Cristãos preocupados com encontro de “despertamento hindu”

| 18/01/2006 - 00:00


Importantes líderes cristãos apelaram recentemente para o governo indiano para proibir ou supervisionar de perto um evento de "despertamento hindu" a ser realizado no distrito de Dangs, Estado de Gujarat, entre os dias 11 a 13 de fevereiro. Pelo menos 500 mil hindus devem comparecer ao encontro.

Grupos de direito temem que o "Shabri Kumbh", encontro religioso organizado por grupos extremistas hindus, possa desencadear uma onda de violência contra os cristãos das castas mais simples. Os preparativos para o "Kumbh" já levaram a acusações de desapropriação de terra, insensibilidade à cultura tribal local e danos ao meio ambiente.

Entre os organizadores do evento estão o Rashrtriya Swayamsevak Sansh (RSS), o Vishwa Hindu Parishad (VHP ou Conselho Mundial Hindu) e a Hindu Jagran Manch (HJM, que numa tradução aproximada significa "Plataforma do Despertamento Hindu"). Todos esses grupos são organizações extremistas hindus.

O website oficial do evento afirma: "O momento gerado pelo "Kumbh" deve impulsionar a volta de milhares de cristãos "vanvasi" (habitantes da floresta) de volta ao hinduísmo."

O website se refere ao evento como a "culminação de esforços sustentados em direção ao despertar dos hindus em geral e dos hindus "vanvasi" da região de Dangs em particular." Os extremistas crêem que todos os membros dos grupos primitivos indianos foram uma vez hindus, apesar do fato de que a maioria continua a ser animista.

O RSS acusa os missionários cristãos pelo "alarmante" aumento de convertidos ao cristianismo no distrito, mas os números mostram que existem apenas cerca de 8 mil cristãos numa população total de 187 mil, apesar de mais de cem anos da presença missionária em Dangs.

Os organizadores do evento publicaram matérias descrevendo o cristianismo como uma perigosa fé estrangeira e pedindo sua destruição, do mesmo modo que o deus hindu Ram destruiu brutalmente o demônio Ravana nas escrituras hindus.

Em uma carta ao primeiro-ministro Manmohan Singh, em 4 de janeiro, John Dayal, do Conselho Cristão Toda a Índia (AICC - All India Christian Council) escreveu sobre "os motivos dessa atmosfera de antipatia e de hostilidade para com os cristãos."

Dayal ressaltou que Dangs tem sido um alvo dos extremistas por vários anos. "Nos dias 25 e 26 de dezembro de 1998, 36 igrejas foram queimadas por violentos integrantes da RSS vindos de outros distritos. Eu e meus colegas passamos noites de Natal na área junto com oficiais encarregados pela Suprema Corte de Gujarat, em 1999 e 2000", enquanto o RSS montava ações provocativas.

Os ataques ocorridos no Natal de 1998 em Dangs geraram uma onda de violência contra os cristãos em Guajart e em outros lugares, levando - ainda que indiretamente - à morte de Graham Staines e seus dois filhos, em janeiro de 1999.

A propaganda de ódio distribuída em cerca de 320 vilas em Dangs já levou à intimidação e à perseguição da minoria cristã, de acordo com relatório emitido no início de janeiro por membros de um comitê de investigação dos cidadãos.

Os cristãos não estão otimistas quanto aos apelos feitos ao Estado pedindo ajuda, já que o ministro-chefe de Gujarat, Narendra Modi, membro de um movimento pró-hindu, tem publicamente demonstrado seu apoio ao "Kumbh" e fornecido fundos para o evento.

Em 4 de janeiro, uma delegação de importantes líderes cristãos encontrou-se com Modi e outras autoridades do Estado. "Expressei minhas sérias preocupações com a segurança dos cristãos em Dangs", disse ao Compass Shri Augustine, membro da Comissão Nacional de Minorias. "E ainda acrescentei que não tínhamos qualquer problema com o "kumbh" em si, mas que esse evento não deveria ter os cristãos como alvo."

Shri Augustine também se encontrou com autoridades distritais em Dangs para formar um comitê de paz. O comitê se comprometeu a monitorar as vilas durante o evento, mas seu poder de intervenção é limitado.

Membros do AICC e outras organizações cristãs apelaram ao governo da Índia para garantir a segurança tanto de cristãos quanto de animistas durante o evento e depois. O governo ainda precisa responder afirmativamente.

O website do "Shabri Kumbh" descreve como Swami Aseemananda se mudou para o cinturão tribal de Gujarat, em 1997, para estabelecer um centro de aprendizado hindu e "destruir os projetos dos missionários cristãos." Foi Swami que primeiro teve a idéia do "Shabri Kumbh", inspirado por um evento tradicional semelhante realizado em quatro locais no país. Críticos hindus moderados dizem que não existe base religiosa para criar outro "Kumbh".

Para legitimar o evento, Swami e o VHP aproveitaram parte do épico hindu "Ramayana", que descreve uma visita do deus Ram, da alta casta hindu, a um lugar chamado Dandakaranya - onde ele se encontra com Shabri, devoto de uma casta inferior que o alimenta com frutos da floresta.

O VHP alega que Dangs foi o local desse encontro e em 2004 agilizou a construção de um templo à Shabri nas terras tribais. A pequena extensão de terra pertencente a um morador local desapropriada para a construção do templo ampliou-se para mais de 6 hectares; o antigo dono ainda não foi compensado. Desde então, os organizadores têm exigido mais terras para a construção de 40 locais de camping para acomodar visitantes durante o evento.

Membros do VHP também forçaram residentes a abandonar práticas tradicionais, dando nomes hindus aos deuses tribais e mudando suas formas tradicionais de cumprimentos.


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