Resumo de incidentes de perseguição aos cristãos indianos

| 10/06/2007 - 00:00


Abaixo você pode ler um resumo de alguns incidentes que aconteceram recentemente no país. Em negrito está o nome do Estado.

Nova Délhi - O Partido do Congresso pediu ao governo da Índia para ir devagar na cessão de direitos iguais para as minorias religiosas dalits - desanimando os 16 milhões de cristãos dalits que esperavam um resultado positivo da audiência da Suprema Corte marcada para 19 de julho. A intervenção do Partido do Congresso pode significar que a cessão dos privilégios de casta para os dalits cristãos e muçulmanos deve ser colocada na espera de novo, segundo noticiou o The Times da Índia, em 6 de junho. A audiência já foi adiada sete vezes desde agosto de 2005. Os dalits cristãos e muçulmanos não têm acesso a muitos privilégios que a Suprema Corte estende aos dalits hindus, sikhs ou budistas. O Partido do Congresso tomou sua decisão depois de duas comunidades tribais, Gujjar e Meena no Estado de Rajasthan, entrarem em conflito quanto aos privilégios da corte. Nesse conflito, 14 pessoas foram mortas. O governo de Rajasthan prometeu o status tribal oficial aos Gujjars antes de chegar ao poder, em dezembro de 2003.

Karnataka - Representantes da Aliança de Pastores de Bangalore e Mysore se reuniram com a polícia em 4 de junho para pedir a retirada de falsas acusações contra a esposa de um pastor assaltada em maio. Tanto o pastor Hosula Raj, do distrito de Mandya, como sua esposa Geeta foram acusados de ferir sentimentos religiosos e ser cúmplices de conversões forçadas. Isso se deu depois de um grupo de 30 extremistas hindus atacarem a igreja deles. Geeta e seu filho de 18 anos, Joshua, foram transferidos para um local mais seguro desde que se fizeram as acusações, disse Sajan K. George do Conselho Global de Cristãos Indianos. O inspetor Sibbalangappa foi bem hostil ao nosso pedido, o pastor J. Jacob, da Aliança, contou à agência de notícias Compass. Ele nos questionou nervosamente sobre o paradeiro de Geeta e de seu filho, e perguntou o porquê de Geeta e Hosula Raj não terem feito uma contra-queixa contra os extremistas já que os dois eram inocentes. Ironicamente, foi o próprio Sibbalangappa que se recusou a receber nossa queixa quando ocorreu o ataque, acrescentou Jacob.

Madhya Pradesh - Membros do grupo extremista Rashtriya Swayamsevak Sangh (RSS) atacaram dois pastores em incidentes separados no dia 3 de junho. Um grupo de 25 membros do RSS atacou o pastor Bheem Singh do distrito de Khandwa por volta das 11h30, enquanto ele voltava do culto. Foi dito que o RSS o acusou de conversões antiéticas e fez observações depreciativas contra o cristianismo. Eles também insultaram membros da família do pastor. Algumas horas mais tarde, por volta das 14h30, membros do RSS interromperam uma reunião de oração no distrito de Rajgarh, agredindo o pastor Mukesh Pal. Os membros do RSS disseram que os cristãos sofreriam terríveis conseqüências caso continuassem a participar de cultos, contou uma pessoa do local. Eles também danificara a mobília, hinários e instrumentos musicais. Os extremistas ordenaram que Mukesh parasse com as reuniões cristãs no distrito.

Orissa - Quatro membros do RSS atacaram dois pastores da igreja Comunidade Bom Pastor no distrito de Gajapati em 2 de junho. Os quatro agrediram os pastores Constantino Pariccha e Harish Chandra com varas de bambu quando eles preparavam uma reunião de oração. Os agressores, que estavam bêbados e vieram de uma vila vizinha, acusaram Constantino e Harish de converter pessoas à força. Constantino estava internado com sérios ferimentos internos até o momento. Cerca de 17 famílias na vila de Ramannaguda são cristãs e o chefe da vila, ausente no momento do ataque, apóia a minoria cristã. Os pastores não querem processar os agressores, mas eles pediram que a polícia interviesse e os ajudasse a chegar a um acordo com os agressores de maneira pacífica.

Uttar Pradesh - Cerca de 60 membros do Hindu Jagran Manch (HJM - Fórum Hindu pelo Reavivamento) ameaçaram membros da Igreja dos Crentes da Índia no distrito de Ballia em 29 de maio. Eles tentaram reconverter um deles ao hinduísmo. Extremistas do HJM invadiram a vila, capturaram Mohan Ram, um cristão dalit, e simbolicamente o reconverteram ao hinduísmo, espirrando nele água do Rio Ganges (considerado sagrado pelos hindus). O contato que deu essa informação também disse que os extremistas ameaçaram outros cristãos na vila, dizendo que eles deveriam parar de adorar a Deus em suas casa, caso contrário seriam queimado. A polícia interveio e registrou uma queixa em favor dos cristãos, embora até o momento nenhuma prisão tenha sido feita. A queixa nomeou quatro pessoas que instigaram o ataque contra a pequena comunidade de seis famílias cristãs.

Himachal Pradesh - Extremistas hindus, em 27 de maio, fizeram uma campanha intimidatória contra a igreja Aliança Cristã em Joginder Nagar, distrito de Mandi. O pastor Anil Kumar disse que Munshi Sharma, líder local do RSS agrediu um membro da congregação, Prem Singh, e seu filho Gyan Singh que voltavam para casa depois do culto. Munshi e seus comparsas também mandaram pai e filho não irem mais à igreja. O filho de Prem perdeu a cabeça e retribui a agressão de Munshi, e depois disso Gyan foi agredido severamente, contou Anil. No dia seguinte, os membros do RSS assaltaram Anil. Quando ele foi à delegacia para registrar uma queixa, a polícia o informou que Munshi já havia feito uma queixa contra Gyan. Uns dias antes disso, o RSS ameaçou outro cristão, proibindo-o de ir à igreja, contou Anil. Quando a Associação Legal Cristã da Índia interveio, a polícia prometeu ajudar as duas partes chegarem a um acordo. Os cristãos locais dizem que a discriminação e perseguição aumentaram desde que o governo aprovou as leis anticonversão em 30 de dezembro de 2006.

Maharashtra - Extremistas do Vishwa Hindu Parishad (VHP) e do Bajrang Dal assaltaram José Baptista, obreiro da Aliança Boas Novas, quando ele distribuía folhetos evangelísticos na estação de trem de Mulund em Mumbai, no dia 26 de maio. O pequeno grupo tirou os papéis de José, o agrediu e o levou à delegacia da estação. Segundo Sajan K. George, do Conselho Global de Cristãos Indianos, José havia acabado de entregar folhetos e um livro a um homem identificado como Shri Devang Bilakhia quando os extremistas o abordaram e o acusaram de tentar realizar uma conversão forçada. A polícia ferroviária disse que acusações religiosas estavam fora de sua jurisdição e se recusaram em registrar uma queixa contra José. O grupo o levou então para a delegacia de Mulund, agredindo-o durante o percurso, e registrou uma queixa ali. José ficou detdo diversas horas na delegacia e foi libertado naquela noite.

Maharashtra - Cerca de 20 membros do grupo extremista Vanvasi Kalyan Parishad (VKP ou Conselho pelo Bem-Estar de Silvícolas) atacaram dois cristãos, Jeepar Laxman Tumada e Ramesh Dhame Dilat, que voltavam de uma reunião de oração no distrito de Thane em 25 de maio. Esses ativistas de direita geralmente atacam cristãos tribais em remotas áreas rurais com o pretexto de preservar a religião e a sociedade tradicional, disse Abraham Mathai, vice-presidente da Comissão de Minorias do Estado. Jeepar e Ramesh deram quexia na delegacia de Mandvi, mas até o momento não foi feita nenhuma prisão.

Maharashtra - Membros do grupo extremista RSS tentaram impedir uma convenção pentecostal de cura, de três dias, em Mulund, nordeste de Mumbai, em 24 de maio. Às 17h30, quando a primeira reunião estava para começar, cerca de 50 membros do RSS se reuniram fora do salão e acusaram os organizadores de preparar uma reunião como tática para converter hindus ao cristianismo. Os extremistas também ameaçaram agredir quem fosse à reunião. Eles também fizeram uma queixa na delegacia, e a polícia registrou o caso contra os organizadores como formação de assembléia ilegal e amotinação. Abraham Mathai, vice-presidente da Comissão de Minorias do Estado, registrou sua própria queixa contra o RSS, e a convenção pode prosseguir. O clima, entretanto, estava tendo, e a freqüência à convenção foi baixa por medo de mais ameaças do RSS.

Gujarat - O governo do Estado de Gujarat fez, em maio, uma queixa contra dois cristãos, G.U. Nathan e P. Selvan, sob a bula de anticonversão do Estado, embora ela ainda não tenha sido feita lei. Um habitante reclamou que Nathan e Selvan, que trabalham no Colégio Bíblico AlFA, haviam convertido um menor, Raisinh Vasava, do distrito de Surat. Depois que a queixa foi feita, Samson Christian do Conselho geral de Cristãos da Índia e Govind Swamy do Colégio apelaram na Alta Corte, argumentando que o caso havia afetado adversamente o Colégio, expondo-o a um possível ataque. A Alta Corte de Gujarat emitiu então em 23 de maio uma nota ao governo, apontando que a bula anticonversão do Estado não havia se tornado lei. A bula foi inicialmente aprovada em 26 de março de 2003, mas obstáculos legais fizeram o governo emenda-la em 19 de setembro de 2006. Essa bula ainda aguarda o assentimento do governo do Estado.

Himachal Pradesh - Quarenta extremistas do RSS atacaram Bernard Christopher e Ravinder Gautam, obreiros da Sociedade Missionária Transfiguração em 23 de maio, ameaçando-os de morte se não deixassem a cidade de Kullu. Os extremistas agrediram os dois missionários e rasparam suas cabeças, deixando apenas um tufo de cabelo. Essa prática, conhecida como tonsura é um rito religioso hindu e, portanto, uma ofensa aos cristãos. Eles forçaram Bernard e Ravinder a beber água do Rio Ganges, limpar um templo hindu, escrever e assinar um relatório falso sobre suas atividades, segundo relatou Sajan K. George, do Conselho Global de Cristãos Indianos. O pastor Naresh  Missão Evangélica da Índia  disse que os dois missionários devem ter discutido com sacerdotes hindus sobre a autenticidade dos ídolos hindus, o que gerou o ataque. Bernard e Ravinder dispensaram a ajuda do Conselho para registrar uma queixa na delegacia e saíram de Kullu.

Karnataka - Extremistas do Vishwa Hindu Parishad atacaram cinco obreiros cristãos da Igreja do Sul da Índia durante uma Escola Bíblica fé Férias no distrito de Kolar em 22 de maio. Os extremistas levaram os cinco homens à delegacia local e fizeram uma queixa contra eles. Um pastor da igreja, que pediu anonimato, disse que o incidente aconteceu durante a distribuição de prêmios das crianças na Escola. Os cinco cristãos tiveram ferimentos internos. Mas, em vez de prender os agressores, a polícia prendeu as vítimas de, sob falsas acusações de conversões forçadas, contou o pastor. Dos cinco presos, três receberam fiança no mesmo dia, enquanto os outros dois ainda estão presos até o momento.

Nova Déli - O Vishwa Hindu Parishad entregou um memorando ao presidente da Índia, solicitando uma investigação contra atividades de conversão de missionários cristãos e a criação de uma lei nacional anticonversão. O memorando, intitulado Realidades Fundamentais sobre alegações de supostos assaltos contra missionários cristãos e assinado pelo membro do VHP Ashok Singhal, foi apresentado ao presidente em 28 de maio, um dia antes do protesto de centenas de cristãos em Nova Déli contra a crescente violência anticristã. Chamando os missionários de interesseiros e de talibã, o memorando alega que eles maldizem o nome de organizações hindu fazendo falsas alegações e tentando acabar com não-cristãos pelo uso da força. Sua Excelência (...) os missionários cristãos trabalham sob fachadas inocentes, mas com o objetivo ofensivo, agressivo e imperialista de cristianizar toda a humanidade, afirma o memorando, com acusações de trazer à Índia dinheiro de países estrangeiros para conversões por meios ilegais. Respondendo ao memorando, um representante da Associação Legal Cristã disse que as afirmações do VHP eram sem fundamento, já que nem um único cristão foi condenado por usar força ou aliciamento para conversões, enquanto inúmeros membros do VHP foram considerados culpados de agressões, assassinatos e estupro.


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