Cristã que fugiu de apedrejamento está escondida há 8 meses

| 13/10/2006 - 00:00


Ladi Muhammed recebeu uma sentença de apedrejamento, proferida pelos funcionários da escola de enfermagem que ela freqüentava em Sokoto, que a acusaram de blasfêmia. Ladi fugiu e, oito meses depois, ela ainda está escondida.
 
Essa cristã de 22 anos falou à agência de notícias Compass de seu esconderijo. Ela contou como os alunos e os professores muçulmanos da Escola de Enfermagem e Obstetrícia na capital do Estado de Sokoto a acusaram de blasfemar do profeta do islamismo depois de uma discussão com uma amiga muçulmana. A acusação levou os alunos, o corpo docente e os administradores a condená-la ao apedrejamento.
 
A provação começou quando a tia de Ladi, Hajiya Mary, ligou para ela no dia 2 de fevereiro na faculdade. Enquanto ela estava no telefone, uma amiga muçulmana, Aisha Tambulwal, perguntou quem havia ligado. Animada, Ladi disse que havia sido sua tia.
 
Ladi conta que, enquanto falava com sua tia, a chamava-a de Hajiya, o nome pelo qual a conhecia. "Minha amiga ficou curiosa e quis saber o que Hajiya era minha. Eu disse que era minha mãe, porque, como a irmã mais velha dela, Hajiya era uma mãe para mim. Além disso, cresci sob os cuidados dela. Então, minha amiga muçulmana perguntou como eu podia ser cristã enquanto meus pais eram muçulmanos."

Insultos
 
Ladi respondeu dizendo que, embora seu pai (que vive agora no Reino Unido) fosse muçulmano, ela acreditava que Jesus Cristo era Deus e o Salvador dos homens. Aisha ficou brava e começou a insultá-la.

"Você é uma infiel - se não, como seus pais podem ser muçulmanos e você cristã? E como seus pais, que são muçulmanos, podem deixar você se tornar uma infiel?"
 
Como seus pais se divorciaram quando ela ainda era jovem, Ladi cresceu com sua mãe, uma cristã que ainda vive no Estado de Kebbi. Ladi nasceu na cidade de Zuru, naquele Estado.

Depois que Ladi pediu a Aisha para parar de chamá-la de infiel, a menina a respondeu com insultos e xingamentos.
 
Aisha não quis encerrar a discussão. Ela insistia em convencer Ladi a renunciar a Cristo e se tornar muçulmana; senão Deus a responsabilizaria por sua falha.
 
"Ela me alertou a me tornar muçulmana, já que meus pais eram muçulmanos. Do mesmo modo, ela disse que os cristãos que seguem Jesus Cristo iriam todos para o inferno, porque serviam um simples homem. Nesse ponto, procurei corrigi-la, explicando que a Bíblia diz que apenas aqueles que não crêem em Cristo é que irão para o inferno."

Acusações
 
Aisha começou a gritar furiosa, e Ladi afastou-se dela. Ladi achou que a discussão tivesse terminado. Entretanto, uma semana mais tarde, Aisha e outras duas alunas - Hadiza Usman e Sadiya Abdullahi Daweh - foram à sala de Ladi e a acusaram de blasfêmia contra Maomé, o profeta do islamismo.
 
"Fiquei surpresa, porque em momento nenhum de minha discussão com Aisha eu citei o nome do profeta. Elas ainda afirmaram que eu havia dito que o profeta estava no inferno. Eu suponho que, porque eu tentei fazê-la entender que aqueles que não crêem em Jesus Cristo é que irão para o inferno, elas usaram isso para me acusar de blasfêmia."
 
Ela foi embora, mas as garotas - as quais ela descreveu como muçulmanas militantes - a seguiram, e logo muitos dos alunos ficaram alucinados. Ladi disse que os alunos muçulmanos de toda a escola gritavam "Allahu Akbar (Alá é o maior)". Ela continuou: "As meninas me cercaram e começaram a me empurrar de um lado para o outro."
 
Os líderes da Sociedade de Alunos Muçulmanos da escola vieram e assumiram o interrogatório. Rejeitando as explicações de Ladi, eles a levaram ao gabinete do diretor, Abdulrahaman Muhammed Isa. Ele estava ausente no momento, mas o gerente de administração, Usman Ilo, ouviu às acusações de blasfêmia e disse que o caso estava além de sua autoridade. Mas o diretor, Abdulrahaman, voltou e assumiu o caso.
 
Segundo Ladi, que se sentia como uma refém, o diretor, o corpo docente e os alunos determinaram que ela era culpada de blasfêmia contra o profeta do islamismo e a sentenciaram à morte por apedrejamento. Os alunos queriam que a sentença de morte fosse executada na escola, mas o diretor e os professores argumentaram, dizendo que isso deveria ser aprovado por uma corte islâmica (sharia). 

Fuga
 
Ladi disse que alguns dos professores, depois de uma longa discussão, convenceram os alunos a levar Ladi a uma corte sharia para confirmar sua sentença de morte. O gerente de administração, Usman, a levou para as autoridades muçulmanas da cidade, que cuidariam de que ela fosse processada por uma corte islâmica. No caminho, ela escapou e se escondeu na casa de uma amiga cristã em Sokoto.
 
Na manhã seguinte, sua amiga foi à escola para avaliar sua situação: os alunos muçulmanos, quando souberam que ela havia escapado, ficaram furiosos, queimando a casa de Usman, por deixar Ladi escapar. Os cristãos que moravam perto da escola também foram atacados. A escola foi fechada.

No mesmo dia, a amiga de Ladi lhe contou, cartazes com a sua foto foram produzidos e espalhados por Sokoto. Os militantes muçulmanos foram colocados em pontos estratégicos, nas pequenas vias e saídas da cidade. Os islâmicos declararam que ela era "procurada".
 
Ladi contou que, quando a situação ficou insegura, os cristãos que a acolhiam em Sokoto a vestiram como uma muçulmana, cobrindo-a completamente com um vestido e o hijab (o véu), e a levaram para fora da cidade.
 
Os cristãos a levaram para sua cidade natal, Zuru, mas então as notícias alcançaram a cidade, e lá os muçulmanos também a procuravam. Ela foi levada rapidamente para fora de Zuru, ao Estado de Kaduna, onde - de forma surpreendente, ela disse - os muçulmanos a procuravam também. Ela foi levada para o seu atual esconderijo.
 
Os funcionários da escola, Abdulrahaman e Usman, não estavam disponíveis para comentários.
 
Ladi disse que a vida em isolamento tem sido devastadora. "Estou aqui há oito meses. Não posso sair para nada. Eu me sinto muito sozinha. Não posso nem voltar para a minha cidade. É terrível."
 
Discriminação na escola

O caso de Ladi despertou uma atmosfera de habitual discriminação na escola de enfermagem.
 
"Não podemos ter programas cristãos na escola, e fomos proibidos de cultuar e até de orar. Além disso, nessa escola, os alunos têm tudo o que precisam para cultuar Alá. Sejam mesquitas ou livros islâmicos, eles têm tudo o que precisam."
 
Ladi disse que as alunas cristãs são aceitas na escola com a intenção de encorajá-las a se casarem com muçulmanos. Dos 43 alunos cristãos na escola, só três são homens.
 
Ela também disse que os rapazes muçulmanos e os professores sempre as perturbam. Eles querem se casar com elas, e, quando rejeitam tais propostas de casamento, eles maltratam e oprimem as garotas. "Eles acreditam que estão lutando a jihad sempre que conseguem se casar com uma cristã e levá-la ao islamismo."


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