Cartas: lembretes de Deus nos momentos difíceis

| 01/12/2009 - 00:00


Representantes da Portas Abertas vindos da Europa visitaram a viúva Chaltu Waga e seus cinco filhos: Ketema (24), Bekele (20), Getu (18), Asfaw (15) e Birhane (7).

A família está em uma casa recentemente construída com a ajuda que recebeu dos cristãos de sua comunidade.

O grupo percebeu que Chaltu estava feliz, radiante de alegria, à medida que falava do agir de Deus em sua vida desde que perdeu seu marido. Tulu Mosisa foi assassinado em março de 2008, na chacina de Nensebo Chebi (leia mais).

Da depressão à restauração

“Antes de as primeiras cartas chegarem, estava bastante deprimida. Mas, então, o intérprete foi lendo as cartas. Elas diziam que havia pessoas que pensavam em mim, que se colocavam ao meu lado e oravam comigo. Então percebi que pessoas em todo o mundo se lembravam de mim e oravam pela minha família. Isso me deixou mais forte. Fiquei muito feliz.

Essas cartas são, para mim, um lembrete de que Deus está comigo. Pendurei-as nas paredes de casa. Agora, sempre que estou deprimida, olho para as cartas. Elas me recordam que há muitas pessoas que nos amam e oram por nós. Sou grata a Deus por sua fidelidade.

Fui esquecida e abandonada, e achei que tivesse sido esquecida também. Mas, louvado seja Deus por sua fidelidade para comigo! Antes que meu marido morresse, eu estava me desviando, me esquecendo de Deus. No entanto, algo aconteceu. Perdi meu marido. Ele era meu esteio, e me senti despedaçada. Deus o tomara de mim, mas Ele também estava me conduzindo à minha bênção. Então, não sinto que perdi meu marido. Deus está ao meu lado, e Ele acrescentou muitas pessoas À minha vida.

Enquanto esperava pelo Senhor, não sabia o que ia me acontecer. Antes que meu marido fosse assassinado, nossos filhos estavam na escola. Depois que ele morreu, não sabia o que fazer para ajudá-los a continuar estudando. Porém, Deus deu a ajuda da qual precisava. Todo o luto e abatimento foram dissipados.

Essas cartas são como muralhas que me cercam. Elas me dizem que as pessoas falam para Deus em meu favor. Quando as vi, me senti revigorada. Senti o amor ao meu redor. Senti novas forças e energia, e comecei a servir em minha igreja.

Agora fui restaurada para o Senhor. E tenho uma nova casa. Com o dinheiro que recebi, comprei um terreno onde plantei alguns alimentos. E acabei de levantar outra casa para minha família. Meus filhos continuam frequentando a escola, e espero que eles possam completar o estudo.

Que Deus os abençoe. Quero que saibam que a contribuição que fizeram à minha vida está funcionando. Continuem a orar por mim e pelos meus filhos, como já têm feito”, concluiu Chaltu.

A palavra dos filhos

Os filhos de Chaltu também contaram como estavam. Bekele, o segundo comentou: “Eu tive de assumir o papel do meu pai em casa quando ele morreu. Parei de estudar para ajudar minha mãe na construção da casa. Mas vou voltar à escola no ano que vem”.

“Quando meu pai morreu, eu estava na 7ª série”, disse Asfaw. “Eu tive de sair da escola. Aagora eu voltei e vou para a 8ª série. Deus me deu o dom de cantar, e tenho usado isso para servi-lo na igreja. Também tenho estudado a Palavra de Deus. Dou glórias a Ele por ter me dado o privilégio de faz parte de uma família como essa. Todas as palavras que vocês escrevem, cada versículo, falam conosco. Nossa agonia desapareceu, nos sentimos confortados. Às vezes, fico frustrado na escola. Então pego os versículose leio, e eles me ajudam a prosseguir.”

Ketema, o filho mais velho, contou: “Todos nós tivemos de sair da escola quando meu pai morreu. Agora voltei, e estou na 9º série. Estou me preparando para fazer um exame nacional e espero ir para a universidade ano que vem. No ano passado, descobri que tenho um tumor na cabeça. Sempre que leio muito, tenho fortes enxaquecas. Ore quanto a isso. Os médicos já removeram o tumor, mas ele reapareceu. Fiz uma nova cirurgia, mas sinto que o tumor está crescendo mais uma vez. Quero continuar meus estudos e seguir em frente... Às vezes, tenho medo de que essa enfermidade me impeça de estudar. Mas continuo orando. Preciso da ajuda de vocês em oração também”.

“Eu me casei um mês antes de meu pai sair para trabalhar”, contou Getu. “Quando ele morreu, fiquei arrasada. Mas, receber essas cartas de pessoas do mundo todo, e ter pessoas como vocês nos visitando, me trouxe alento. Tenho orgulho do meu pai. Ele encontrou um marido muito bom para mim, que é professor e trabalha na igreja também. Estou muito feliz.”

Pedidos de oração

• Interceda pela Chaltu e por sua família. Peça a Deus para continuar a suprir as necessidades da família. Interceda pelos líderes da igreja, para que ajudem Chaltu a tomar decisões sábias sobre como administrar o que ela tem recebido.
• Peça pela cura completa de Ketema. Ore também por seus estudos, os quais ele anseia tanto por completar.
• Ore por Bekele, que planeja se casar em um futuro próximo.
• Interceda por Getu e seu marido, que vivem em meio a desafios espirituais e forte oposição.
• Louve a Deus pelo testemunho de Asfaw. Ore por seus estudos e ministério na igreja.

Com isso, Sandra não tem acesso às bolsas do governo para indígenas que queiram ir à faculdade.

Os koguis cristãos que foram à universidade às próprias expensas e depois voltaram à comunidade foram proibidos de lecionar. Esse foi o caso de Virgil, um dos koguis cristãos que estão presos. Ele é acusado de mudar os costumes de 21 alunos na escola onde leciona. As autoridades fecharam o estabelecimento.

Os koguis cristãos também são impedidos de ter acesso à assistência médica, que é controlada pelo conselho local. Um estatuto colocado em vigor afirma que o serviço de saúde é para os koguis nativos. Quem não for kogui, deve procurar assistência em outro lugar, independente da urgência do caso.

Uma vez que os cristãos não são considerados nativos, o acesso deles ao sistema é impedido.

Atanásio, um representante da ASOKOGUI, pediu à comunidade internacional para se posicionar a favor dos cristãos koguis. Organizações estatais colombianas não se interessam pela causa deles. O Supremo tribunal, por exemplo, recomenda que haja uma negociação entre ambas as partes.

Entretanto, segundo Atanásio, as autoridades indígenas não querem negociar. Além disso, a Gonawindúa ameaçou prender todos os koguis cristãos.

Segundo Alberto Gil, outro kogui, o conselho do governo ordenou que todos os cristãos se apresentassem ao escritório da Gonawindúa até o dia 5 de dezembro. Se não fizerem isso voluntariamente, serão procurados por líderes indígenas.

Dos 11 mil koguis existentes na Colômbia, apenas 120 são cristãos.


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