Anistia Internacional lista as formas de torturas comuns na Eritréia

| 26/01/2008 - 00:00


Para os incontáveis prisioneiros políticos e religiosos na Eritréia, este é apenas o começo de mais um ano de angústia, tortura e morte. Em sua mensagem de ano novo à nação, o presidente Isayas Afeworki novamente ignorou os pedidos internacionais para que fosse colocado um pouco de dignidade humana em sua administração, libertando ou trazendo a julgamento os milhares de prisioneiros de consciência que estão morrendo nas prisões e em contêineres por todo o país.

Muitos estão detidos a cerca de 5 e 15 anos por levarem pacificamente suas opiniões religiosas ou políticas. Entre as vítimas estão o patriarca Abune Antonios, chefe da Igreja Ortodoxa da Eritréia, líderes e crentes de muitas outras igrejas; ministros de governo, parlamentares, jornalistas e outros suspeitos simpatizantes de grupos exilados da oposição.

Muitos são mantidos em masmorras ou contêineres de metal sujeitos a queimaduras pela temperatura elevada do sol durante o dia e temperaturas congelantes à noite. Como conseqüência, muitos morrem, ou tornam-se parcialmente ou totalmente paralisados. O saneamento praticamente não existe. Nem existe tratamento médico para as vítimas torturadas.

A Anistia Internacional documentou vários tipos de tortura, incluindo o estupro de prisioneiras jovens, após entrevistar vários refugiados que escaparam do país e buscaram proteção fora.

Existem vários métodos de tortura notificados à Anistia Internacional e confirmados por outras entidades de direitos humanos. O método usado mais comumente é o de amarrar os membros com corda – conhecido como “O helicóptero”.

“O helicóptero”: A vítima é amarrada com uma corda pelas mãos e pelos pés, deitada de bruços, sob sol, chuva ou noites congelantes e desprovida de roupas. Esta punição é feita por um número específico de dias – sendo 55 dias o máximo noticiado na prisão da ilha Dahlak Kebir. O prisioneiro fica amarrado nessa posição por 24 horas ou mais, exceto por duas ou três pausas curtas.

“Otto” (oito em italiano): a vítima é amarrada com as mãos atrás das costas e de bruços, mas sem que as pernas sejam amarradas.

“Jesus Cristo”: A pessoa é desprovida de blusa, seus pulsos são amarrados, e permanece em um bloco com as mãos atadas a três hastes: o bloco é removido deixando a vítima com os pés suspensos em uma postura similar à da crucificação. Açoites são infligidos sobre as costas despidas. Esta é considerada uma tortura extremamente severa, geralmente aplicada a cristãos. Este método foi reportado pela primeira vez na prisão de Adi Abeto em 2003.

“Ferro”: Os pulsos são amarrados atrás das costas com algemas enquanto as vítimas permanecem de bruços. São açoitados com varas ou fios nas costas e nas nádegas.

“Tocha” ou “número oito”: dentro de um quarto especial de tortura, a vítima é amarrada com os pulsos atrás das costas. Uma viga é colocada debaixo dos joelhos suportada por vigas de ambos os lados horizontalmente, então a parte superior do corpo é solta e os pés ficam expostos. As solas dos pés são espancadas com varas ou fios.

“Tortura sexual”: Em adição aos choques elétricos durante os interrogatórios uma garrafa de Coca-Cola cheia de água é amarrada aos testículos.

“Estupro e escravidão sexual”: violência sexual contra recrutas femininas. Algumas das novas recrutas mulheres são selecionadas pelos comandantes para sexo sob coação. É dito que elas são ameaçadas de pesadas imposições militares ou lhes é negado o direito de deixar a casa.

O seguinte é parte de um testemunho gravado pela Anistia Internacional de um recruta do serviço nacional que foi torturado na prisão da Eritréia por suas idéias políticas:

“Fui espancado logo no primeiro dia de prisão. O espancamento é uma coisa normal. Eu fui chutado em todas as partes do meu corpo. Depois eu fui amarrado por três dias no método “Otto”. Meus pés foram amarrados, e minhas mãos foram amarradas separadamente atrás das minhas costas. E eu fui colocado nesta posição do lado de fora continuamente por três dias, deitado de bruços, exceto por dois períodos curtos por dia, para comer e para ir ao banheiro...

Eu vi também outros amarrados, alguns muito apertados. Eu vi um cujas veias dos braços se romperam e o sangue escorria. Eles apenas o deixaram lá e se esqueceram dele. Quando as veias estouraram, eles o tiraram e então não sabemos o que aconteceu com ele. Algumas vezes as veias inchavam por causa do sol, e estouravam.

Este recruta eritreu, cujo nome é mantido em segurança para proteger sua família, acrescentou que ele e seus colegas reclusos viram três outros recrutas serem executados diante de seus olhos. Foi dito a eles pelos oficiais de segurança que as vítimas eram traidores porém não lhes disseram quais as acusações. Disseram que a execução não teve julgamento e que não sabiam quem eram ou o que tinham feito."

Em virtude destes relatos ore pelos cristãos da Eritréia. Muitos estão presos em contêineres e sendo torturados até a morte para que neguem Jesus Cristo como Salvador de suas vidas.


Sobre nós

Uma organização cristã internacional que atua em mais de 60 países apoiando os cristãos perseguidos por sua fé em Jesus.

Instagram

© 2021 Todos os direitos reservados

INÍCIO
LISTA MUNDIAL
DOE