"Não vou conseguir ver meu filho morto"

Clérigos e vizinhos muçulmanos ordenaram que o pai de um convertido permanecesse confinado em sua casa, até que punissem seu filho por ter se convertido.

Rashidul Amin Khandaker, 32 anos, era diretor de marketing da empresa de seu pai. Ele foi à Austrália no começo deste ano, para começar um relacionamento com uma católica filipina, que havia conhecido pela internet. Em abril, ele acabou se convertendo para a religião da moça.

Rashidul solicitou a proteção da imigração australiana, pois acredita que a polícia de Bangladesh não fará nada para protegê-lo dos muçulmanos que ameaçam matá-lo.

“Eles tentarão matar-me em qualquer lugar, a qualquer hora, em Bangladesh, e a polícia não vai me proteger”, escreveu Rashidul em seu pedido às autoridades australianas. “Há registros que mostram que uma pessoa convertida não é protegida pela polícia.”

Seu cunhado disse que a vida de Rashidul estaria em perigo se ele voltasse para Bangladesh. Ele acrescentou: “Nós também estamos corremos perigo aqui.”

A família de Rashidul, que é muçulmana, tem sofrido ameaças de outros muçulmanos. Seu pai de 65 anos, Ruhul, é o principal afetado. Ele conta: “Meus outros filhos informaram o clérigo de uma mesquita próxima sobre a conversão do meu filho, para que ele pudesse me consolar. Mas o clérigo ficou tão furioso...disse-me: ‘Você não pode manter nenhuma relação com seu filho. Um homem de uma família muçulmana nobre não pode ser cristão, e a sociedade não pode aceitá-lo”.

“Você não tem vergonha de que seu filho tenha virado cristão?”, o clérigo da mesquita perguntou a Ruhul.  “Por que você não sacrificou seu filho, como se faz com o gado, antes de nos dar essa notícia?”

Outros líderes muçulmanos de Daca, onde a família mora, ordenaram que Rahul deserdasse seu filho. “Se ele voltar a Bangladesh, você o deve entregá-lo para nós, e o puniremos” o fundador da mesquita disse ao pai.

O irmão de Rashidul escreveu para ele em maio, pedindo que não entrasse mais em contato com a família. Esse irmão afirmou na carta que as autoridades muçulmanas tinham ameaçado marginalizar a família por causa da conversão de Rashidul. Também disse que sua vida estaria em perigo se voltasse a Bangladesh.

Saque e derrame

Ruhul disse que quando Rashidul telefonou para amigos de Daca para lhes contar sobre sua conversão, sete ou oito deles invadiram sua casa e roubaram o computador, o scanner, a impressora, o sofá e outro bens, além de alguns documentos.

"Eles me disseram: "Devolveremos tudo quando seu filho voltar. Quando isso acontecer, você deve entregá-lo para nós – nos vingaremos do que ele fez. Até lá, não se misture com as pessoas, e fique na sua casa’”, conta Ruhul.

Os amigos de Rashidul ameaçaram ferir a família caso entrasse em contato com a polícia.

Depois de receber as ameaças dos vizinhos e de líderes muçulmanos em frente de seus três filhos e outros parentes, Ruhul sofreu um derrame.

“Os médicos não foram à minha casa para tratar de mim. Eles temem a sociedade e também nos odeiam” Ruhul disse. “Fui levado ao hospital e, depois de um exame cerebral, disseram que houve uma hemorragia no lado esquerdo do cérebro.”

Ruhul disse que não quer privar seu filho dos bens aos quais tem direito. A família é dona de uma refinaria de óleo lubrificante na capital do país.

“Se todos os meus bens forem destruídos, posso até sobreviver. Mas uma coisa que não vou conseguir tolerar é ter de transportar sobre meus ombros o caixão de meu filho morto”, ele disse.

“Meu filho mudou a sua religião pela vontade dele – não o apoiamos, e nem nos convertemos. Por que devemos ser ameaçados por causa da sua nova fé? Quero livrar-me dessa vida claustrofóbica, exilada, por causa da conversão de meu filho ao cristianismo.”