Povo birmanês clama por democracia e liberdade religiosa

| 13/11/2008 - 00:00


O futuro de Mianmar não depende da comunidade internacional ou dos movimentos individuais e locais, mas está relacionado à força e à unidade de “um povo que precisa se tornar arquiteto de seu próprio destino”. Essa é a esperança que um cristão anônimo de Mianmar expressou à agência de notícias AsiaNews.

Esse cristão, que não quis ser identificado por motivos de segurança, concordou em falar sobre a realidade do país e os prospectos para o futuro, sobre o ideal da democracia e os medos de novas repressões, e também sobre “a esperança de um povo sedento por Deus”, em constante busca por uma “realidade que pode erguê-los” da miséria, dor e frustração diária.

Grande parte da população está se tornando cada vez mais pobre e sobrevivendo com menos de US$ 120 por ano.

Direitos humanos, liberdade pessoal e religiosa, democracia: essas são palavras vazias em Mianmar, onde uma ditadura militar governa soberana há mais de 20 anos, silenciando aqueles que querem discordar dela.

A fonte cristã afirma que é certa – a longo prazo – a queda da ditadura, como aconteceu no passado com a União Soviética e outros lugares dominados por regimes totalitaristas. No entanto, isso dependerá do “empenho do povo” em lutar. O objetivo “não é um combate aberto, mas causar uma lenta operação de erosão interna”, usando a força “da razão, do diálogo e da paz”.

Um papel importante pode ser exercido pela imprensa e pela internet, apesar do controle rígido exercido pelos militares. Esses meios permitem a coleta de notícias de todo o mundo e o aprendizado de uma realidade diferente da versão oficial divulgada pelas autoridades.

A China colocou seus tentáculos sobre Mianmar, protegendo o governo militar da comunidade internacional. A fonte afirma: “A China está mais interessada em proteger o governo, com quem conduz seus negócios, do que na população civil, seguindo a política de não interferir nas relações internas de outro país. Essa é a razão pela qual o governo militar está se tornando mais forte aparentemente. Mas ele está apenas seguindo o artifício de reprimir com base no medo, tendo em vista as eleições de 2010”.

Após meses, os refugiados do ciclone Nargis ainda continuam em uma situação dramática. Primeiramente, a junta militar desviou a ajuda humanitária fornecida por agências internacionais, e depois chegou às áreas mais remotas, na quais ainda hoje há milhares de pessoas morrendo de fome ou de sede.

Organizações humanitárias tentar ajudar os mais carentes, e a Igreja pode exercer um papel fundamental nos programas de apoio e assistência.

A tarefa dos cristãos é a de transmitir esperança, e a cooperação com os budistas pode se tornar em um importante meio de amedrontar o regime, que tem medo desse propósito de união. Mas deve-se tomar muito cuidado, e o diálogo inter-religioso deve continuar, tanto quanto em atividades concretas quanto no trabalho de evangelização.

A última reflexão é dedicada à birmanesa ativista pela democracia, a mais famosa ganhadora do Nobel, Aung San Suu Kyi: “O governo militar”, confirma a fonte, “trancou-a em uma cela, mantendo-a sob vigilância cerrada, mas ela continua muito popular e respeitada pelo povo”. Seu papel na luta pela democracia no país é fundamental, mas “ela não pode fazer tudo sozinha”. É importante que as pessoas a apóiem no trabalho que tem de coordenar vários grupos rivais, e que ela permaneça sempre como um ponto de referência na promoção de valores da democracia, do respeito aos direitos humanos e da liberdade religiosa. A junta militar está ciente da influência que ela exerce, mas ela não pode lutar sozinha: ela precisa do apoio do povo.


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