Médico cristão sequestrado é liberado em estado crítico

| 27/09/2009 - 00:00


No dia 16 de setembro, sequestradores islâmicos largaram um médico cristão em condições críticas em frente a uma mesquita em Kirkuk, após 29 dias de tortura e ameaças a ele e sua família.

Graças às negociações de sua filha de 23 anos com os terroristas, Sameer Gorgees Youssif, de 55 anos, foi liberado com o corpo coberto de ferimentos e hematomas. Durante o cativeiro, ele permaneceu amarrado e amordaçado.

Ele foi sequestrado cerca de 8:15 hs do dia 18 de agosto enquanto caminhava de seu consultório pediátrico para casa, no distrito relativamente “seguro” de Kirkuk, ao norte do Iraque, disseram fontes à agência de notícias Compass Direct News.

Os sequestradores, aparentemente insurgentes, surraram-no e o enfiaram no porta-malas de um carro em meio a um blecaute nas redondezas. Enquanto aceleravam, eles mataram um dos vizinhos do médico, identificado apenas como Askar, com um único tiro no coração. Ele morreu imediatamente.

Fontes disseram que Askar, um cristão na faixa dos 50 anos, ouvira o médico gritando por socorro e, pensando que era um de seus filhos, correu para o carro enquanto este arrancava a fim de pará-lo.

Sameer, pai de dois filhos, é o quarto médico cristão sequestrado em Kirkuk nos últimos dois anos. Sequestrar cristãos em geral e mantê-los cativos por resgate é uma ocorrência regular no Iraque. Salem Barjo, outro cristão sequestrado em agosto, em Mossul, foi encontrado morto em 3 de setembro.

Exigências de Resgate

A família do médico não relatou o incidente à polícia por temer repercussões negativas no caso de haver funcionários do governo envolvidos no crime.

Os sequestradores ligaram para a esposa de Sameer alguns dias depois, exigindo meio milhão de dólares de resgate e ameaçaram matá-lo se não recebessem o dinheiro.

Quando perguntou onde encontraria tão enorme quantia, os insurgentes teriam respondido: “Você é mulher. Pode pedir nas mesquitas ou igrejas”, disse uma fonte cristã anônima de Erbil.
 
Após ter falado por duas vezes com os sequestradores, a esposa de Sameer começou a sentir dormência em seu lado direito devido ao estresse. Ela foi incapaz de retomar as negociações e sua filha de 23 anos começou a barganhar pela vida de seu pai.

“Eu era a única que falava e negociava com eles”, disse ela. “Tudo está nas mãos de Deus. Ele me deu forças para conversar com eles. Eu lhes implorava, dizendo, ‘Não façam nada com ele.’”

A filha do médico, que pediu para que seu nome fosse mantido em sigilo, disse que, por duas semanas, os sequestradores insistiram em 500 mil dólares e, então, baixaram a quantia para 300 mil.

“Eu disse: ‘Nós não temos isso. Por favor, tenham misericórdia de nós’”, disse ela.

Os terroristas encontraram números telefônicos de amigos no celular do médico e ligaram para eles, instruindo-os para dizerem a sua família que, se não arrumassem o dinheiro, eles matariam o médico. No final, os sequestradores baixaram a quantia para 100 mil dólares. 
 
“Eles nos ameaçavam o tempo todo e estávamos vivendo em um inferno”, disse sua filha. “Nós permanecemos em casa, oramos, jejuamos e trancamos as portas. Tínhamos medo de que talvez eles viessem aqui e matassem a todos nós. Deus era a nossa única esperança.”

A família disse que conseguiu ajuntar o dinheiro através da generosidade de amigos. Eles não estão certos de como irão pagá-los.

Irreconhecível

O médico, que foi torturado e passou fome até se tornar irreconhecível, foi largado em frente a uma mesquita no dia 16 de setembro, horas após seu sogro ter entregue o dinheiro do resgate em uma localidade não revelada de Mossul. Amigos dos familiares disseram a Compass Direct News que havia um carro da polícia estacionado próximo aos insurgentes no momento do pagamento do resgate. Os insurgentes chegaram armados em dois carros.

“Existe corrupção”, disse uma fonte anônima em Erbil. “Isto é normal aqui, em Mossul ou Bagdá. As pessoas são sequestradas em carros da polícia.”

Parentes que foram pegar Sameer apressaram-se com ele para o hospital.

Fontes disseram que o médico fora amarrado, amordaçado e vendado, tendo permanecido deitado sobre seu lado direito por 29 dias, desenvolvendo úlceras de pressão graves em sua coxa e braço direitos, e um ferimento profundo em seu ombro direito. Ele tinha uma ferida profunda na parte posterior do pescoço e um hematoma no braço esquerdo.

Havia ferimentos abertos ao redor de sua boca e dos pulsos, onde fora atado com força durante todo o tempo em que foi mantido refém, disseram as fontes. Seu olho esquerdo estava infectado. A testa e o nariz foram golpeados repetidas vezes, e o resto de seu corpo, especialmente a parte superior do tronco, estava coberta de hematomas.
 
“Quando o vi, não pude aguentar. Não era o homem que eu conhecia”, disse sua filha. “Ele parecia um velho, tinha uma barba e estava tão magro que parecia anoréxico.”

Familiares disseram que ele temia falar de sua experiência porque os terroristas tinham ameaçado matá-lo com sua família. Quando conseguiu falar, perguntou a sua família por quanto tempo ficara fora de casa.
 
“Ele disse que orava, dizendo: ‘Eu sei que Deus não me abandonará’, disse sua filha. “Ele ficava recitando o salmo 23. Ele o ama, é seu salmo favorito.”

O pastor de Sameer disse a Compass que não há proteção para as comunidades cristãs no Iraque e que, em Kirkuk, somente médicos cristãos, em vez de muçulmanos, foram sequestrados.

A filha de Sameer disse que está convencida de que seu pai foi sequestrado porque é cristão e médico. “Os cristãos não têm proteção. Por isso somos perseguidos aqui”, disse ela. “Somos fracos e é por isso que eles tiram vantagem de nós.”

O médico ainda estava no hospital no momento dessa reportagem, mas, de acordo com a família, sua condição está melhorando. 


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