pandemia da COVID-19, os ocidentais (cristãos) e outros estrangeiros foram culpados de transmitir o vírus da COVID-19. Isso tornou o ambiente ainda mais hostil para os cristãos. 

Diversas campanhas de difamação por meio de agências de notícias, mídias sociais e rádios “alertaram” a população contra cristãos no país nesse período. Organizações cristãs que provêm ajuda humanitária foram acusadas de oferecer assistência com objetivo de atrair pessoas para a fé. 

Além disso, o Iêmen foi afligido por gafanhotos, cólera e enchentes. Devido à falta de recursos, ONGs internacionais não puderam auxiliar o país com a assistência humanitária necessária. Há pouca comunicação entre o Norte e o Sul, e algumas vezes há até mesmo políticas divergentes na mesma cidade, aprofundando as divisões entre o Norte e o Sul do país.  

O país é fragmentado por divisões políticas, religiosas, tribais e geográficas que muitas vezes motivam conflitos violentos. O Iêmen enfrentou um colapso econômico depois da Guerra do Golfo Pérsico e repetidos conflitos internos violentos de disputa do controle que envolveram violações dos direitos humanos e protestos constantes.  

O Iêmen é um país em que predomina o relevo montanhoso e o clima árido. A população fala vários dialetos do árabe e a maioria da população é muçulmana. Também é conhecido pelo fornecimento de incenso e mirra, além de outras especiarias asiáticas. O Iêmen também foi o primeiro lugar a cultivar café (gahwah, em árabe) para fins comerciais e durante anos dominou esse mercado. A cidade portuária de Mocha, que deu origem a um estilo de café específico, foi um grande centro desse tipo de comércio entre os séculos 16 e 18. 

Mesmo durante o período colonial, o Iêmen foi uma das partes mais isoladas do mundo. Ainda hoje, poucos estrangeiros se aventuram pelo interior acidentado iemenita. Apesar de remoto, o Iêmen é um país com muitas paisagens belas e pitorescas, com espaços vivos e verdejantes, incomuns na Península Arábica. 

O país faz fronteira ao Norte com Omã e a Arábia Saudita e até o ano 2000 diversas regiões da parte desértica do país não estavam demarcadas com os países vizinhos. Já ao Sul, é rodeado pelo Golfo de Áden e pelo Mar da Arábia e, ao Oeste, pelo Mar Vermelho.  

Diferenças e conflitos entre Norte e Sul 

A maior parte da população iemenita se considera árabe, mas continua dividida entre nortistas e sulistas, uma fragmentação histórica que tem raízes linguísticas e cuja compreensão nem sempre é simples.  

Os iemenitas do Norte, por exemplo, alegam ter origem na Mesopotâmia, que dominou o Iêmen durante o primeiro milênio e dizem ser descendentes de Ismael, um dos personagens bíblicos. O grupo do Sul representa o remanescente do Sul da Arábia e alega ser descendente de outro personagem bíblico, Joctã. As minorias étnicas incluem os mahra, que ocupam uma parte do Leste do Iêmen e falam a língua himiarita, e os akhdan, descendentes dos imigrantes da Etiópia e da Somália que durante séculos povoaram a costa do Iêmen. No Norte, um remanescente da comunidade judaica, que migrou de Israel depois de 1948, e no Leste, comunidades somali, indonésias e indianas, vindas durante a invasão britânica, fazem parte do tecido social. 

A organização em clãs é parte essencial da identidade do Iêmen e orienta a estrutura política e social do país. Depois da independência, governantes do Sul e de parte do Norte do Iêmen decidiram erradicar tudo que fosse considerado uma ameaça a essas instituições culturais, ou seja, o estrangeiro.  

Apesar de 90% dos iemenitas falarem algum dos dialetos árabes como primeira língua, nas escolas, é ensinado o árabe moderno.  Algumas oscilações nos dialetos aparecem conforme a região geográfica. Nas áreas rurais do Sul, predomina a influência dos ancestrais do Sul da Arábia. Os dialetos judaico-árabes, hindi e somali aparecem nas comunidades de imigrantes no país. Muitos dialetos semíticos antigos, incluindo bathari, mehri e socotri continuam sendo usados na oralidade, mas vêm perdendo espaço conforme a alfabetização prioriza as línguas modernas.  

A hierarquia social no Iêmen se baseia na religião e na proximidade entre as linhagens das famílias. O islã é a religião oficial do país, predominando os sunitas. A comunidade não muçulmana é muito pequena e consiste em grande parte por trabalhadores e imigrantes. A Constituição assegura o princípio de não discriminação e estabelece a inviolabilidade de lugares de culto. Blasfêmia, difamação de religiões e proselitismo não islâmico são proibidos.  

Apostatar do islamismo também é crime, podendo ser punido com morte. Além da maioria muçulmana, há também uma minoria significativa hindu de mais de 200 mil, a maioria deles imigrantes da Índia e do Nepal. 

Desigualdade entre homens e mulheres 

A sociedade é desigual entre homens e mulheres. Mulheres que geram meninos são privilegiadas socialmente. O nascimento de um menino no Iêmen é um grande evento, envolve muitas celebrações e tem valor em detrimento das meninas. Apenas um terço das meninas têm acesso à educação básica e as mulheres cumprem o papel de administrar a casa e criar os filhos. Nas áreas rurais, elas também participam do trabalho nas plantações e fazendas. 

A cultura é patriarcal, sendo o homem mais velho da família que toma as decisões mais importantes em nome de toda a família e, legalmente, os homens podem ter até quatro esposas ao mesmo tempo, mas são casos raros. A maioria dos casamentos são arranjados e acontecem antes da maioridade, geralmente entre primos para manter a linhagem de cada família ou tribo. Os laços consanguíneos determinam privilégios ou desconfiança. As famílias são muito próximas e são a prioridade das pessoas na hora de tomar decisões, em segundo lugar vem a fidelidade à tribo, ou seja, aos ancestrais.  

Pobreza e dependência econômica 

O Iêmen é predominantemente rural, com aproximadamente dois terços da população no interior e a agricultura ainda é a principal atividade econômica. Apesar dos avanços econômicos que a exploração de petróleo gerou em 1970, a nação continua sendo uma das mais pobres e subdesenvolvidas do mundo. O país depende de programas das Nações Unidas para garantir saúde e educação enquanto enfrenta fome e inflação. 

Apenas 3% das terras iemenitas são cultiváveis. Antes da unificação, o Norte conseguia suprir a própria necessidade de alimentos, mas depois da unificação com o Sul, o Iêmen precisou importar alimentos para suprir a necessidade nacional. Por causa da insegurança política e econômica, mais de um milhão de homens jovens e adultos saíram do país para procurar trabalho em nações vizinhas como a Arábia Saudita.  

Nas áreas rurais do Iêmen, a autoridade do Estado é fraca. Disputas entre tribos envolvem violência com recorrência. A cultura do país é armamentista. Toda família tem ao menos uma arma em casa. Homens e meninos carregam armas de fogo ou punhais em cintos à vista em público, especialmente nas áreas rurais. Elas servem como símbolos de status nas hierarquias tribais. Alguns chefes tribais têm seu próprio exército cujos combatentes são radicais e anticristãos. 

O país também é conhecido pela arquitetura tradicional árabe, com construções em pedras no interior das montanhas e pela cultura oral que prevalece tanto nos provérbios, como nas histórias populares e na poesia. Tanto por causa do controle estatal no Sul quanto para evitar influências globais, a mídia iemenita foi muito censurada e continua sob controle estrito. 

Tanto no Norte quanto no Sul, a sharia (conjunto de leis islâmicas) é o código legal para julgar a sociedade. No Norte, ainda permanecem regras das comunidades tribais, muitas vezes acima da lei oficial, e no Sul, características do sistema legal britânico e da agenda socialista. 

A sociedade no Iêmen é conservadora, muçulmana e tribal. Mesmo antes da guerra civil, o governo central sempre foi uma instituição secundária para as formas tradicionais de governo tribal. O governo também nunca pareceu intervir nos conflitos intertribais, mesmo se tribos fossem feridas fisicamente ou aprisionadas por membros rivais. Dessa forma, a população, especialmente as minorias, enfrenta uma das maiores crises de fome do mundo e a insegurança em um ambiente de disputa e violência frequentes.

Séculos antes do advento do islã, a Península Arábica tinha um número considerável de judeus e sinagogas, cristãos (provavelmente os nestorianos) e templos de igrejas. Há pelo menos duas tradições sobre como o cristianismo chegou à Península Arábica. De acordo com uma delas, o bispo Teófilo Indus foi enviado pelo Imperador Bizantino ao Reino do Iêmen de Himyar em 356 d.C., e fundou a primeira igreja na cidade de Áden e outras duas no Norte. Também houve atividades missionárias bem-sucedidas vindas da Síria, de modo que, durante o século 6, o Iêmen teve bispos, sacerdotes, monges e mártires, como qualquer outra nação cristã. Havia uma grande catedral na capital, Saná. 

A liberdade dos cristãos foi interrompida quando o rei Dhu Nuwas se converteu ao judaísmo. Ele realizou um grande massacre da população cristã. Os sobreviventes pediram ajuda do Império Bizantino, que enviou um exército de Axum (Etiópia) atravessando o Mar Vermelho na direção do Iêmen em 525 d.C. Esse exército, ajudado por cristãos árabes, conquistou o Iêmen, matou Dhu Nuwas e realizou um massacre dos judeus. Um rei cristão foi instalado no trono. Passados 45 anos, os persas chegaram ao Iêmen. Relata-se tradicionalmente que Badhan, o quinto e último rei persa do Iêmen, se converteu ao islamismo em 628 d.C. e o Iêmen caiu sob o domínio político do islã desde essa época. 

Nos séculos seguintes, a Península Arábica se tornou majoritariamente islâmica e o cristianismo perdeu significância. Durante 13 séculos, o papel histórico do cristianismo na região foi esquecido e era difícil imaginar que qualquer outra religião pudesse coexistir com o islã em seu local de nascimento. 

Século 19 aos dias atuais 

Durante a invasão dos britânicos entre os séculos 19 e 20, as igrejas puderam voltar a Áden e ao Sul para servir estrangeiros e para desenvolver trabalho social entre os iemenitas. 

No final do século 19, o primeiro missionário ocidental, um escocês, chegou ao Iêmen. Nos anos seguintes, um serviço médico foi estabelecido, o que abriu o caminho para comunicar a fé cristã. No Norte do Iêmen, qualquer acesso para a igreja era impossível até 1960, devido à inacessível natureza do país. 

Antes da atual guerra civil no Iêmen, que começou em 2015, havia milhares de estrangeiros cristãos morando no país, geralmente trabalhando em desenvolvimento, que tinham permissão para cultuar em algumas igrejas em Áden e Saná. A maioria desses cristãos foi forçada a sair do país devido à situação de perigo e algumas igrejas foram saqueadas.   

A Portas Abertas estima que o número de cristãos no Iêmen seja de “milhares”. Atualmente, cristãos são uma minoria minúscula, a maioria de origem muçulmana. Se um cristão convertido do islã for descoberto, é forçado pela comunidade islâmica local a reportar sua conversão às autoridades. Isso impede muitos cristãos de tornarem a fé conhecida em público.  

Embora focando a atenção em eventos políticos, oficiais do governo continuam a intimidar os cristãos mesmo em meio à situação caótica de guerra. Opressão é mais sentida vinda de militantes islâmicos que têm mais liberdade para operar. 

Alguns cristãos de origem muçulmana sofreram abuso físico ou mental e vários cristãos tiveram que se mudar para outros lugares do país e alguns deixaram o país nos últimos anos. A motivação para fugir pode variar do medo de assassinato por causa da fé a razões relacionadas à guerra, frequentemente é uma combinação.  

A maioria das famílias fica com tanta raiva e vergonha por descobrir que um membro da família deixou o islã que está pronta para matar, possivelmente por meio de um parente radical ou de um grupo militante local. A ameaça de grupos militantes islâmicos violentos é significativa em partes do país onde grupos como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico são fortes, especialmente para quem deixa o islamismo.  

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