Igreja é vandalizada e pastor é ameaçado de morte

| 05/02/2007 - 00:00


Assaltantes vandalizaram uma igreja protestante na costa do Mar Negro  em 28 de janeiro, dias depois de nacionalistas da região terem assassinado um famoso jornalistas armênio.

Os assaltantes quebraram as janelas da Igreja Protestante Ágape e picharam a sua placa na manhã daquele domingo. O incidente aconteceu na cidade de Samsun, conforme disse o pastor Orhan Picaklar à agência de notícias Compass.

A congregação está localizada na terra natal de nacionalistas que mataram o jornalista armênio Hrant Dink 11 dias antes e um padre católico italiano no ano passado. A igreja sofreu dezenas de ataques com pedras e tem recebido ameaças por e-mail semanalmente durante os últimos dois anos.
"Eu fiquei chocado porque já havíamos sido atacados antes, e não foi nada grande como esse último ataque. Quando cheguei, às 5 horas, havia cerca de 20 policiais no nosso terreno, incluindo o vice-chefe de polícia de Samsun", contou o pastor Orhan.

Segundo o pastor, aproximadamente 30 pedras grandes haviam sido atiradas nas janelas do templo, algumas delas danificaram as janelas internas e atingiram as paredes.

O pastor disse que um bilhete foi deixado dentro da igreja, mas a polícia se recusou a mostrar o que estava escrito, dizendo que "não era importante".

O chefe de polícia de Samsun não quis incluir o bilhete na investigação oficial, afirmando que ele "não tinha nada a ver com esse caso", Orhan disse.

"Como é que um papel jogado dentro de nosso prédio não tem nada a ver com nosso caso?", indagou o pastor.

O chefe de polícia estava presente na investigação inicial e se recusou a comentar o incidente quando foi contatado pelo Compass.

Diversos diários nacionais turcos mencionaram o ataque no dia 29 de janeiro. A agência de notícias The Associated Press cobriu o incidente, mas os jornais locais, que haviam publicados artigos negativos sobre a igreja não mencionaram os atos de vandalismo.

Ameaças de morte

Orhan recebeu duas ameaças de morte por e-mail no dia do ataque, uma delas da Brigada Turca de Vingança.

"Vou matá-lo, Orhan, você tem pouco tempo sobrando", lia-se em um e-mail, que amaldiçoou a congregação, chamando seus membros de porcos cristãos que iriam "queimar no inferno".

"Tenho recebido tantos desses e-mails nos últimos três anos que eu nem presto mais atenção a eles, apenas os deleto. Mas, ultimamente, comecei a levá-los a sério."

O crescente nacionalismo militante na Turquia começou a ser preocupante depois do assassinato do escritor e pensador armênio Hrant Dink, baleado por um jovem nacionalista da cidade de Trabzon em 19 de janeiro.

O evento também esquentou o debate sobre a responsabilidade estatal de proteger as pessoas dos elementos violentos da sociedade que querem atacá-los.

"Depois desses eventos - a morte de Hrant e o ataque à igreja - a polícia planeja nos dar mais segurança", Orhan disse.

Um conselheiro legal da Aliança de Igrejas Protestantes da Turquia disse ao Compass que, em Samsun, a igreja nem deveria ter pedido proteção porque já havia sido ameaçada e atacada dez vezes, então a polícia tinha responsabilidade de protegê-la."

Em um caso similar, na cidade de Odemis, uma igreja protestante abriu um caso contra o Ministério do Interior em dezembro, acusando-o de não proteger seu prédio durante diversos ataques.

O maior problema da congregação de Samsun pode ser não encontrar um lugar para se reunir.

O ataque de 28 de janeiro convenceu o dono do terreno da igreja que a congregação deve desocupar o prédio, disse o pastor. A igreja havia se mudado para aquele edifício havia apenas três semanas.

"Eu acho que as pessoas não querem trabalhar conosco por causa dos ataques de pedras. Onde será que iremos nos reunir no inverno? Na rua?", disse o pastor Orhan.

O conselheiro legal da Aliança disse que, legalmente, o governo não tem o dever de dar aos seus cidadãos um templo. Mas, como um Estado social, algo deve ser feito pelas igrejas. Mesquitas são construídas pela Diretoria de Assuntos Religiosos.

O governo oficialmente secular da Turquia custeia e constrói a maioria das mesquitas do país. O Estado paga o salário dos clérigos muçulmanos e não cobra as mesquitas pelo uso da água e de outros serviços.

O histórico da opressão

Vandalismo, propagandas negativas e ameaças por e-mail, feitos regularmente contra a igreja Ágape, aumentaram depois que o prefeito do município de Atakum, Adem Bektas, afirmou, em novembro de 2004, que jamais permitiria que uma igreja fosse construída ali.

Uma revisão das leis turcas permitiu que a congregação de Samsun se registrasse como associação em novembro de 2005, mas isso foi pouco para diminuir o estigma social ligado à igreja.

Quatro dias antes do ataque, o site Kuzeyhaber publicou uma coluna que elogiava os esforços feitos para impedir o avanço do cristianismo em Samsun.

"Estou consciente da luta que vocês têm travado contra as igrejas e os seus clérigos em Samsun", afirmava uma carta escrita por um "profeta Jesus" e endereçada ao colunista Kenan Erzurumlu em 24 de janeiro. "Vocês são abençoados por estarem em seu caminho", a coluna dizia em louvor de Kenan.

O penúltimo ataque à igreja aconteceu em outubro passado, quando a polícia conseguiu prender um dos atiradores, cuja confissão levou à prisão de 11 jovens. Mas, depois de colher seus depoimentos, a polícia libertou os culpados dizendo que eles eram menores de idade, Orhan afirmou.
A data da primeira audiência contra os jovens ainda está para ser marcada.


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