Nigeriano é torturado por se converter ao cristianismo

| 07/11/2005 - 00:00


Até o início desse ano, Sardauna Anaruwa Sashi era considerado muçulmano no estado de Niger, onde a sharia é imposta.

Sashi, de trinta anos, tornou-se cristão depois de ter sua curiosidade despertada pelo som do louvor de um casamento batista. Em 21 de setembro ele foi preso pela polícia, ficando detido por quatro dias e sendo severamente torturado.

Somente depois da intervenção de um advogado cristão, Michael Paiko Ibrahim, e do reverendo Mathew Oladokun, pastor da Primeira Igreja Batista, Sashi escapou de ser morto na cadeia.

Os policiais o prenderam depois de localizá-lo na cidade, onde ele estava colhendo milho para sua família.

"Naquele dia, a patrulha parou ao meu lado e deu ordem para entrar no veículo", disse ele. "Fui levado até a delegacia onde fui interrogado para saber se eu era muçulmano. Respondi que tinha sido muçulmano, mas que agora era um cristão".

Recebi ordens dessas autoridades para recitar o "shadah", o credo islâmico, e demonstrar como os muçulmanos oram e adoram Alá. Sashi obedeceu. Eles perguntaram o motivo da mudança de religião.

"Antes de eu responder a essa pergunta, os oficiais começaram a me espancar", disse ele. "Fui agredido a cacetadas até quase morrer."

Quase inconsciente devido aos golpes, Sashi ficou encarcerado por quatro dias. Por fim, o reverendo Oladokun ficou sabendo do episódio.

"Fui até a delegacia para pagar a fiança, mas os policiais recusaram meu pedido", disse o reverendo. "Contatei um membro de nossa igreja que era um advogado, e fomos até a delegacia, mas dessa vez exigiram que desembolsássemos o equivalente a dois salários mínimos antes de soltá-lo. Não tínhamos como arcar com essa despesa. Entretanto, depois de muita insistência, ele foi liberado".

Desde então, Sashi passou a receber ameaças de morte de muçulmanos da cidade.

Sem volta

O relato da conversão de Sashi se parece com uma parábola. Em Paiko, ele foi atraído por uma cerimônia em uma Igreja Batista. Ele ficou perto da janela para ver o que acontecia dentro do templo, e viu que era um casamento.

O reverendo Oladokun o viu assistindo a cerimônia pela janela. O pastor pediu para sua esposa convidar Sashi para assistir à cerimônia, e ele teve a oportunidade de também participar do banquete.

Esse fato mexeu com Sahi. Ele voltou à igreja nas quatro semanas seguintes, e por fim aceitou Cristo. Discipulado pelos irmãos e imerso na Bíblia, sua nova vida levou ao cristianismo sua esposa Dole, seu irmão mais velho Dumile e sua irmã mais nova Salami.

"Estou muito feliz porque minha esposa aceitou Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor. Ela agora freqüenta os cultos regularmente", disse ele. "Deixei meus velhos hábitos para trás. Amo Jesus e vou servi-lo por toda a minha vida".

Além das ameaças, Sahi passou a ter perdas em sua renda. Perdeu seu emprego na pecuária dos muçulmanos, já que passou a ser considerado como infiel.

O reverendo Oladokun disse que seu maior receio é de que "a vida de Sashi e de sua família esteja em perigo". Os muçulmanos da cidade não irão medir esforços para matá-lo. Sashi disse que jamais negará sua fé.

"Mesmo que eu tenha que enfrentar dificuldades quase que diariamente, eu nunca irei renunciar a minha fé em Cristo, mesmo que isso signifique perder a minha vida. Eu também oro pelos meus parentes que já conhecem Cristo para que não voltem ao islã".

De acordo com o reverendo Oladokun, a experiência penosa de Sashi é um dos vários casos de perseguição nessa região desde a implementação da "sharia.


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