Líderes protestam contra ataques aos cristãos

| 18/11/2005 - 00:00


Escolas cristãs em todo o Paquistão decretaram uma greve para o dia 17 de novembro, em protesto contra os ataques aos cristãos de Sangla Hill ocorridos no dia 12 de novembro. Líderes hindus, sikhs e muçulmanos se uniram aos líderes de igrejas e condenaram o ato de violência. A Aliança de Todas as Minorias do Paquistão (APMA) declarou sete dias de luto. Líderes de igrejas pedem às autoridades paquistanesas para levarem os principais instigadores da violência à justiça.

No pior atentado contra os cristãos do Paquistão, desde o ataque a uma igreja no Natal de 2002, uma multidão destruiu as igrejas Católica Romana, do Exército da Salvação e Presbiteriana Unida em Basti Asyia - uma área cristã de Sangla Hill - acusando um homem cristão de profanar o Alcorão.

A multidão, com um número entre mil e duas mil pessoas, agiu na manhã do sábado, 12 de novembro. Três igrejas foram destruídas, bem como um convento, a escola Santo Antônio, um albergue de moças e uma casa paroquial. Queimaram Bíblias, livros cristãos, cruzes e outros materiais cristãos, além de atear fogo em casas cristãs. De acordo com a APMA, que enviou uma equipe à região, "em questão de minutos a área residencial cristã estava chamejando. Os moradores cristãos fugiram para salvar suas vidas".

Segundo testemunhas, o ataque teria sido premeditado, já que a multidão chegou à vila em um ônibus. A Comissão Nacional pela Justiça e pela Paz (NCJP) disse que mais de 450 famílias cristãs da área haviam fugido na noite anterior, depois de receber ameaças. O padre local, Samson Dilawar, informou à polícia, doze horas antes do ataque, requisitando proteção, mas a polícia não tomou nenhuma atitude para evitar a violência. Como conseqüência, 88 pessoas foram detidas e acusadas pelo Ato Anti-Terrorismo. Mas segundo a APMA, os maiores planejadores do ataque não foram presos.

O incidente aconteceu um dia depois de Yousaf Masih, um cristão, ter sido acusado de profanar o Alcorão. Yousaf Masih continua desaparecido, mas, conforme relatos da imprensa, seu irmão Salim Masih foi detido. Não foi realizada qualquer investigação para averiguar as alegações, embora tenha sido sugerido a princípio que elas foram forjadas a fim de acertar as contas em uma disputa por dinheiro.

Segundo fontes no Paquistão, Yousaf Masih venceu um jogo de azar contra um grupo muçulmano no estádio. Depois de ir embora, uma livraria islâmica próxima ao estádio pegou fogo, e diversos livros foram incendiados, inclusive o Alcorão. Os homens muçulmanos que perderam o jogo acusaram Yousaf Masih de começar o incêndio. As notícias se espalharam e foram feitos avisos nas mesquitas locais, incitando os muçulmanos a atacar os cristãos.

Em uma declaração emitida logo após o ataque, o arcebispo católico de Lahore, Lawrence Saldanha, disse: "Assim como os terremotos ... essa anarquia é uma má notícia que assola o país. A situação pede uma séria medida por parte de todos preocupados com o bem-estar da nação".

Ele disse que as leis de blasfêmia do Paquistão são "a principal fonte e a principal ferramenta para criar a desarmonia social, sectária e inter-religiosa. Isso é negligenciado por parte dos ministérios responsáveis, os quais permitem o mal-usoem tal escala que acabam causando uma enorme quantidade de injustiça".

Texto enviado por Daila Fanny.


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