Juiz condena dois seminaristas pela morte de estudante cristão

| 13/03/2006 - 00:00


Dois seminaristas muçulmanos da província de Punjab foram sentenciados pelo assassinato de um paquistanês cristão que morreu há 22 meses, depois de ser torturado e forçado a se converter ao islamismo.

Diante da corte repleta de estudantes islâmicos e de policiais, o juiz Javed Iqbal Warriach sentenciou Maulvi Ghulam Rasool e Mohammed Tayyab a 25 anos de prisão por participarem da tortura e da morte de Javed Anjum.

Mais de 300 muçulmanos compareceram à audiência na cidade de Toba Tek Singh, muitos deles seminaristas da madrassa Jamia Hassan Bin Murtaza, onde Maulvi e Mohammed torturaram o cristão, segundo informou o advogado Khalil Tahir Sindhu.


Khalil Saindhu, que não cobrou para defender a causa, disse ao Compass que ficou satisfeito com o veredicto, mas que iria recorrer para que os condenados fossem sentenciados com pena de morte.

Apesar da presença de 45 seguranças, o juiz ordenou que o pai da vítima, Pervez Masih, deixasse o tribunal para a própria segurança. A polícia acompanhou Pervez e o advogado em todas as audiências, desde o início de janeiro, depois que eles receberem ameaças verbais e físicas de clérigos muçulmanos armados, durante o trajeto para a corte.

O caso agravou-se em novembro, depois da Suprema Corte ter cancelado a fiança de Maulvi. Em dezembro, a polícia prendeu um terceiro suspeito, o seminarista Umar Hayat, que estivera de fora desde o início do caso, em maio de 2004.

Enfurecida com a prisão de seus colegas e com o julgamento, uma multidão de 95 religiosos e seminaristas compareceu à audiência no dia 6 de fevereiro, em que o oficial de polícia de Toba Tek Singh, Mohammad Aslam Sahnkar, testificou que estudantes muçulmanos teriam agredido Javed Anjum fisicamente.

Sob pressão de uma enorme multidão de 200 muçulmanos, no dia 18 de fevereiro, o oficial Habib Ur Rehman disse à corte que Umar não estava envolvido na tortura de Javed.

Em 15 de fevereiro, a corte de Punjab rejeitou a petição de Pervez para usar como prova o vídeo com o testemunho de seu filho feito no leito de morte. Enquanto o advogado comentava que isso era um golpe ao andamento do processo, afirmou que não seria negada uma declaração que Javed fez à polícia quando estava no hospital.
 
O estudante cristão de 19 anos apontou Maulvi como um dos homens da madrassa de Jamia Hassan Bin Murtaza que o teria abordado quando ele parou para tomar água ainda na escola.

Javed disse que recebeu choques elétricos na tentativa de convertê-lo ao islamismo. Depois de cinco dias de tortura, Javed repetiu os votos islâmicos na presença de seus seqüestradores. A repetição do credo islâmico perante duas testemunhas é uma forma válida de conversão, segundo a lei do Alcorão, embora Javed posteriormente tenha dito aos seus parentes que não renunciou à sua fé em Cristo.

Os estudantes da madrassa imediatamente entregaram Javed à polícia, alegando que o flagraram tentando roubar água da escola. Com vinte e seis ferimentos, incluindo um braço quebrado e os dedos, unhas arrancadas, queimaduras na pele, Javed morreu no Hospital Faiaslabad Allied, no dia 2 de maio de 2004. Horas depois, Maulvi foi preso pela polícia. Depois de nove dias de interrogatório, ele apontou Mohammed e Umar como cúmplices.

Recentemente preso, Umar será julgado em separado pelo juiz Warraich em Toba Tek Singh. Ainda não foi marcado o primeiro dia da audiência, mas o advogado Khalil Sindhu crê que o caso pode levar mais de um ano para se encerrar.


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