Igrejas em Jacarta são fechadas

| 20/01/2004 - 00:00


Grupos muçulmanos estão se aproveitando de um documento publicado pelo governo indonésio para fechar várias igrejas existentes e impedir a construção de outras em Jacarta. A Carta de Decisão n.º 137, publicada em 2002, permite que as igrejas da área de Jacarta sejam fechadas - mesmo que tenham a permissão necessária do governo - se as pessoas da comunidade vizinha apresentarem objeção à sua existência ou localização.

Em 2003, fundamentalistas muçulmanos exigiram que várias comunidades protestassem contra as igrejas de Jacarta, resultando no fechamento de quatro igrejas. Outras comunidades foram encorajadas a protestar contra a construção de novas igrejas.

A Igreja Bethel de Pahlawan Revolusi, a igreja Protestante Gereja Kristen Indonésia (GKI) de Puri Kembangan, filial da GKI em Ciputat e uma igreja da etnia Batak em Pondok Bambu estão entre as igrejas fechadas através dessas táticas.

As congregações que tiveram permissão recusada para construção ou para a realização de culto nas igrejas existentes, gora se reúnem em salões de conferência de hotéis, salões comunitários e restaurantes. A situação está longe de ser ideal já que os locais de encontro mudam várias vezes no espaço de um ano.

Uma multidão de muçulmanos forçou a igreja Batak de Pondok Bambu a fechar no dia 27 de novembro, porque ela não tinha permissão oficial. A igreja Bethel de Pahlawan Revolusi foi fechada no dia 30 de novembro depois que o Forum Betawi Rempug (PBR) mandou duas cartas de advertência com base nas políticas esboçadas na Carta de Decisão. Os discordantes forçaram também o fechamento da igreja de Puri Kembangan no dia 5 de dezembro e a igreja Ciputat no dia 8 do mesmo mês.

De acordo com a Carta de Decisão, todas as congregações que se reúnem em caráter permanente no templo de uma igreja em Jacarta devem ter permissão do governo local. As permissões são concedidas somente se a comunidade vizinha der seu consentimento.

Entretanto, na prática as permissões raramente são concedidas, mesmo que a igreja tenha conseguido assinaturas de consentimento da comunidade local.

O Rev. Frans Simbolon, líder da igreja Bethel em Pahlawan Revolusi, disse a Portas Abertas que mestres da religiãoo pressionaram a assinar um acordo para fechar a igreja, apesar dela funcionar sem problemas há sete anos. Eles me forçaram a assinar a carta, disse Simbolon.

No dia 15 de novembro, uma semana antes da igreja ser forçada a fechar suas portas, militantes muçulmanos fizeram uma manifestação em frente à igreja. Alguns deles chegaram à manifestação com latas de combustível, prontos para tocar fogo na igreja se suas exigências não fossem atendidas.

O Rev. Adhi Didaktira, líder da igreja GKI de Puri Kembangan, disse que a Front Pembela Islam (Frente de Defesa Islâmica) encorajou os vizinhos a assinarem uma carta pedindo que a igreja parasse com seus cultos. Ele admitiu que a igreja não tinha permissão; entretanto, a congregação se reunia há certo tempo sem queixa da comunidade vizinha.

Enquanto isso, em Ciputat, o líder da igreja, Santoso, explicou que a comunidade local havia sido simpática até que os religiososincitaram uma manifestação contra a igreja. Uma multidão de cerca de 300 pessoas chegou gritando e insistindo para que a igreja fosse fechada. Mais uma vez a Carta de Decisão foi usada como base legal para o fechamento da igreja.

Santoso cedeu às exigências deles três dias depois.

Os líderes da igreja de Pondok Bambu têm negociado com os líderes islâmicos locais e com as autoridades do governo durante os últimos oito anos - sem resultado. As autoridades têm-se recusado continuamente dar permissão para que a comunidade Batak se reúna nas dependências alugadas pela igreja. Nós ainda não desistimos! disse o Rev. Marihot Sagala.

Mesmo as igrejas que se reúnem nas salas de conferência de hotéis, restaurantes, lojas ou salões da comunidade, elas enfrentam intimidação de grupos islâmicos. O Rev. Suharto e os membros de sua igreja Protestante em Joglo, Jacarta Ocidental, costumavam reunir-se em um armazém na cidade. Entretanto, eles tiveram de encontrar outro local quando os militantes muçulmanos ameaçaram tocar fogo no armazém se a igreja continuasse a se reunir ali.

A Igreja Tiberíades, que se reúne nas dependências de uma loja em Cinere, passou por problemas semelhantes. De acordo com o Rev. Spencer Aditama, em fins de 2003 uma multidão apedrejou a igreja e quebrou a maioria das janelas. Com receio de agir contra os infratores através dos canais legais, a própria igreja pagou pelos prejuízos.

Das cerca de 350 igrejas em e ao redor de Jacarta, cerca de 60% funcionam sem permissão do governo. A Carta de Decisão nº 137 tornou o processo para obter a permissão para igreja muito mais difícil, deixando milhares de cristãos sem um local permanente e legal de culto.


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