Governo eritreu demite formalmente patriarca ortodoxo

| 27/01/2006 - 00:00


O Sínodo Sagrado da Igreja Ortodoxa Eritréia, controlado pelo governo, anunciou formalmente a Abune Antonios que ele não é mais o patriarca do maior grupo religioso da nação.
 
Contudo, o patriarca imediatamente rejeitou a notícia. Em defesa própria, Abune Antonios anunciou que estava excomungando ou suspendendo aqueles que assinaram a ordem arbitrária de sua demissão.
 
Conforme um relato divulgado na língua tigrinya, no site do jornal Asmarino Independent News, o sínodo notificou o patriarca Antonios da sua demissão oficial após "uma série de reuniões a portas-fechadas e secretas", realizadas na semana passada.
 
As sessões secretas envolviam três bispos eritreus e Yoftahe Dimetros, um leigo empossado pelo governo agosto último como administrador-chefe da igreja. Os três clérigos foram identificados como bispo Lukas, bispo Petros e bispo Marcos, todos eles membros do sínodo da igreja.
 
Dimetros forçou alguns, senão todos, os clérigos mais antigos, cujos nomes apareceram no documento a ser assinado.
 
O patriarca desafiou a decisão abertamente, declarando que foi uma violação direta aos cânones da Igreja Ortodoxa. Segundo o cânone, a eleição de um patriarca é considerada um compromisso de vida que não pode ser revogado. Além disso, a posse de Dimetros na administração da igreja contraria os estatutos da igreja, que determinam que a posição seja ocupada por um bispo ordenado, indicado pelo patriarca.
 
O patriarca Antonios excomungou Dimetros de qualquer posição na igreja e suspendeu os três bispos de realizar liturgias ou fazer sermões.
 
Em 13 de Janeiro, Dimetros ordenou o confisco do carro do patriarca e demitiu seu motorista particular.
 
Dois dias depois, Abune Antonios causou rebuliço em Asmara, quando saiu de sua casa e caminhou até a Igreja Ortodoxa Santa Maria para participar das orações e da liturgia de domingo. Chocados que o antigo clérigo, vestido com as roupas sacerdotais, não estava sendo levado à igreja, como de costume, várias pessoas que passavam pelo local pararam seus carros para lhe oferecer carona. O patriarca de 78 anos foi rapidamente cercado por uma multidão de fiéis ortodoxos, que o escoltaram de sua residência até a adoração matutina e o levaram de volta ao seu lar.
 
Desde agosto passado, quando o governo eritreu despojou Antonios de sua autoridade eclesiástica e o proibiu de administrar os assuntos da igreja, o patriarca permaneceu sob virtual prisão domiciliar na sua residência em Asmara.
 
De Asmara, fontes confirmaram ao Compass que se o patriarca continuar a desafiar a posse orquestrada pelo governo da sua igreja, a maioria das pessoas espera que ele seja preso em breve. Existem boatos de que, logo depois, o governo tentaria anunciar a eleição de um novo patriarca.
 
Antonios foi empossado pelo papa ortodoxo copta Shenoudah III como o terceiro patriarca da Igreja Ortodoxa Eritréia em março de 2004.
 
Professor protestante é preso

O ano novo na Eritréia também viu um membro da Igreja do Deus Vivo em Asmara ser preso no seu local de trabalho, em 11 de janeiro. Formado e professor no Centro de Treinamento Mai-Nefhee em Asmara, Hanibal Tekeste é casado e tem dois filhos.
 
Tekeste é o quarto membro detido da igreja carismática no último mês. Um dos pastores da igreja, preso um pouco antes do Natal, escapou das autoridades de segurança e acredita-se que ele já tenha fugido do país.
 
Desde maio de 2002, o regime repressivo da Eritréia fechou e declarou ilegais todas as igrejas protestantes, exceto as igrejas luteranas. Desde aquela época, dezenas de pastores evangélicos e milhares de membros de igrejas foram presos e sujeitos a terríveis torturas e detenção na Eritréia, por congregar fora de prédios de igrejas "autorizadas", até mesmo em suas próprias casas.
 
A antiga Igreja Ortodoxa Eritréia inicialmente desfrutou de relativa imunidade das restrições governamentais, juntamente com as denominações reconhecidas: católica, luterana e muçulmana. Entretanto, no ano passado, o patriarca Antonios ficou em desvantagem quando protestou contra a prisão de três de seus padres e outras interferências governamentais externas nos assuntos da igreja.
 
O governo eritreu nega que a perseguição religiosa estáeja ocorrendo no país e insiste que relatórios documentados da Anistia Internacional, do Departamento do Estado Americano e de outras fontes são "falsos" e "infundados".


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