Autoridades soltam "temporariamente" Mohsen Namvar

Depois de passar quatro semanas sob a custódia da polícia e ficar à beira da morte por causa das torturas que sofreu, o cristão iraniano Mohsen Namvar, de 44 anos, líder de uma igreja doméstica em Teerã, foi “temporiariamente” solto para voltar à sua casa e se recuperar. 

Um médico convocado a ir à casa dele administrou remédios e soro para tratar do prisioneiro. Mohsen tinha febre e pressão muito alta.

“Seu corpo ainda está em choque”, disse um cristão iraniano ao Compass, “e suas mãos e pés não param de tremer”. E ainda completou: “Talvez eles estivessem com medo de que ele morresse na prisão vítima das torturas que sofreu.”

Preso no dia 31 de maio em sua casa em Teerã ( leia mais), o convertido do islamismo ao cristianismo foi mantido incomunicável até o dia 26 de junho, dia em que foi solto.

Durante a prisão, uma pessoa ligou para a casa da família dele dizendo que ele estava bem. “Não era a voz dele”, disse uma fonte ao Compass.

Marcas da tortura 

Mohsen ainda se recusa a responder as perguntas de sua mulher sobre as semanas em que esteve sob a custódia da polícia. E avisa: “Não me pergunte nada.” Por dias ele evitou tirar suas roupas na frente da esposa para que ela não visse a extensão dos machucados que levava pelo corpo.

“Eles puseram muita pressão em seu corpo e mente”, disse uma fonte. “Ninguém sabe o que aconteceu exatamente durante essas quatro semanas.”

As autoridades governamentais sabiam muito sobre as atividades cristãs de Mohsen Namvar e queriam puni-lo por isso. “Nós agradecemos a Deus que eles não o tenham matado”, disse a fonte.

Por ter supostamente batizado muçulmanos que se tornaram cristãos, Mohsen já havia sido preso e gravemente torturado com choques elétricos na primavera de 2007. As torturas fizeram com que ele não pudesse andar por semanas.

Recentemente, policiais locais mandaram que a família dele pagasse R$ 12mil de fiança para que ele fosse solto e ainda alertaram que a liberdade duraria “pouco tempo”.

Parentes juntaram metade da fiança pedida e tomaram empréstimo para o restante, mas quando exigiram um recibo formal do pagamento no dia 26 de junho, a polícia se recusou a fazê-lo.

“Não digam nada”, um oficial da polícia ordenou a eles. “Dêem graças a Deus que não o estamos mantendo preso.”

Corrupção

‘Todas as autoridades são ladras”, comentou um cristão iraniano que mora fora do Irã. “Essa fiança não foi ordenada por nenhum juiz. A polícia está apenas colocando esse dinheiro em seus próprios bolsos.”

A Justiça iraniana tem ordenado aos cristãos presos que entreguem a escritura de suas propriedades como fiança. No entanto, nos últimos meses, a polícia secreta tem dispensado os procedimentos da Corte e ordenado os pagamentos diretamente às famílias dos presos.

Dez dias depois da prisão do líder da igreja doméstica, a polícia revistou sua casa e ameaçou sua mulher, Fereshteh, intimidando-a com comentários.

Abordagem ao filho de 12 anos

Na mesma época, o filho de 12 anos de Mohsen foi abordado por um estranho na saída de sua escola, que oferecia levá-lo para sua casa “já que seu pai não está aqui”. O garoto chamou a mãe, que o instruiu a não aceitar a companhia do estranho. Desde então, a mãe escolta seu filho na ida e na volta do colégio todos os dias.

Durante as semanas em que Mohsen Namvar esteve preso, sua mulher também recebeu um grande número de ligações. O anônimo dizia: “Nós precisamos punir vocês e matá-los”, já que ele e a esposa rejeitaram o islamismo.

Desde maio, ao menos outros 14 cristãos iranianos foram presos em incidentes isolados em Shiraz e Teerã, acusados de atividades contra o islamismo e o Estado. A maioria foi solta depois de interrogatórios.

Apesar disso, Mahmood Matin e um segundo homem identificado apenas pelo seu primeiro nome, Arash, ainda estão sob a custódia da polícia em Shiraz desde o dia 13 de maio.